O convite partiu do Rogério Louro, diretor de comunicação da Nissan, depois dele ler minha avaliação do VW Tera. Mais do que depressa, topei.
Falar da japonesa pra mim é difícil, pois trabalhei por lá durante quase cinco anos, quando, meus colegas e eu, levamos a montadora do 12º para o 6º lugar em vendas. Bastou uma canetada nas leis para ela despencar, pressionada pelos novos impostos, criados para parar marcas como Jac e Nissan.
O engraçado é que o mundo automotivo parece ser cíclico e estamos vendo, agora, novas discussões sobre como segurar a invasão chinesa. Na semana passada, quase que ao mesmo tempo, BYD e Stellantis colocaram mais lenha na fogueira dessa discussão. O VP da chinesa, Alexandre Baldy, chamou a atenção para a tomada da liderança por sua empresa, quando se consideram somente as vendas no show room. À frente da VW e da Fiat.
Coincidentemente, Antonio Filosa, CEO mundial da Stellantis, falou pra imprensa sobre a necessidade de se criar "mecanismos de equalização" frente às chinesas, para se manter a competitividade das montadoras tradicionais. Convocou o Governo brasileiro para o baile, quando cita que o sucesso vermelho é resultado de um planejamento "Governo + Montadoras", feito há 20 anos.
Chineses pra todo lado, tradicionais brigando pra manter mercado... e eu, rodando de Kicks pelas ruas de São Paulo.
Lógico que vou falar do motor daqui a alguns dias, mas já deu pra perceber que a tecnologia vai acabar me convencendo. Só digo o seguinte: Todo mundo que olha, se espanta com a beleza do carro. Com seu desenho quadradão, parece ser maior e mais imponente do que é. E diversas pessoas me pararam pra perguntar que carro era. No meio de tanta marca e modelo novo na rua, Nissan tem que fazer um esforço monstruoso pra ser notada.
O mercado está em ebulição e eu testando o Kicks. Nada poderia deixar mais feliz o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim..

Entrei no Shopping Cidade São Paulo procurando uma Kalunga e vi a bagunça que o excesso de pessoas querendo provar os sorvetes e chás gelados da nova marca estava provocando.
Não se passaram nem onze meses entre prometerem pro Lula que iriam vir pra Terra Brasilis e começarem a vender seus sorvetes a três reais. Dizem que vão investir U$ 3,2 bilhões de dólares por aqui. E que vão ter mais de 20 mil empregados até 2030. Só pra 2026, estão falando de abrir entre 60 e 100 lojas. Para conseguir bater a meta, precisam abrir uma loja a cada dois dias e meio. Pelo jeito, vão ser mais rápidos do que a Oxxo.
Mixue já é maior do que McDonalds, no mundo. Mas é pouco multinacional, pois das 47 mil lojas que possui, 90% estão na China. Se compararmos com a americana, que tem somente três de cada dez nos Isteites, dá pra imaginar que a chinesa ainda tem muito para crescer. Vamos todos tomar chá e raspadinhas no futuro...
Mequi sentiu o golpe e baixou rapidamente o preço do seu sorvete. De R$ 4,50, ele agora custa os mesmos três reais que o Mixue, dentro do mesmo shopping. As lojas estão quase uma em frente à outra. O interessante é que o valor é o mesmo pro sabor baunilha e chocolate. No caso da nova empresa, o chocolate custa cinco reais. Então, o preço mais baixo é de quem?
A briga está só começando, mas já deu pra perceber que não é só no mercado de carros que os chineses têm pressa. Se a Mixue for bem, deveremos tr uma invasão de franquias chinesas nos próximos anos. Só pra lembrar, na China existem 660 mil lojas de bebidas ao estilo da Mixue, conforme a consultoria China Insights. Vamos ser todos brasileiros gordos...mas felizes...
Agora é entrar na fila e experimentar a novidade...

