Jatahy e Alexandre 'tão brigando... virou até ação judicial!" "E o Regis? Até hoje, vive no pé do Victor..." Pra mim, as notícias sobre empresas dos sites econômicos viraram colunas de fofocas.
Explico melhor: O Roberto Jatahy entrou com uma ação contra seu sócio Alexandre Birman, no Grupo Azzas 2154, pra impedir que a Reserva saia do seu controle. Acontece que Birman, o CEO do grupo, resolveu que a marca deveria, internamente, mudar de dono. Sair da divisão de vestuários femininos, comandada pelo Roberto, e passar a ser parte da área das marcas liderada pela Hering. O estranho da situação é um problema interno crescer tanto que vira uma briga na Justiça.
No mesmo dia, o Grupo TOKY, dono das marcas TokStok e Mobly, entrou em recuperação judicial, devido a uma dívida de mais de bilhão de reais. As ações caíram mais de 40% e a empresa passou a valer meros R$ 39 milhões. Numa conta simples, a empresa deve 28 vezes o que ela vale. Tem que ir para RJ mesmo. No meio desse problema todo, a família Dubrule, fundadora da TokStok, vive às turras com os criadores da Mobly, tentando reaver o controle.
No fundo, as duas histórias tem os mesmos ingredientes. Grupos se fundem e o choque de cultura empresarial gera problemas entre os times, principalmente em quem tem o poder de decidir o futuro.
Repito sempre pros clientes da minha consultoria: toda empresa seria uma empresa de sucesso se não fossem as pessoas. A mesma coisa que faz o sucesso de uma, é o motivo do fracasso de outra, a diversidade de pensamento. A capacidade de se chegar a um consenso e perseguir o mesmo objetivo é que cria marcas valiosas.
Os sites vão continuar cheios de exemplos de sucessos e fracassos humanos. Cabe a nós aprender com a experiência dos outros. É mais barato e conserva os dentes.

"Vem aí o Dolphin Killer". A referência é ao modelo de entrada, o elétrico EX2, que, no ano passado, vendeu três vezes mais do que o carro da BYD. 465 mil versus 160. Isso lá na distante China.
Na verdade, a montadora não chegou ao Brasil. Ela simplesmente voltou, já que entre 2014 e 2016 conseguiu a façanha de só vender pouco mais de mil carros em nosso mercado. Coitado dos que acreditaram e compraram a marca. Agora, em um único mês da nova operação, Geely vendeu quase quatro vezes mais. Foram mais de 3.600 unidades emplacadas em abril. E já andou dando rasteiras no concorrente, que mal chegou aos 2.800 carros no mesmo período.
O apelido vem do outro lado do mundo. As duas montadoras se degladiam nas ruas, brigando por um mercado cada vez mais competitivo. BYD é uma empresa de uma marca só. Geely tem várias, como Zeekr, Polistar e Volvo, a antiga sueca que foi engolida. Mas a grande briga está no modelo de entrada, onde BYD sofre para chegar perto. Cliente entra, vê o Mini e abandona a versão maior. Pelo menos, em maio, parece que houve reação. 1.300 Dolphin x 930 EX2. Por enquanto...
Tenho dó da BYD. Enquanto ela mira ganhar mercado da Fiat e da Volks, pra virar a líder, todos os concorrentes chineses miram suas costas, pra roubar um pouco de market share. Quem comprou um carro da marca já perdeu o medo do novo, testou a qualidade que vem daquele país e é mais fácil de migrar pra outra montadora, desde que os argumentos financeiros sejam bons. Então, são todas contra uma. Haja vigor físico pra luta!
Considerando o número de navios que está chegando com carros e mais carros para serem nacionalizados antes do novo imposto, o segundo semestre deste ano vai ser um banho de sangue. A pergunta que fica é: quem vai piscar antes e desistir do mercado brasileiro?

