Um polvo dançando valsa pra dizer que seu "Neue Klass" vai assumir o controle total das reações do automóvel é uma promessa muito forte, num mundo de Waymos e Zooks da vida.
Não pescou? Vou explicar. A montadora está lançando uma "Unidade de Controle Central" que promete ser revolucionária. E, para isso, imaginou o que um polvo seria capaz de fazer se tivesse um único cérebro controlando seus oito tentáculos. Estranhamente, e nem sabia disso, cada um deles tem sistemas nervosos únicos e separados, que reagem ao meio ambiente independentemente, sem coordenação.
Igualzinho aos carros atuais. A suspensão funciona independentemente da direção que tem reações desconsiderando a aceleração e por aí vai. Você, na direção, aprendeu a juntar tudo isso e calcular o que fazer. Agora, o "Heart of Joy" vai fazer isso por você.
No comercial (CLIQUE AQUI), o polvo com um cérebro unindo os tentáculos conseguiria dançar uma valsa, suavemente, elegantemente, e até fugir dos perigos de ser comido por uma moreia. A promessa do vídeo é que o novo sistema, que une todas as partes do carro a quatro computadores, vai coordenar tudo centralmente, deixando a direção mais fácil e divertida.
Tirando a parte da diversão, o carro autônomo faz tudo isso que a #marca está prometendo. E sem precisar do motorista. Não sei você, mas detesto dirigir e preferiria um táxi autônomo na porta da minha casa do que um desses novos modelos na minha garagem. O novo BMW mostra que ainda estamos longe de adotar o totalmente autônomo, seja por questões tecnológicas, seja por questões de hábitos humanos.
Dirigir ainda nos define como pessoas. E o carro "autônomo híbrido" pode significar um novo capítulo nessa luta do rochedo contra o mar, que é o carro do século 20 e essa nova geração que vem vindo por aí.

Fonte da imagem: fotograma do comercial
Aí descubro que ele vale R$ 358 milhões. Jogador de algum time europeu, está na Copa pela Seleção Espanhola e, cada vez que encosta na bola, alguns milhares de dólares entram na sua conta bancária. Por outro lado, o goleiro Vozinha, que virou um fenômeno nas Redes Sociais por conta da CazéTV, também era um completo desconhecido pra mim. Mas esse é baratinho. Vale o mesmo que um Toyota Corollla Cross zero quilômetro. Até dá pra comprar.
Precisei ver as matérias sobre a Copa do Mundo e o preço dos jogadores pra entender que somos mercadorias. Nós, os seres humanos. Tudo, no final, vira dinheiro. E o valor do passe dos jogadores me lembra essa terrível verdade.
Com um espanhol você compra três Vini Júniors, o jogador brasileiro mais valioso. E ainda sobra um troco pra levar uma dezena de Vozinhas pra casa. Ou leva direto mais de 1.500 goleiros do Cabo Verde pro seu plantel. Aliás, se a gente colocar um Yamal jogando contra esses goleiros todos, será que ainda assim ele consegue fazer um gol?
Chego a conclusão se somos carne, algumas vezes de primeira, outras não. As nossas angústias, frustrações, emoções e alegrias viram valor de mercado, o tempo todo. O salário que recebemos, no fundo, também é um jeito de sermos valorizados e comparados. O presidente de uma empresa vale dez, vinte, cem vezes um funcionário de chão de fábrica. Só que a gente se acostumou a pensar nisso como uma troca pelo nosso trabalho e não como etiqueta de preço.
O que me conforta é ver que nossos valores variam de acordo com o lugar onde estamos. O Yamal pode valer muito. Só que, nas figurinhas da Copa, o grande campeão é o Vini Jr. O grande problema é que, nem no álbum, o Vozinha parece ter o valor que merece…