Nubank irá substituir a Allianz na fachada do estádio do Palmeiras, em São Paulo. E isso é coisa de gente grande. Primeiro, porque o valor do patrocínio anual vai quase dobrar, pulando de R$ 27 milhões para R$ 50 milhões. Segundo, porque a seguradora termina seu apoio seis anos antes, com direito a receber multa e tudo.
Foi pouco falado, mas acho que a Allianz respira aliviada. Desde que começou a patrocinar, sua participação de mercado caiu de 3,93% para 3,37%, mesmo com toda a visibilidade que o estádio dá. Colocar a culpa no Naming Right é sacanagem, pois tem tudo em volta, como preço, equipe de vendas e todo o resto do composto de marketing. Mas, livre da âncora da obrigação de colocar os 27 milhões só no estádio, vai sobrar dinheiro pra tentar reverter a queda.
Do lado do Nubank, tudo são flores. Vai estampar a marca no principal estádio em Terra Brasilis, até 2044, quando se fala de shows musicais. Esqueça Rock In Rio ou Lollapalooza. Somado os dois grandes eventos, em 2024, eles quase empatam em público com os 33 shows anuais do Allianz Parque (ops... um deslize... o nome vai mudar), tudo na casa de milhão de pessoas. Mas têm a vantagem de serem espalhados durante todo o ano, aumentando a presença da marca.
Aliás, essa é uma briga boa de se ver, qual dos bancos atinge maior público em shows. Em primeiro lugar, vem o Santander, com o show da Lady Gaga, 2 milhões nas areias de Copacabana. Depois entra o Nubank com seus futuros shows no Palmeiras, 1,3 milhão. Em terceiro, chega o Itaú e seus 800 mil pulantes adolescentes no Rock In Rio. Por último, o Bradesco, com os quase 300 mil excitados jovens do Lollapalooza. Quem converte mais novos clientes com esses patrocínios? Não sei. Só sei que Itaú continua líder em resultados financeiros.
Pra ativar o patrocínio, o banco já colocou comercial no Youtube e criou uma campanha pra escolha do nome do futuro espaço. Tem Nubank Parque, Nubank Arena e Parque Nubank. Eu já votei, por aquele que é mais gostoso de falar: Nubencarena. Coisa de mineiro, essa de juntar as palavras...
Em casa? No trabalho? Como um assistente, ou como um amigo? A própria IA responde isso. Quer dizer, alguns funcionários da empresa. No final do ano passado, sete pesquisadores da empresa fizeram um estudo comparando o perfil de quem usava nos primeiros momentos, com o que acontece hoje em dia. As conclusões? ChatGPT tem se tornado mais feminino e menos trabalho.
Se no início os homens eram grande maioria e chegavam a 80%, agora as mulheres dominam com 52%. A idade também chama a atenção. Cada vez mais velha, mas ainda predominantemente abaixo dos 26 anos.
Coincidentemente, ou por causa disso, o uso vem mudando. 73% das vezes que as pessoas buscam a ferramenta é para temas diversos, menos trabalho. Cresce pesquisa, diminuindo o poder do Google, os usuários procuram reescrever ou melhorar textos já escritos, e não escrever desde o zero, diferentemente do que se acreditava, e a tão temida substituição do ser humano parece ser, cada vez mais, uma ameaça menos presente. O nível de educação também infuencia. Mais educação, mais trabalho. Mas buscando um conselheiro, para ajudar nas decisões. Não um funcionário artificial.
O que tudo isso mostra é que o monstro chamado Inteligência Artificial está sendo, aos poucos, domado. O inimigo artificial, que ia tomar o emprego de todos, agora tem se tornado o amiguinho que quebra os galhos pra cada um de nós. Estamos nos adaptando à novidade, como um dia nos acostumamos à internet.
Talvez o grande problema seja sempre o medo irracional do novo, que sempre temos. Atrai, mas assusta. Depois entra no cotidiano e, quando a gente menos percebe, passa a ser parte das nossas vidas.
O estudo mostra que estamos quase maduros no uso da IA. Agora é esperar a revolução que os robôs vão causar nas nossas vidas...

O INPI, decidiu a favor do pedido da ASC Brands de que as duas fossem declaradas livres para voar para outros destinos. Pelo jeito, os advogados da multinacional vão ter muito trabalho ainda, pra tentar reverter, mas me parece que o caso é irreversível.
O que me chamou atenção nesse caso é como as empresas são muito diferentes em suas estratégias de gestão de Marca. É só lembrar de outros exemplos, como Modess e Kolynos.
Modess foi o primeiro absorvente feminino em Terra Brasilis. Lançado em 1933, virou sinônimo de categoria, e sobreviveu até ser substituído por Sempre Livre e OB nas vendas da fabricante Johnson & Johnson, em 2008. Em 2019, aEvergreen pediu caducidade do registro, a antiga dona nem se importou e a empresa ganhou a marca de presente. Relançou em 2023 e todos foram felizes para sempre.
Colgate comprou Kolynos em 1995. Como a soma das duas virava um monopólio, o Cade decretou que era necessário ou se tirar a marca do ar por quatro anos ou se vender só o nome. A solução adotada foi sair de circulação, mudando para Sorriso e mantendo fórmula e sabor. Era pra ser quatro, viraram quase 30 anos de sumiço. Pra não dizer que desapareceu completamente, nesses anos todos ela continuou existindo como escova de dentes Kolynos. A pasta sumiu, mas a marca foi preservada em uso, até ser relançada em 2025.
No caso dos clicletes, Mondelez protestou, dizendo que é um abuso de direito e que ASC quer "colher onde não plantou" e que "irá colher frutos de plantação e investimentos alheios". Vai mesmo. Só que o problema não é a a nova dona se beneficiar dos antigos investimentos da multinacional. É a multinacional ter hesitado e deixado Ploc e Ping Pong livres no mundo. Ao pé da letra, vacilo total...
Construir marcas é uma arte. Destruí-las é um descuido. Mas fazer a gestão da carteira, pra não perdê-las pra concorrência, é trabalho de formiguinha. Um pouquinho, cada dia. Ping Pong e Ploc sumiram em 2015. Parece que agora vão renascer das cinzas.
