Agora foi a vez da Leap Motor e da MG. Uma lançou sua primeira campanha publicitária. A outra começou a abrir suas lojas. Só de olhar pros seus sites já dá pra ver quem tem mais dinheiro pra investir em Terra Brasilis.
Interessante ver o posicionamento da Leapmotor, que vem pelas mãos da Stellantis. Alessandra Souza, a VP de marketing, falou pra Meio e Mensagem que “Tecnologia por tecnologia, todo mundo, em algum momento, se iguala”. Então, toca pra humanizar a marca. “Não é sobre tecnologia, é sobre pessoas”.
E como diria o ex-ministro Magri, o que é mais humano do que um cachorro? Comercial mostra carro e cachorro, carro e cachorro. É até difícil perceber quem está dirigindo. E, sutilmente, a língua do cão significa que o Lipmotor vai mais longe, mesmo sendo um modelo híbrido. Pelo menos, o comercial saiu do mesmo blablablá de todas as outras chinesas.
No mesmo final de semana, a MG abre sua primeira loja em São Paulo. A marca pertence a SAIC, uma das maiores montadoras chineses, mas chega timidamente no Brasil. Parece que está intimidada por quem chegou primeiro, BYD e GWM.
Pra quem não sabe, ou não se lembra, MG era uma marca britânica, super conceituada, que foi comprada pelos chineses. Eles reinventaram a marca e a transformaram na sua ponta de lança internacional. No México, já são bem fortes, sendo fácil de achá-los em todas as esquinas.
De todo modo, essa nova onda é uma marola, se formos pensar que dia 21 abre o novo Salão do Automóvel, em São Paulo. Se tem uma palavra para definir o evento, ela é chinesificação. Vai ter mais marca da China do que de qualquer outro país do mundo.
Já estou pronto para ver todas as placas de sinalização em mandarim…

Virou novelinha, no perfil do CEO, o Jerome Cadier. A compra das aeronaves foi comemorada no final do ano passado e, em um pouco mais de 12 meses, 14 charutos voadores começam a ligar cidades menores, no que a empresa chama de "mercado doméstico".
Uma das rotas anunciadas é Curitiba a Londrina. Parece nova, mas não é. É o retorno, já que nos anos de 1990 a companhia aérea fazia o trecho com os antigos Fokker 27 da TAM. Eram os primeiros turbo-hélices da empresa, leeeeeentos, barulhentos, mas que ainda assim chegavam mais rápido do que qualquer Airbus ou Boeing que a Latam usa atualmente. Mágica? Não. Quem quer ir, hoje, de uma cidade a outra, precisa fazer uma pequena parada em Guarulhos, o que faz uma viagem de pouco mais de uma hora virar um inferno de quase quatro. Ou voar pelo Embraer da concorrente Azul, nuns horários meio estranhos.
A Latam surgiu como uma empresa de monomotores, na época do Comandante Rolim. Cresceu e foi trocando seus aviões por modelos maiores, até que chegou nos Airbus. Com mais de 150 lugares, voar de uma cidade média pra uma pequena dá prejuízo. Aí, toca de cortar trechos menores, obrigando os passageiros a torturas aéreas. Só que sempre alguém entra na cola da grande empresa que abandonou seus clientes. E a Azul cresceu aí. Com seus 195-E2 indo pra locais esquecidos.
Mais do que só os novos aviões, fico maravilhado com o storytelling da Latam nos perfis de seus principais executivos. Fora o Cadier, o CEO mundial, Roberto Alvo, também está contando a aventura de colocar um novo tipo de avião pra voar. Não é como uma frota de ônibus, onde você troca a marca do fabricante, mas os motoristas permanecem os mesmos. Fico pensando se Santos Dumont, quando inventou o "mais pesado do que o ar", já imaginava como ia ser complicado pilotar diferentes tipos de aparelhos.
A empresa contratou 51 novos pilotos e copilotos especialistas em levantar e pousar o 195-E2 e vai precisar de mais. Desta vez, está recebendo 14 dos 24 aviões que já encomendou, mas tem mais 50 na lista de espera. Vai contratar mais uns cem, no mínimo. A Latam já chegou a oferecer 160 mil reais de bônus pra quem resolvesse trocar de bandeira. Ou tem uma plantação de pilotos ali em São José dos Campos, ou vai ter briga de foice no escuro com os funcionários da concorrente.
Já dá pra comprar as passagens dessa novidade. Mas até colocar os pés dentro do Embraer da Latam ainda falta um pouquinho. Só em novembro. Aí, visitar Londrina vai ficar mais rápido.

