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Amo o mercado de aviões.

18/06/2025
Postado por: Murilo Moreno

Talvez um dos maiores benchmarkings que uma pessoa possa ter. Tento entender como funciona a área de vendas de um mercado tão pequeno e que, ao mesmo tempo, movimenta tanto dinheiro. A guerra comercial da Embraer e Airbus, agora no Paris Air Show, uma das maiores feiras de aviação do mundo, me deixou ainda mais curioso.

Imagine-se um vendedor de aviões. Você tem, pelas contas da ATAG, associação que reune empresas da área, um pouco mais de mil companhias aéreas no mundo. Dessas, 350 têm interesse em produtos como os EJets, da Embraer, ou A220, da Airbus. São aeronaves para até 120 pessoas, para voos curtos, os chamados regionais. Pra deixar ainda mais difícil, nas projeções da Boeing, as vendas desse tipo de modelo estão diminuindo. E a atual frota de 2.370 aviões deve cair para 1.715 até 2044.

Então, com 350 clientes em todo o mundo, dá pra almoçar com um diferente por dia e ainda sobram dias no ano. Se decidirmos influenciar os influenciadores, ou seja, os pilotos que podem elogiar ou criticar a escolha, estamos falando de 300 mil pessoas em todo o mundo. Todos os números são muito pequenos. Aliás, nem todos. Tem os passageiros, que não escolhem, mas podem rejeitar, em qual avião voar. Como assim? Depois do acidente da Air India, em qual voo você embarcaria hoje, se pudesse escolher? Num Boeing ou num Airbus?

Então o vendedor precisa: 1 - convencer o comprador, 2 - influenciar o piloto e 3 - polir a imagem com o passageiro. Tudo isso pra ter a chance de vender uma vez por ano.

Esta semana, a Airbus conseguiu vender 40 aeronaves pra companhia aérea polonesa LOT. Uma francesa vendendo pra um outro país europeu. Fez coletiva de imprensa, comentou que não teve dedo político na decisão. Só que o que tinha de representante dos governos no evento fez a imprensa desconfiar que não foi só preço que pesou na decisão.

Agora, vem aí a resposta da Air Asia para uma outra venda de 100 aviões. De novo, as duas são as finalistas na disputa. Espero que o Brasil empate o jogo.

Do lado da francesa, o peso pesado das vendas são os aviões de grande porte. O A220 completa a oferta da empresa e permite que as companhias aéreas economizem com o compartilhamento de treinamento e manutenção. Do lado da verde-amarela, faltam modelos com mais de 150 assentos. Tem fofocas que a Embraer pensa em construir algo do gênero. Melhor seria ela comprar a Boeing de uma vez por todas...

Quem sabe, assim, a crise da americana não acabe de uma vez por todas?

 

Fonte da imagem: divulgação das empresas

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Postado por: Murilo Moreno
Ontem, gastei quase uma hora pra fazer a imagem do post sobre os Supermercados BH.

Separar as imagens das marcas, escolher o tubarão, colocar uma marca sumindo dentro da boca do animal. Foi mais tempo fazendo o card do que escrevendo. Até aí, nenhum problema. Como desenhista frustado que sou, esse tempo diário é uma diversão para mim.

Só que, logo após publicar, me lembrei da IA. Pensei: quanto demoraria e qual seria o resultado final? Joguei tudo no Nano Banana, do Google, fiz o prompt e, em menos de 10 minutos tinha uma figura muito melhor. Só consegui me sentir frustrado por não ter pensado nisso antes. O resultado das duas experiências você vê na imagem deste post.

Abro a internet e descubro a nova campanha do Canva. Falando da facilidade de se fazer tudo o que é relativo à imagem corporativa e propaganda com a ferramenta. Estrelando Agostinho Carrara, aquele motorista de táxi "ixperto" da série A Grande Família.

Comparado com o Graciovo, a nova ideia é menos explosiva. Mas mostra melhor tudo que Canva faz. São mais de quatro minutos de um vídeo demonstrativo, que quase beira o cansaço, mas que o personagem salva. E o principal: renova o caminho criativo da empresa.

O resultado da minha experiência me deixou fascinado. O tempo que posso economizar com a IA é incrível. Mas me traz uma pergunta fundamental.

Como ficará a criatividade, a partir do momento que poderemos ter soluções cada vez mais iguais, devido ao uso de uma mesma "cabeça pensante", a da Inteligência Artificial? Lógico que isso dependerá do prompt, aquele comando que você dá pra IA. Mas as soluções que vemos hoje ainda pasteurizam os pedidos.

Talvez seja essa a resposta: o ser humano por trás do pedido. Se for um Agostinho, o resultado será de baixo gosto, como é o personagem. Se for um Picasso, é bem provável que a pessoa tire o melhor que a IA pode oferecer.

No final, a IA não deixa de ser uma ferramenta na mão das pessoas. Paulo Coelho não se tornou o maior escritor brasileiro somente porque usava um computador melhor.

 

07/05/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Agora foi a vez do EPA morrer na boca do Supermercados BH.

A compra ainda vai passar pelo Cade, que pode exigir o fechamento de uma ou outra loja em Belo Horizonte, mas que deve ser aprovada. Começo do ano passado, o tubarão tinha engolido a Bretas, comprada da chilena Cencosud. Somente nestes dois anos, foram quase trezentas lojas, dobrando o número de pontos de vendas.

