Parece estranho essa frase, mas é uma realidade. Acabaram de sair os dados referentes ao desemprego no país e chegamos no mais baixo patamar desde 2012, desde que começou a ser medido: 5,1%. Significa dizer que, do total de pessoas que se propõem a trabalhar, só uma em cada 100 não encontra emprego.
Não vou entrar em discussões políticas, de Bolsa Família, de empregos informais, sem carteira assinada, nem nenhum outro ponto. A realidade é que temos 103 milhões de pessoas trabalhando, o que significa 59% das pessoas em idade para trabalhar. Tem estados, como o Mato Grosso, com 2,2%, e Santa Catarina, com 2,3% de desemprego, onde é mais fácil encontrar um anúncio de "Estamos Contratando" do que gente disponível pra ocupar as vagas.
Ao mesmo tempo, estudos da FGV mostram que a produtividade do brasileiro, nesses mesmos 14 anos, subiu menos de 10%. Ou seja, com toda a tecnologia, internet, IA e automações, o brasileiro continua produzindo o mesmo tanto que produzia em 2012. Esse é um problema que só educação consegue resolver.
Nem precisava de pesquisas e estudos pra saber disso. A maior reclamação dos clientes de minha consultoria, hoje em dia, é a dificuldade de contratar gente boa. Contratar e reter, pois os melhores vivem sendo abordados pelos concorrentes. É um jogo de rouba-montes. Eu roubo seu funcionário e você pega outro empregado meu de volta. Resultado final? Todo mundo perde.
O mais interessante é que no meio desse quadro todo, me chama atenção o estudo da consultoria AUDDAS, que cruzou os dados de 335 empresas e chegou à triste constatação de que o RH é deixado de lado nas empresas. Existem muitos executivos preocupados com o tema, que é a principal dor relatada, mas, na prática, as questões comerciais e financeiras acabam tomando todo o tempo e foco do alto escalão.
Receita certa para o caos. De um lado, faltam profissionais e a produtividade não aumenta. Do outro, os departamentos de RH, principalmente em pequenas e médias empresas, continuam a funcionar como DP e não ocupam seus papéis estratégicos, como deveriam. Nesse ritmo, vamos ter um apagão de mão de obra brevemente. Isso se já não estivermos no meio dele.
Realmente, crescer não é fácil...

Agora é a vez da FCBBrasil e da MullenLowe sumirem e darem espaço para o aparecimento da Drum. Nem tem um mês que a LewLara e a DM9 foram substituídas pela Lola.
Já falei aqui sobre isso ser uma consequência da mega fusão entre a IPG e a Omnicom. Mega fusão não... na verdade, a compra da primeira pela segunda. A nova líder mundial do mercado publicitário saiu simplificando as marcas e matando agências, principalmente as da adquirida.
Teoricamente, esse não é um problema. O que faz o sucesso de uma agência é o capital humano, as pessoas. Que, como dizia Thomas Watson Jr, fundador da IBM, vão embora todos os dias para casa e precisam de um incentivo pra voltar no outro dia. A gente viu o que a falta dessa motivação faz... Os funcionários da DM9 saíram num dia pra nunca mais voltar. Foram montar uma nova agência. Mudaram o prédio, os computadores, as mesas, mas ficaram as pessoas e os clientes. Num novo endereço.
Significa que o que fez o sucesso das duas agências que acabam de morrer continua lá, intacto, a serviço dos seus clientes. Mas isso não deixa o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim mais satisfeito. Pelo contrário.
O que tenho sentido é que nós, publicitários, podemos ser definidos pelo ditado "Faça o que eu digo, não o que eu faço". Como discurso, estamos sempre dizendo que a coisa mais importante nas empresas é a marca. Que ela não se constrói de um dia para o outro. Que consistência é importante. E blá-blá-blá. Ai, de um dia pra outro, matamos marcas centenárias e lançamos novos nomes que serão a 'mudança', a 'inovação', a 'solução' para os problemas dos clientes.
Caíram Ogilvy, Thompson, Young&Rubicon, JW Thompson, Leo Burnett... todas foram substituídas por novas versões delas mesmas. Não sou saudosista. Só queria entender...

