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Por que será que o Mercado Livre resolveu comprar uma farmácia física?

03/09/2025
Postado por: Murilo Moreno

Qual a verdadeira estratégia por trás desse movimento? Isso será um movimento isolado ou um começo de uma série de entradas no mundo offline?

Você viu a história: A maior empresa de hashtag#delivery da América Latina acaba de adquirir uma simples loja em um bairro de periferia de São Paulo. Parece muito pouco pra uma empresa que briga de igual por igual com a Amazon. Tem que ter alguma coisa por trás...

Acontece que esse pequeno movimento fez a RD Saúde perder R$ 2,1 bilhões de valor na Bolsa. Os analistas olham pro movimento como um sinal de que as redes de drogaria começarão a ter um concorrente de peso. E já estão se protegendo de perdas futuras.

A compra ainda precisa ser aprovada pelo CADE. Mas vai ser. Enquanto isso, Meli pode começar a desenvolver seu processo de venda de remédios. Existem várias barreiras que precisa resolver. Por lei, remédios só podem ser vendidos por lojas físicas, em farmácias que tenham um farmacêutico de plantão enquanto estiverem abertas. Se existir vendas online, o site não pode ser de um hashtag#Marketplace, mas exclusivo da drogaria. O que significa que Meli não vai poder usar seus centros de distribuição, nem o fluxo existente na sua página de internet.

Nenhum problema. A farmácia, ou futura rede de farmácias, pode ser transformada em um grupo de pequenos CD's. São Paulo, por exemplo, pode toda ser coberta por essa loja recentemente adquirida. Não precisa ter uma em cada esquina. E no marketplace da Meli pode ter um botão redirecionador pro site da drogaria. Nada que a tecnologia não resolva.

A novidade vai enfrentar concorrentes já bem estabelecidos e com entregas online bem trabalhadas. A RD Saúde, por exemplo, já entrega 96% das sua encomendas virtuais em até uma hora. Sem contar que 67% preferem comprar no site mas retirar na loja. Meli vai ter que trabalhar muito pra mudar esses hábitos.

Se olharmos pro exemplo americano, o trabalho vai ser grande mesmo. Amazon, que entrou nesse mercado em 2018, ainda só possui 1% das vendas totais de remédios nos Isteites. Vale acompanhar pra ver se o destino da DrogaMeli vai ser diferente da sua irmão gêmea...

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Postado por: Murilo Moreno
Eu, que não sou fã de futebol, até semana passada, nunca havia ouvido falar de Lamine Yamal.

Aí descubro que ele vale R$ 358 milhões. Jogador de algum time europeu, está na Copa pela Seleção Espanhola e, cada vez que encosta na bola, alguns milhares de dólares entram na sua conta bancária. Por outro lado, o goleiro Vozinha, que virou um fenômeno nas Redes Sociais por conta da CazéTV, também era um completo desconhecido pra mim. Mas esse é baratinho. Vale o mesmo que um Toyota Corollla Cross zero quilômetro. Até dá pra comprar.

Precisei ver as matérias sobre a Copa do Mundo e o preço dos jogadores pra entender que somos mercadorias. Nós, os seres humanos. Tudo, no final, vira dinheiro. E o valor do passe dos jogadores me lembra essa terrível verdade.

Com um espanhol você compra três Vini Júniors, o jogador brasileiro mais valioso. E ainda sobra um troco pra levar uma dezena de Vozinhas pra casa. Ou leva direto mais de 1.500 goleiros do Cabo Verde pro seu plantel. Aliás, se a gente colocar um Yamal jogando contra esses goleiros todos, será que ainda assim ele consegue fazer um gol?

Chego a conclusão se somos carne, algumas vezes de primeira, outras não. As nossas angústias, frustrações, emoções e alegrias viram valor de mercado, o tempo todo. O salário que recebemos, no fundo, também é um jeito de sermos valorizados e comparados. O presidente de uma empresa vale dez, vinte, cem vezes um funcionário de chão de fábrica. Só que a gente se acostumou a pensar nisso como uma troca pelo nosso trabalho e não como etiqueta de preço.

O que me conforta é ver que nossos valores variam de acordo com o lugar onde estamos. O Yamal pode valer muito. Só que, nas figurinhas da Copa, o grande campeão é o Vini Jr. O grande problema é que, nem no álbum, o Vozinha parece ter o valor que merece…

 

22/06/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Vi o post da Nissan e demorei alguns segundos para entender o crime.

Era uma placa. Uma placa! A CB* chamou na chincha e botou uma notificação extrajudicial. Pegou também no pé da 99, dizendo que o aplicativo de entregas não pode falar a respeito dos seus jogadores. Virou dona do nome Endrik. Aproveitou e botou no mesmo rolo a BYD, que iluminou um número no chão.

Não satisfeita, a C*F foi atrás também do Bradesco, por conta do comercial com a música da Ivete, e do Nubank, que só mostrou sinais de sorte por todos os lados (CLIQUE AQUI). Pura implicância. Não entendi por que a *BF está se preocupando com campanhas tão inocentes...

Foi dada a largada para o concurso do melhor Marketing de Emboscada da Copa do Mundo 2026! Todo mundo tentando tirar uma lasquinha do maior campeonato futebolístico mundial (inclusive eu...). O comportamento da CB* e da Fifa de notificarem todos os não-patrocinadores, de que estão se aproveitando de um evento a que eles não têm direito, é legal. Mas não é "legal".

