E o que mais me chamou a atenção foi que entre nove características, a que menos importa é o tamanho da verba. Somente 15% dos entrevistados responderam que dinheiro conta. Só que entre os 10 anunciantes indicados como os melhores do mercado, 10 podem ser considerados empresas que investem bastante.
Isso é interessante: lembro que nas pesquisas que já vi sobre motivos de escolha de um produto ou serviço, em todas elas o preço nunca está em primeiro lugar entre os motivos para se escolher uma marca. Então dinheiro não conta? Não acho que seja essa a questão. O preço, ou a verba no caso das agências, é um fator de eliminação. Quando alguém resolve comprar um produto, primeiro olha pro bolso, depois encontra os motivos pelos quais vai escolher o produto A ou o produto B.
No caso das agências, talvez o perfil das entrevistadas já direcione para grandes contas. Mas quem tem mais verba normalmente consegue contratar melhores profissionais. O que se refletiria num briefing melhor, numa relação de respeito a prazos, até na preocupação em manter a agência satisfeita.
No estudo, as duas características mais indicadas foram relacionamento de longo prazo e remuneração adequada. São mais citadas do que criatividade, o que indica uma visão centrada na agência, e não nos resultados do anunciante. Apesar de trabalharem falando da importância do consumidor o tempo todo, quando têm que definir quais as boas características de bom cliente, a visão é voltada para a própria satisfação. Estranho isso…
Como alguém que já esteve nos dois lados da mesa, digo que todos os pontos podem ser aplicados para a escolha de agência também. Trocando uma ou outra palavra, como por exemplo, briefing por debriefing, que é o momento em que a agência explica o que entendeu do pedido original, as preocupações do cliente são iguais aos da agência. Repito muito para os meus alunos que não existe agência boa sem que o cliente também seja bom, que cada cliente tem a agência que merece.
Fazer comunicação é uma das tarefas mais coletivas que conheço. O criativo que sobe no palco para receber um prêmio, está ali porque o cliente apostou na ideia e investiu dinheiro para colocá-la na rua. Então, quando leio todas as características de uma boa agência, vejo as características de um bom casamento.
Como diz o ditado, quando um não quer, dois não brigam. Não existe um bom trabalho seu esforço de todos os envolvidos.

Aí descubro que ele vale R$ 358 milhões. Jogador de algum time europeu, está na Copa pela Seleção Espanhola e, cada vez que encosta na bola, alguns milhares de dólares entram na sua conta bancária. Por outro lado, o goleiro Vozinha, que virou um fenômeno nas Redes Sociais por conta da CazéTV, também era um completo desconhecido pra mim. Mas esse é baratinho. Vale o mesmo que um Toyota Corollla Cross zero quilômetro. Até dá pra comprar.
Precisei ver as matérias sobre a Copa do Mundo e o preço dos jogadores pra entender que somos mercadorias. Nós, os seres humanos. Tudo, no final, vira dinheiro. E o valor do passe dos jogadores me lembra essa terrível verdade.
Com um espanhol você compra três Vini Júniors, o jogador brasileiro mais valioso. E ainda sobra um troco pra levar uma dezena de Vozinhas pra casa. Ou leva direto mais de 1.500 goleiros do Cabo Verde pro seu plantel. Aliás, se a gente colocar um Yamal jogando contra esses goleiros todos, será que ainda assim ele consegue fazer um gol?
Chego a conclusão se somos carne, algumas vezes de primeira, outras não. As nossas angústias, frustrações, emoções e alegrias viram valor de mercado, o tempo todo. O salário que recebemos, no fundo, também é um jeito de sermos valorizados e comparados. O presidente de uma empresa vale dez, vinte, cem vezes um funcionário de chão de fábrica. Só que a gente se acostumou a pensar nisso como uma troca pelo nosso trabalho e não como etiqueta de preço.
O que me conforta é ver que nossos valores variam de acordo com o lugar onde estamos. O Yamal pode valer muito. Só que, nas figurinhas da Copa, o grande campeão é o Vini Jr. O grande problema é que, nem no álbum, o Vozinha parece ter o valor que merece…