Eles sabem tirar cada tostão que seus personagens podem gerar criando mundos mágicos que se iniciam nos filmes e desenhos animados que a empresa produz.
Mas os desenhos se repetem, os filmes viram sagas enormes. Isso parece ser contraditório. "Mais um Toy Story?", "Outro Homem-Aranha?" A gente pensa que a nova versão da velha história vai fracassar e, aí, vem mais um sucesso de bilheteria. Onde está a magia?
Enquanto pensamos filme, Disney pensa jornada. Você olha pro cinema, ela olha pros seus momentos de lazer. Dessa forma, ela consegue mexer no seu bolso não só na sala escura, mas em todos os possíveis momentos da sua vida.
Claro reflexo desse jeito de pensar é o que o Licensing representa pra ela. Representando cinco por cento do faturamento, o uso dos personagens por outras empresas (aquela camiseta do Mickey, a espada de Star Wars, a miniatura no Mequi) é responsável por 18% do lucro. Disney faz um esforço enorme pra recontar as aventuras de seus personagens pra depois lucrar autorizando seus parceiros a colocar o dinheiro deles nas suas ideias. Lógico que ninguém é bobo. Um brinquedo com o xerife Wood vende mais rápido e mais caro do que o bonequinho do delegado Murilo. Simples assim.
Falo disso em mais um vídeo do meu canal do Youtube. No fundo, é só mais uma desculpa para tentar entender por que a gente acha que está vendo um desenho, enquanto a Disney inteira está organizando o próximo jeito virar sócia do nosso bolso.Clique aqui e conheça mais desse meu mundo de marketing e comportamento do consumidor.
Abro a caixa postal do meu Gmail e vejo um email marketing com o título "Você foi selecionado para testar uma novidade..." É da empresa de TAG que uso, aquele pedacinho de plástico que você coloca no parabrisa do seu carro e que, magicamente, faz a cancela dos pedágios se abrir. O convite é para testar o Free Flow na minha moto, com taxas reduzidas. Ótima ideia, pois com o serviço, o pagamento vai automático pra minha conta. Só que eu não tenho moto...
Um dos maiores medos que tenho é de andar de moto. Apesar de amar bicicleta, tenho pavor só em pensar em subir numa duas rodas à combustão. É irracional, eu sei, mas é verdade. Então me chamou a atenção a palavra "selecionado" no título do email. Claramente, esse profissional de CRM, da empresa que me mandou, não entende muito do assunto.
Do lado de lá, ele não tem como saber se tenho moto ou não, pois não existe TAG para elas. O risco é o sensor não ler o plástico, a cancela não se abrir e o motoqueiro se esburrachar no chão. Com o Free Flow, os donos desses canhões de duas rodas irão economizar tempo nas estradas.
Mas daí a me dizer que fui escolhido tem uma distância enorme. O texto é tão mal feito que num certo momento diz "se você tiver uma moto..." Peraí! Não fui escolhido? Tá com cara de que 100% das pessoas foram selecionadas. Talvez um pequeno corte no tipo de carro cadastrado. De todo jeito, preguiçoso, pois cria uma chamada que depois cai por terra.
Meu Mal Humorado de Plantão ficou pensando quanto trabalho é feito no automático por gente vendendo automação. A pessoa chega pra trabalhar, precisa anunciar uma novidade, faz uma chamada que gera uma ideia de que "você é especial para nós, por isso, aí vai uma oferta" e depois mata o clima, confessando que não sabe se você é ou não é a pessoa certa. Num mundo cada vez mais personalizado, essa empresa mostrou que sou só mais um pedaço de carne que paga pedágio. Bota mau humor nisso!
O engraçado é que o título podia ser direto e ainda assim trazer o resultado esperado. Algo tipo "Você tem moto e está cansado de parar em pedágio nas estradas?" Depois as empresas reclamam que email marketing dá baixo resultado...

Sir Jony Ive coleciona a criação de produtos que geram rejeição de poderosos das indústrias concorrentes, mas que calam a boca dos críticos em pouco tempo.
Ele criou o primeiro celular da Apple, em 2007. O presidente da Microsoft, Steve Balmer, falou na época que “Não há nenhuma chance de o iPhone conquistar uma participação significativa de mercado. Nenhuma chance.” Pagou a língua. Agora, Ive criou a primeira Ferrari elétrica, a Luce. Novamente ouviu críticas, dessa vez do ex-presidente da montadora, o famoso Luca di Montezemolo, que disse que a empresa "corria o risco de destruir uma lenda". Vendeu em menos de um mês todo o volume planejado de um ano.
Toque de midas? Sorte? Não, talvez um profissional que não se acomoda na primeira boa solução que encontra e que trabalha para empresas que buscam romper com o status quo, o "mais do mesmo". No caso do iPhone, pode ser que ele tenha sido a pessoa ousada que Steve Jobs precisava para colocar no papel as ideias que tinha na cabeça. Mas, no da Ferrari, ele já não precisava provar seu valor, só vender sua visão fora da caixa pros executivos da montadora.
A Decca Records rejeitou os Beatles, dizendo que “Não gostamos do som deles. Grupos de guitarristas estão saindo de moda.” A Western Union, empresa de telégrafo que já foi grande, recusou-se a comprar a patente do telefone fixo do Alexander Graham Bell por uma ninharia porque achava que ele tinha "deficiências demais para ser seriamente considerado como meio de comunicação". Cadê a Kodak, empresa de filmes de fotografia que inventou e escondeu a máquina de fotografia digital? Como elas, o mundo está cheio de exemplos de pessoas e empresas que descartam ideias revolucionárias por não entender onde elas podem chegar.
Ainda bem que temos loucos como Sir Ive, Paul McCartney e Graham Bell. Eles vivem nos tirando da zona de conforto e mostrando que o mundo pode ser diferente. Que nem todo mundo precisa gostar do preto. Podem gostar do vermelho, rosa, roxo, amarelo. A grande questão é que, com o tempo, suas ideias passam a ser o novo preto, dominam o mercado. Aí precisa chegar um novo doido, pra mexer, mais uma vez, com nossas crenças e hábitos.
A nova Ferrari, parece, é um sucesso, apesar da opinião do Luca. Graças a Deus! O mundo continua indo em frente.