É legal, porque é defensável por lei. Essas empresas não pagaram pra estar ali. Isso é fácil de entender. Mas não é "legal", porque diminui a Copa ao longo do tempo. Pagou? A empresa fala. Não pagou? Justiça nela. E, aos poucos, vai fazendo o tema ficar menor, restrito aos poucos que botaram dinheiro.

A Copa é o carnaval do Futebol. Está na boca de todos e mexe com a emoção. Mas para isso, precisa ser popular. As conversas paralelas botam lenha na fogueira. *BF está usando um extintor pra controlar o fogo.

Mas tem um ponto positivo no que ela tem feito. Quanto mais proíbe, mais criativas ficam as formas de falar da Copa, sem falar da Copa. No final, está ajudando a voltar ao tempo das grandes campanhas.

Parabéns, C*F!

21/06/2026
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Postado por: Murilo Moreno
A Lu chegou pra sua mãe, a Luiza Helena Trajano, e pediu um carro de presente.

Afinal, não é só porque ela é uma influencer digital que não pode rodar por aí motorizada. Luiza, preocupada, disse que só se fosse um modelo seguro e, por isso, deu de presente o novo lançamento da Hyundai, o i20.

No primeiro passeio, Lu resolveu fazer uma surpresa e mostrar a novidade pro seu amigo Zé Delivery. Só que a surpresa foi dela, ao encontrá-lo sem barba, pela primeira vez, depois de 10 anos. Ele passou um Prestobarba na cara, pra dar sorte pra Seleção Brasileira na Copa...

Não deve ter sido assim, mas bem que poderia. O que me impressiona nas novas campanhas da montadora coreana e da Gillette é o uso de personagens digitais para inserir seus produtos no dia a dia do consumidor. Nos dois casos, o benefício dos produtos é o herói das histórias.

Lu fez 23 anos e estava na hora de tirar carteira. Tirou e, entre todas as novidades do mercado, comprou um modelo a combustão. Ela é conservadora, como 80% dos compradores de carro brasileiros, que olham pra eletrificação com um misto de curiosidade e medo. Ponto pra Hyundai, que, através da influencer, está falando com um perfil de consumidor que, com certeza, quer novos automóveis, como o i20, com tecnologia embarcada e tudo, mas que não se arrisca em marcas pouco conhecidas.

Gillette tem um desafio pela frente. Como manter a relevância num mundo onde barba na cara é a preferência nacional. Rosto liso já foi maioria absoluta (ou quase). Hoje, quase 90% dos brasileiros têm desde algum tipo de penugem no rosto. Superstição pode ser uma boa pra começar a mudar essa realidade. E, por isso, apostaram na Copa do Mundo.

Zé e Lu são amostras de como o digital tem espaço ainda para crescer na propaganda. Gillette e Hyundai, de como as empresas podem ativar seus produtos sem serem interrupções na vida do consumidor. Pelo contrário, serem parte do que ele quer consumir no dia a dia.

Agora, falta alguém entrar na brincadeira e colocar os dois pra namorar...

 

20/06/2026
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Postado por: Murilo Moreno
O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim não se quietou enquanto não consegui testar um BYD Dolphin Mini.

O carrinho vem sendo o líder de vendas em concessionárias desde fevereiro e, pelo andar da carruagem, vai fechar mais um mês em primeiro lugar. Lógico que, quando você olha o mercado como um todo, incluindo as vendas diretas das montadoras, o modelo despenca para o oitavo lugar. Ainda assim, estar entre os 10 mais vendidos, sendo chinês e elétrico, é um feito e tanto.

Nos primeiros metros guiando o Mini, paro num sinal e um vendedor ambulante me oferece paçoca. Só balanço o dedo, dizendo que não, e ele, batendo no vidro, grita: "Esse é o futuro!". Tomo um susto, não com o gesto dele, mas com a frase. Se até um baleiro aponta o carro como o que vem por aí, então a revolução dos chineses não tem mais volta.

A marca só me empresta o Dolphin por uma semana. Pouco tempo para realmente senti-lo no meu dia a dia, mas o suficiente para passar a gostar dele. Para ir e vir no dia a dia, ele é uma solução incrível. Faltou 'aquele teste' de ter que carregar um piano de cauda, de São Paulo a Campinas, pra conhecer a sua versatilidade. Não que eu faça isso com todos os meus carros, mas o Mini não é o indicado pra resolver todas as suas necessidades. É quase uma moto com capota.

E essa é uma característica interessante. Sendo elétrico, ele arranca nos sinais tão rápido quanto qualquer motoqueiro kamikaze. O que é um convite para multas e mais multas por excesso de velocidade. Você vai gastar com o Detran o que economiza na Petrobras.

Demoro quase uma semana pra parar de desligar o Mini quando sento no banco de motorista. Explico: sendo elétrico, o motor liga quando você abre a porta do motorista, sem ter que usar a chave, nem clicar em nada. E desliga, quando você, saindo, a tranca. A gente fica se perguntando por que ninguém pensou nisso antes. Mesmo assim, uma dúvida ficou. Se não precisa apertar nada, por que ainda tem um botão no painel?

Devolvo o carro com uma sensação de quero mais. O Bichinho de Marketing se acalma, mas o meu Mal humorado de Plantão me pergunta: O que vai acontecer daqui a alguns anos, quando esses 33 mil carros vendidos este ano voltarem como usados pro mercado? Só pegando o DeLorean do McFly pra descobrir...

 

19/06/2026
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