O BH chega a fenomenais 34 bilhões de reais de faturamento. Ainda falta um 'tiquim' pra chegar no Grupo Mateus, que em 2025 faturou 43,5 bi. Mas mostra que o apetite está grande. Se até agora era uma convivência pacífica, com cada uma no seu território, a coisa deve mudar. As duas passam a se chocar no nordeste, território do Mateus e que agora o BH entra, via EPA.

Apesar de toda a grandeza dos números, o que me impactou na notícia foi a venda do EPA. Sou mineiro e cresci vendo os comerciais da rede que, nos anos de 1970 e 1980, dominava BH. A empresa era de uma velocidade incrível e, no final da primeira versão da novela Vale Tudo, chegou a colocar no ar uma propaganda em que perguntava "quem matou Odete Roitman?" pra ela mesmo responder "Foram os preços baixos do EPA!" Virou meme e todo mundo repetia isso nas ruas.

Epa foi fundado em 1950, o BH em 1996. Em 30 anos, o novo dono da coisa toda saiu do zero e ganhou mais do que o dobro de tamanho da rede que foi adquirida. E isso é o que me impressiona. Fico imaginando os gerentes do Epa conversando quando, pela primeira vez, um deles citou o concorrente. "Nossa! Abriu um novo supermercado perto da minha loja que está incomodando..." Alguém deve ter respondido: "Preocupa não, daqui a pouco fecha. Afinal somos maiores e mais fortes!"

Não tem fórmula mágica. Todo dia, você precisa acordar e começar a nadar, desesperadamente. Porque, se não, vem um tubarão e lhe engole inteiro...

 

06/05/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Nada como uma pesquisa pra lhe apontar aquilo que você sabe e não sabe que sabe.

A SUBA, agência de Marketing de Influência, fez um estudo sobre o torcedor de futebol e encontrou coisas que você está cansado de saber, mas nunca parou pra pensar profundamente: os torcedores de futebol são diferentes. Apesar da obviedade da informação, os resultados apontam detalhes nos tipos de torcedores que só mesmo pesquisando pra descobrir.

A agência separou o Brasil por regiões. E analisou mais de 5.700 vídeos no TikTok, colocando as IA's pra olhar o padrão de comportamento, linguagem e consumo do tema. Os perfis se diferenciaram, como seria de se esperar.

Desde o nordestino, que é técnico, ao sulista, que exala rivalidade, cada região tem um comportamento diverso. A grande questão é quando usar ou não essa diferenciação a favor da marca.

Extrapolando a pesquisa, podemos pensar que o torcedor de cada país tem um comportamento próprio. Isso não impede de grandes marcas, como Budweiser ou Nike, de produzirem grandes campanhas que unam todas as pessoas num mesmo sentimento. Mas serve de alerta para outras, como Itaú ou Vivo, para que usem essa informação para aumentar o resultado de suas mensagens localmente.

Ao mesmo tempo, minha ESPM realiza uma pesquisa e descobre que 10% dos brasileiros nem pensam em torcer somente pra Seleção Canarinha na Copa do Mundo. E quanto mais decepcionado com o time, menor a fidelidade. Numa escala de 1 a 10, 57% dos torcedores que dão nota abaixo de 4 deixaram de ser fanáticos. Até porque 65% sentem menos emoção hoje em dia do que no passado, talvez consequência de um time de figuras pouco conhecidas. Somente um em cada três pesquisados identifica os nomes convocados.

Copa chegando e o sentimento de nacionalismo não está crescendo, apesar do esforço das empresas que patrocinam o evento. Considerando as pesquisas, ou o consumidor mudou ou mudou a Seleção.

De todo jeito, só tenho uma coisa a dizer: "Vai, Braza!"

 

05/05/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Ontem, comentei sobre a divulgação da BYD de que teria se tornado a líder brasileira em vendas de showroom.

Como disse, falta confirmação da Fenabrave, mas mesmo que seja a número um em Varejo, esses dados não consideram as vendas diretas feitas nas lojas. Ou seja, ela chegou ao primeiro lugar de uma parte da história. Falta muito ainda.

Nisso, me lembrei do comercial que nós, na Fiat, fizemos para comemorar o primeiro ano na posição mais alta do pódio. Era janeiro de 2002 e a liderança total, em veículos e comerciais leves, passou a ser da italiana, derrubando um reinado de 42 anos da Volkswagen. A discussão, naquele ano, foi acalorada, pois a alemã divulgou seu número como maior, somando as vendas da Audi. As duas ficaram debatendo qual era o critério para se declarar vencedora até o final do ano, quando a diferença a favor dos italianos aumentou tanto que ficou impossível negar quem estava na frente.

O posto de mais vendido mudou pra Chevrolet, voltou pra Fiat e agora é ameaçado tanto pela VW quanto pela BYD, nas vendas varejo. A alemã vem ciscando essa posição desde março do ano passado, atualmente está à frente da italiana, no acumulado, e nem por isso sai por aí gritando aos quatro cantos sua superioridade.

Toda essa movimentação me lembra um certo empresário que sempre conseguia provar que sua empresa era líder, mesmo não sendo. Era um tal de ser "a primeira em vendas de carros com motores de três válvulas e meia, entre meia noite e uma da manhã". Era até engraçado, pois gerava pauta na imprensa.

Liderança mesmo é isso. Até os marcianos reconhecem...

04/05/2026
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