Era uma placa. Uma placa! A CB* chamou na chincha e botou uma notificação extrajudicial. Pegou também no pé da 99, dizendo que o aplicativo de entregas não pode falar a respeito dos seus jogadores. Virou dona do nome Endrik. Aproveitou e botou no mesmo rolo a BYD, que iluminou um número no chão.
Não satisfeita, a C*F foi atrás também do Bradesco, por conta do comercial com a música da Ivete, e do Nubank, que só mostrou sinais de sorte por todos os lados (CLIQUE AQUI). Pura implicância. Não entendi por que a *BF está se preocupando com campanhas tão inocentes...
Foi dada a largada para o concurso do melhor Marketing de Emboscada da Copa do Mundo 2026! Todo mundo tentando tirar uma lasquinha do maior campeonato futebolístico mundial (inclusive eu...). O comportamento da CB* e da Fifa de notificarem todos os não-patrocinadores, de que estão se aproveitando de um evento a que eles não têm direito, é legal. Mas não é "legal".
É legal, porque é defensável por lei. Essas empresas não pagaram pra estar ali. Isso é fácil de entender. Mas não é "legal", porque diminui a Copa ao longo do tempo. Pagou? A empresa fala. Não pagou? Justiça nela. E, aos poucos, vai fazendo o tema ficar menor, restrito aos poucos que botaram dinheiro.
A Copa é o carnaval do Futebol. Está na boca de todos e mexe com a emoção. Mas para isso, precisa ser popular. As conversas paralelas botam lenha na fogueira. *BF está usando um extintor pra controlar o fogo.
Mas tem um ponto positivo no que ela tem feito. Quanto mais proíbe, mais criativas ficam as formas de falar da Copa, sem falar da Copa. No final, está ajudando a voltar ao tempo das grandes campanhas.
Parabéns, C*F!
Afinal, não é só porque ela é uma influencer digital que não pode rodar por aí motorizada. Luiza, preocupada, disse que só se fosse um modelo seguro e, por isso, deu de presente o novo lançamento da Hyundai, o i20.
No primeiro passeio, Lu resolveu fazer uma surpresa e mostrar a novidade pro seu amigo Zé Delivery. Só que a surpresa foi dela, ao encontrá-lo sem barba, pela primeira vez, depois de 10 anos. Ele passou um Prestobarba na cara, pra dar sorte pra Seleção Brasileira na Copa...
Não deve ter sido assim, mas bem que poderia. O que me impressiona nas novas campanhas da montadora coreana e da Gillette é o uso de personagens digitais para inserir seus produtos no dia a dia do consumidor. Nos dois casos, o benefício dos produtos é o herói das histórias.
Lu fez 23 anos e estava na hora de tirar carteira. Tirou e, entre todas as novidades do mercado, comprou um modelo a combustão. Ela é conservadora, como 80% dos compradores de carro brasileiros, que olham pra eletrificação com um misto de curiosidade e medo. Ponto pra Hyundai, que, através da influencer, está falando com um perfil de consumidor que, com certeza, quer novos automóveis, como o i20, com tecnologia embarcada e tudo, mas que não se arrisca em marcas pouco conhecidas.
Gillette tem um desafio pela frente. Como manter a relevância num mundo onde barba na cara é a preferência nacional. Rosto liso já foi maioria absoluta (ou quase). Hoje, quase 90% dos brasileiros têm desde algum tipo de penugem no rosto. Superstição pode ser uma boa pra começar a mudar essa realidade. E, por isso, apostaram na Copa do Mundo.
Zé e Lu são amostras de como o digital tem espaço ainda para crescer na propaganda. Gillette e Hyundai, de como as empresas podem ativar seus produtos sem serem interrupções na vida do consumidor. Pelo contrário, serem parte do que ele quer consumir no dia a dia.
Agora, falta alguém entrar na brincadeira e colocar os dois pra namorar...

O carrinho vem sendo o líder de vendas em concessionárias desde fevereiro e, pelo andar da carruagem, vai fechar mais um mês em primeiro lugar. Lógico que, quando você olha o mercado como um todo, incluindo as vendas diretas das montadoras, o modelo despenca para o oitavo lugar. Ainda assim, estar entre os 10 mais vendidos, sendo chinês e elétrico, é um feito e tanto.
Nos primeiros metros guiando o Mini, paro num sinal e um vendedor ambulante me oferece paçoca. Só balanço o dedo, dizendo que não, e ele, batendo no vidro, grita: "Esse é o futuro!". Tomo um susto, não com o gesto dele, mas com a frase. Se até um baleiro aponta o carro como o que vem por aí, então a revolução dos chineses não tem mais volta.
A marca só me empresta o Dolphin por uma semana. Pouco tempo para realmente senti-lo no meu dia a dia, mas o suficiente para passar a gostar dele. Para ir e vir no dia a dia, ele é uma solução incrível. Faltou 'aquele teste' de ter que carregar um piano de cauda, de São Paulo a Campinas, pra conhecer a sua versatilidade. Não que eu faça isso com todos os meus carros, mas o Mini não é o indicado pra resolver todas as suas necessidades. É quase uma moto com capota.
E essa é uma característica interessante. Sendo elétrico, ele arranca nos sinais tão rápido quanto qualquer motoqueiro kamikaze. O que é um convite para multas e mais multas por excesso de velocidade. Você vai gastar com o Detran o que economiza na Petrobras.
Demoro quase uma semana pra parar de desligar o Mini quando sento no banco de motorista. Explico: sendo elétrico, o motor liga quando você abre a porta do motorista, sem ter que usar a chave, nem clicar em nada. E desliga, quando você, saindo, a tranca. A gente fica se perguntando por que ninguém pensou nisso antes. Mesmo assim, uma dúvida ficou. Se não precisa apertar nada, por que ainda tem um botão no painel?
Devolvo o carro com uma sensação de quero mais. O Bichinho de Marketing se acalma, mas o meu Mal humorado de Plantão me pergunta: O que vai acontecer daqui a alguns anos, quando esses 33 mil carros vendidos este ano voltarem como usados pro mercado? Só pegando o DeLorean do McFly pra descobrir...