Era uma placa. Uma placa! A CB* chamou na chincha e botou uma notificação extrajudicial. Pegou também no pé da 99, dizendo que o aplicativo de entregas não pode falar a respeito dos seus jogadores. Virou dona do nome Endrik. Aproveitou e botou no mesmo rolo a BYD, que iluminou um número no chão.
Não satisfeita, a C*F foi atrás também do Bradesco, por conta do comercial com a música da Ivete, e do Nubank, que só mostrou sinais de sorte por todos os lados (CLIQUE AQUI). Pura implicância. Não entendi por que a *BF está se preocupando com campanhas tão inocentes...
Foi dada a largada para o concurso do melhor Marketing de Emboscada da Copa do Mundo 2026! Todo mundo tentando tirar uma lasquinha do maior campeonato futebolístico mundial (inclusive eu...). O comportamento da CB* e da Fifa de notificarem todos os não-patrocinadores, de que estão se aproveitando de um evento a que eles não têm direito, é legal. Mas não é "legal".
É legal, porque é defensável por lei. Essas empresas não pagaram pra estar ali. Isso é fácil de entender. Mas não é "legal", porque diminui a Copa ao longo do tempo. Pagou? A empresa fala. Não pagou? Justiça nela. E, aos poucos, vai fazendo o tema ficar menor, restrito aos poucos que botaram dinheiro.
A Copa é o carnaval do Futebol. Está na boca de todos e mexe com a emoção. Mas para isso, precisa ser popular. As conversas paralelas botam lenha na fogueira. *BF está usando um extintor pra controlar o fogo.
Mas tem um ponto positivo no que ela tem feito. Quanto mais proíbe, mais criativas ficam as formas de falar da Copa, sem falar da Copa. No final, está ajudando a voltar ao tempo das grandes campanhas.
Parabéns, C*F!
Afinal, não é só porque ela é uma influencer digital que não pode rodar por aí motorizada. Luiza, preocupada, disse que só se fosse um modelo seguro e, por isso, deu de presente o novo lançamento da Hyundai, o i20.
No primeiro passeio, Lu resolveu fazer uma surpresa e mostrar a novidade pro seu amigo Zé Delivery. Só que a surpresa foi dela, ao encontrá-lo sem barba, pela primeira vez, depois de 10 anos. Ele passou um Prestobarba na cara, pra dar sorte pra Seleção Brasileira na Copa...
Não deve ter sido assim, mas bem que poderia. O que me impressiona nas novas campanhas da montadora coreana e da Gillette é o uso de personagens digitais para inserir seus produtos no dia a dia do consumidor. Nos dois casos, o benefício dos produtos é o herói das histórias.
Lu fez 23 anos e estava na hora de tirar carteira. Tirou e, entre todas as novidades do mercado, comprou um modelo a combustão. Ela é conservadora, como 80% dos compradores de carro brasileiros, que olham pra eletrificação com um misto de curiosidade e medo. Ponto pra Hyundai, que, através da influencer, está falando com um perfil de consumidor que, com certeza, quer novos automóveis, como o i20, com tecnologia embarcada e tudo, mas que não se arrisca em marcas pouco conhecidas.
Gillette tem um desafio pela frente. Como manter a relevância num mundo onde barba na cara é a preferência nacional. Rosto liso já foi maioria absoluta (ou quase). Hoje, quase 90% dos brasileiros têm desde algum tipo de penugem no rosto. Superstição pode ser uma boa pra começar a mudar essa realidade. E, por isso, apostaram na Copa do Mundo.
Zé e Lu são amostras de como o digital tem espaço ainda para crescer na propaganda. Gillette e Hyundai, de como as empresas podem ativar seus produtos sem serem interrupções na vida do consumidor. Pelo contrário, serem parte do que ele quer consumir no dia a dia.
Agora, falta alguém entrar na brincadeira e colocar os dois pra namorar...

O carrinho vem sendo o líder de vendas em concessionárias desde fevereiro e, pelo andar da carruagem, vai fechar mais um mês em primeiro lugar. Lógico que, quando você olha o mercado como um todo, incluindo as vendas diretas das montadoras, o modelo despenca para o oitavo lugar. Ainda assim, estar entre os 10 mais vendidos, sendo chinês e elétrico, é um feito e tanto.
Nos primeiros metros guiando o Mini, paro num sinal e um vendedor ambulante me oferece paçoca. Só balanço o dedo, dizendo que não, e ele, batendo no vidro, grita: "Esse é o futuro!". Tomo um susto, não com o gesto dele, mas com a frase. Se até um baleiro aponta o carro como o que vem por aí, então a revolução dos chineses não tem mais volta.
A marca só me empresta o Dolphin por uma semana. Pouco tempo para realmente senti-lo no meu dia a dia, mas o suficiente para passar a gostar dele. Para ir e vir no dia a dia, ele é uma solução incrível. Faltou 'aquele teste' de ter que carregar um piano de cauda, de São Paulo a Campinas, pra conhecer a sua versatilidade. Não que eu faça isso com todos os meus carros, mas o Mini não é o indicado pra resolver todas as suas necessidades. É quase uma moto com capota.
E essa é uma característica interessante. Sendo elétrico, ele arranca nos sinais tão rápido quanto qualquer motoqueiro kamikaze. O que é um convite para multas e mais multas por excesso de velocidade. Você vai gastar com o Detran o que economiza na Petrobras.
Demoro quase uma semana pra parar de desligar o Mini quando sento no banco de motorista. Explico: sendo elétrico, o motor liga quando você abre a porta do motorista, sem ter que usar a chave, nem clicar em nada. E desliga, quando você, saindo, a tranca. A gente fica se perguntando por que ninguém pensou nisso antes. Mesmo assim, uma dúvida ficou. Se não precisa apertar nada, por que ainda tem um botão no painel?
Devolvo o carro com uma sensação de quero mais. O Bichinho de Marketing se acalma, mas o meu Mal humorado de Plantão me pergunta: O que vai acontecer daqui a alguns anos, quando esses 33 mil carros vendidos este ano voltarem como usados pro mercado? Só pegando o DeLorean do McFly pra descobrir...