Entro no elevador num desses condomínios imensos que têm mercadinho e vejo o cartaz preso na parede: "Está em andamento a promoção da Coca Cola com figurinhas da Copa (...) Pedimos que os produtos não sejam violados antes da compra". Pronto. A nova febre já começou a gerar confusão. As crianças e adolescentes aproveitam que não tem ninguém olhando e arrancam os rótulos em busca do jogador que falta. E deixam um rastro de destruição pra trás.
Essa febre a gente vê de quatro em quatro anos. De um dia pra outro, todos viram fãs de álbum de figurinhas. Só que este ano parece diferente. A sensação que tenho é que quanto mais ficamos digitais, mais a coleção física se torna um evento. E todo mundo está tentando tirar uma casquinha. Até a Oxxo entrou nessa e anunciou que vai virar ponto de troca oficial, aos sábados.
Oficial, oficial mesmo, só a Coca e o McDonalds. Todo o resto, como a venda do álbum pelo Ifood, é oficioso. Considerando que os cálculos matemáticos dizem que completar todas as seleções podem custar até sete mil reais, fico pensando quanto mais se gasta só de sanduba e refri. Sem contar o Ozempic depois, pra perder o peso extra.
Este ano, que é o último da Panini produzindo o Álbum Oficial da Copa, a brincadeira ficou mais complexa. Tem tudo quanto é tipo de Porta-Figurinhas à venda, que deixa tudo mais caro. Não basta ter as 980 imagens dos jogadores. Tem que colocar na caixinha pra chegar com cara de profissional nos campeonatos de bafo.
No fundo, o que sinto é que estamos indo e voltando nessa coisa de nos tornarmos digitais. Adoramos as Redes Sociais, mas as interações físicas continuam sendo importantes. O que parece não existir mais é equilíbrio.
É... Tudo muda. E volta sempre ao mesmo ponto...

Ele me chama a atenção para a partida de tênis do João Fonseca, no Roma Open, quando o jogador foi eliminado já na sua estreia. Não porque perdeu, já que isso faz parte de qualquer esporte. Mas devido à atuação da torcida brasileira.
Lógico que você já viu as notícias. Esqueceram de mandar os brasileiros que gostam de tênis e só foram os torcedores de futebol pra lá. Esportes diferentes, comportamentos diversos. No esporte bretão, os onze em campo são incentivados pelos gritos, aplausos e vaias da torcida. No elegante bate bola de origem francesa, as pessoas se limitam a ficar em silêncio e a uns poucos aplausos. Tudo isso são regras informais, que foram se formando com o passar dos anos.
Os fãs do João erraram os incentivos. Teve até "Vai, Corinthians!" gritado em campo. Quer dizer, quadra. Só que trocaram o time. O tenista torce pro Flamengo...
Creio que existe um peso enorme nas costas do tenista. Terra Brasilis não costuma gerar muitos jogadores e jogadoras no Ranking do ATP, o órgão que controla o tênis internacional. Enquanto os Isteites têm 16 homens e 14 mulheres entre os 100 melhores, nosso país só tem o João e a Bia Haddad. Até mesmo o país europeu chamado Argentina tem muito mais representantes que nós: 9 homens e uma mulher. Em esporte, quantidade gera qualidade.
O brasileiro, nascido na nossa capital Buenos Aires, Fernando Meligeni, sugere que os torcedores mais esquentadinhos, aqueles que gritam "vai errar" pro adversário, sejam expulsos de quadra. Concordo em grau, gênero e número. Quando a gente começa a achar que tudo pode, a linha da convivência acabou de ser rompida.
Agora, João, é se preparar pra Roland Garros. E não vender ingressos pra torcida brasileira...

E a maior sensação que tenho é que todo mundo já nem consegue ouvir falar desses dois assuntos. Todas as pesquisas que saem apontam para um desânimo geral em termos de Seleção Brasileira e de candidatos a presidência.
Datafolha aponta que mais da metade dos brazucas não estão interessados no time escalado sem Neymar. E que só 29% acreditam no Hexa, menor índice desde que começou a ser medido em 1994. Do lado da política, o sentimento de desânimo alcança dois em cada três entrevistados. Resultado da falta de novidade, de acordo com o Instituto Ideia, já que os candidatos se repetem sempre. Lógico que nas vésperas dos eventos, as pessoas irão se envolver mais, mas minha questão é sobre o que está acontecendo com nós, os brasileiros.
Quando a Ipsos fez seu último levantamento sobre quais os povos mais felizes do mundo, ficamos em sétimo lugar. Se as respostas válidas forem somente "Muito felizes", somos o terceiro, somente atrás da Indonésia e da Índia. Então somos felizes e desanimados. Ou seja, um povo bipolar.
Não sei o que acontece, mas vejo esse desinteresse crescendo e virando um "modus operandi", um jeito de ser. Me incomodo com o que o Natal tem se tornado. Quando era criança, me lembro que as pessoas desejavam "Feliz Natal" o mês inteiro. É estranho, pois eu vejo a cara de susto dos vendedores e atendentes quando desejo "Feliz Natal" no começo de dezembro. Parece que falei um palavrão. Por outro lado, tem panetone nos supermercados o ano inteiro.
Essa apatia que vem aos poucos contaminando todos nós é um sinal estranho. Ou a gente considera isso uma doença social, ou uma evolução no jeito de ser dos brasileiros. Não sei você, mas quero a vibração da Copa, o calor da discussão política e a felicidade do Natal de volta. A vida fica mais colorida.