Quem é das quatro rodas conhece o canal criado pelo Ricardo Bacellar, MSc, MBA que, durante mais de 20 anos, comandou a área dirigida ao mercado automotivo na consultoria KPMG. Foi só colocar no ar e o programa virou um sucesso de audiência e engajamento.
O Papo reúne, quinzenalmente, um grupo de executivos para analisar todos os aspectos que fazem essa indústria ser responsável por mais de 20% do PIB Industrial brasileiro. Desde o que está acontecendo com as vendas de carros zero e usados, até o mercado de peças e de locação. No meio de feras como o Milad Kalume Neto, da Klume Consultoria, a Ana Renata Paes Barreto, da Cox Automotive, o Paulo Miguel Jr, da ABLA, o Marcelo Cyrino, da Fenabrave, e o Enilson Espínola Sales, da Fenauto, meu papel será comentar a respeito dos comportamentos do hashtag#consumidor quando o tema é automóvel.
Como amo dizer, de racional o ser humano não tem nada. E quando se trata de decifrar os motivos que alguém escolhe o modelo A ou B, é quase impossível entender o que move as pessoas. Mas a gente tenta... e você vai ser parte fundamental nessa tentativa, comentando, curtindo e participando de Papo.
Papo de Garagem estreia sua terceira temporada nesta quinta, às 18:00h. Novos quadros, novos conteúdos.
Acesse agora (CLIQUE AQUI) e já ative o sininho pra ser notificado de cada um dos novos episódios.

Outback está apostando que pode ser a opção ideal pra quem já se cansou de pão na chapa na padaria da esquina. Achou estranho? Também acho. E por isso pode ser um sucesso.
Explico melhor. A rede de restaurantes começou no último sábado a fornecer aquelas refeições matinais americanas, com muita panqueca, bacon e omelete. Não faltam café com marshmellow e caldas doces, a la Isteites. Vai dar pra matar a saudades de lugares como o IHop e o Dennys e se sentir num filme americano, daqueles em que o vilão entra dando tiro em todo mundo que está bebendo calmamente seu café.
Por enquanto é só um teste de três meses...em dois endereços apenas. Um na Barra, no Rio, outro na Vila Madalena, em São Paulo. Ambos de rua e só nos finais de semana e feriados. Pra quem tem 187 restaurantes em 21 estados, parece muito pouco. Mas pra fazer uma experiência, é mais do que o suficiente.
Desde que a matriz americana passou por uma crise e precisou vender a filial brasileira, adquirida pela Vinci Partners - Fundos de Investimento, Outback parecia quieta, como se estivesse tentando simplesmente viver. Ou sobreviver. Agora deu pra entender o que os novos donos querem: Fazer mais dinheiro com o menor investimento possível. Entrar num novo mercado, oferecendo um novo tipo de refeição, é uma boa forma de ganhar mais com pouco investimento. O restaurante está lá, os equipamentos já existem. Só falta aumentar o horário de funcionamento e rearranjar a escala de trabalho dos funcionários.
Se der tudo certo, não é difícil imaginar essa onda se espalhando lentamente por Terra Brasilis e até sendo copiada por padarias e outras franquias de restaurantes. Se der errado, o teste morre sem muito barulho.
O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim já colocou na agenda de irmos experimentar a novidade. É um jeito barato de se sentir em Miami...

Sempre que considero isso, acabo desanimando porque me lembro que teria que aprovar a instalação de um carregador na garagem do meu prédio. Minhas poucas experiências testando modelos que necessitam de uma tomada pra se reabastecer geraram, no mínimo, imensas brigas internas. O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim adorou, mas o meu Mal Humorado de Plantão reclamou o tempo todo.
Acontece que o silêncio e a tecnologia do elétrico são de apaixonar. Mas viver ansioso por achar um ponto de recarga livre, em shoppings e prédios comerciais, é um sentimento que tira qualquer um do sério.
Agora, o Governo de São Paulo dá um passo em favor de facilitar a vida dos donos dos eletrificados do estado. Semana passada, foi aprovada uma lei que garante a qualquer um, morador de prédio, instalar um carregador pra chamar de seu, sem que o condomínio possa dizer que não é permitido. Lógico que o interessado tem que cumprir todas as leis, como regras dos bombeiros, ser instalado por eletricista autorizado, arcar com todos os custos...
Mesmo assim, a vida ficou mais fácil, pois a assembleia do prédio não pode simplesmente proibir. Na prática, o veto pode continuar acontecendo, mas o interessado entra na justiça com a lei a seu favor. Teoricamente, fica tudo mais fácil.
São Paulo, que tem a maior frota eletrificada de Terra Brasilis, dá um passo em direção de organizar a bagunça. Já, inclusive, definiu como deverão se comportar os novos prédios a serem construídos. Bem provável que seja seguido por todo o resto do país.
Neste momento em que os elétricos perdem força nos Isteites, pois o presidente do cabelo de fogo cortou os subsídios, que os Europeus tentam barrar os chineses, exigindo alto índice de nacionalização, essa facilitação deve aumentar o apetite dos orientais em ganhar mercado no Brasil. Se já estamos sendo invadidos pelos eletrificados das novas montadoras, o risco é esse movimento ficar ainda mais forte.
A lei é nova demais para sabermos o que vai acontecer. Mas meu Bichinho correu prá falar comigo, tentando me convencer que a hora é agora. Considerando as leis, no Brasil, daqui a pouco muda tudo e ai já viu, né...
