A fabricante de barbeadores Philips vale US$ 25 bilhões. Elon Musk poderia comprar a empresa, com menos de 3% da sua fortuna, como você compra um Gillette G2 no supermercado. Ainda assim, ele é o primeiro trilionário do mundo que mais aparece em público com a penugem por fazer. Deve ser falta de tempo, não de dinheiro.
Pra torrar todo o dinheiro num ano, Musk precisaria gastar quase dois milhões de dólares por minuto. Dez milhões de reais por minuto! Com esse pequeno cálculo, dá pra entender por que ele não faz a barba. Se gastar cinco minutos no banheiro, terá deixado de ganhar alguns milhões de dólares. Melhor deixar os fios na cara e um pouco mais de dinheiro na conta.
Deve ser uma prisão ser o homem mais rico do mundo. Uma gaiola de ouro, cercada de todo o luxo e riqueza, mas uma gaiola. Ele vale, no mínimo, três vezes a segunda mais rica pessoa do planeta, o Larry Page, fundador do Google. Deve ter preocupações que nós, simples mortais, não temos ideia do que sejam. E conversar com as pessoas deve ser uma tortura, pois ninguém consegue entender o que se passa na sua cabeça.
Só mesmo Marte pra acalmar sua alma. Quantas vezes você, que me lê, pensou em colonizar um outro planeta? Eu nunca. Musk deve pensar nisso todo dia. Pois é nesse nível de problemas que a riqueza dele pode ser gasta: pensar num desafio tão grande que traga um retorno para a sociedade seguir evoluindo.
Não tenho dúvidas de que Elon Musk irá se tornar um dos maiores filantropos do mundo. Num certo momento, dinheiro vira capim. Ter mais não muda sua saúde ou sua felicidade. Fazer os outros felizes, sim. O trilionário deve seguir o caminho que Alfred Nobel ou Bill Gates trilharam.
Talvez, nesse dia, ele comece a ter mais tempo pra fazer a barba...

Virou novelinha, no perfil do CEO, o Jerome Cadier. A compra das aeronaves foi comemorada no final do ano passado e, em um pouco mais de 12 meses, 14 charutos voadores começam a ligar cidades menores, no que a empresa chama de "mercado doméstico".
Uma das rotas anunciadas é Curitiba a Londrina. Parece nova, mas não é. É o retorno, já que nos anos de 1990 a companhia aérea fazia o trecho com os antigos Fokker 27 da TAM. Eram os primeiros turbo-hélices da empresa, leeeeeentos, barulhentos, mas que ainda assim chegavam mais rápido do que qualquer Airbus ou Boeing que a Latam usa atualmente. Mágica? Não. Quem quer ir, hoje, de uma cidade a outra, precisa fazer uma pequena parada em Guarulhos, o que faz uma viagem de pouco mais de uma hora virar um inferno de quase quatro. Ou voar pelo Embraer da concorrente Azul, nuns horários meio estranhos.
A Latam surgiu como uma empresa de monomotores, na época do Comandante Rolim. Cresceu e foi trocando seus aviões por modelos maiores, até que chegou nos Airbus. Com mais de 150 lugares, voar de uma cidade média pra uma pequena dá prejuízo. Aí, toca de cortar trechos menores, obrigando os passageiros a torturas aéreas. Só que sempre alguém entra na cola da grande empresa que abandonou seus clientes. E a Azul cresceu aí. Com seus 195-E2 indo pra locais esquecidos.
Mais do que só os novos aviões, fico maravilhado com o storytelling da Latam nos perfis de seus principais executivos. Fora o Cadier, o CEO mundial, Roberto Alvo, também está contando a aventura de colocar um novo tipo de avião pra voar. Não é como uma frota de ônibus, onde você troca a marca do fabricante, mas os motoristas permanecem os mesmos. Fico pensando se Santos Dumont, quando inventou o "mais pesado do que o ar", já imaginava como ia ser complicado pilotar diferentes tipos de aparelhos.
A empresa contratou 51 novos pilotos e copilotos especialistas em levantar e pousar o 195-E2 e vai precisar de mais. Desta vez, está recebendo 14 dos 24 aviões que já encomendou, mas tem mais 50 na lista de espera. Vai contratar mais uns cem, no mínimo. A Latam já chegou a oferecer 160 mil reais de bônus pra quem resolvesse trocar de bandeira. Ou tem uma plantação de pilotos ali em São José dos Campos, ou vai ter briga de foice no escuro com os funcionários da concorrente.
Já dá pra comprar as passagens dessa novidade. Mas até colocar os pés dentro do Embraer da Latam ainda falta um pouquinho. Só em novembro. Aí, visitar Londrina vai ficar mais rápido.

Eles sabem tirar cada tostão que seus personagens podem gerar criando mundos mágicos que se iniciam nos filmes e desenhos animados que a empresa produz.
Mas os desenhos se repetem, os filmes viram sagas enormes. Isso parece ser contraditório. "Mais um Toy Story?", "Outro Homem-Aranha?" A gente pensa que a nova versão da velha história vai fracassar e, aí, vem mais um sucesso de bilheteria. Onde está a magia?
Enquanto pensamos filme, Disney pensa jornada. Você olha pro cinema, ela olha pros seus momentos de lazer. Dessa forma, ela consegue mexer no seu bolso não só na sala escura, mas em todos os possíveis momentos da sua vida.
Claro reflexo desse jeito de pensar é o que o Licensing representa pra ela. Representando cinco por cento do faturamento, o uso dos personagens por outras empresas (aquela camiseta do Mickey, a espada de Star Wars, a miniatura no Mequi) é responsável por 18% do lucro. Disney faz um esforço enorme pra recontar as aventuras de seus personagens pra depois lucrar autorizando seus parceiros a colocar o dinheiro deles nas suas ideias. Lógico que ninguém é bobo. Um brinquedo com o xerife Wood vende mais rápido e mais caro do que o bonequinho do delegado Murilo. Simples assim.
Falo disso em mais um vídeo do meu canal do Youtube. No fundo, é só mais uma desculpa para tentar entender por que a gente acha que está vendo um desenho, enquanto a Disney inteira está organizando o próximo jeito virar sócia do nosso bolso.Clique aqui e conheça mais desse meu mundo de marketing e comportamento do consumidor.
Abro a caixa postal do meu Gmail e vejo um email marketing com o título "Você foi selecionado para testar uma novidade..." É da empresa de TAG que uso, aquele pedacinho de plástico que você coloca no parabrisa do seu carro e que, magicamente, faz a cancela dos pedágios se abrir. O convite é para testar o Free Flow na minha moto, com taxas reduzidas. Ótima ideia, pois com o serviço, o pagamento vai automático pra minha conta. Só que eu não tenho moto...
Um dos maiores medos que tenho é de andar de moto. Apesar de amar bicicleta, tenho pavor só em pensar em subir numa duas rodas à combustão. É irracional, eu sei, mas é verdade. Então me chamou a atenção a palavra "selecionado" no título do email. Claramente, esse profissional de CRM, da empresa que me mandou, não entende muito do assunto.
Do lado de lá, ele não tem como saber se tenho moto ou não, pois não existe TAG para elas. O risco é o sensor não ler o plástico, a cancela não se abrir e o motoqueiro se esburrachar no chão. Com o Free Flow, os donos desses canhões de duas rodas irão economizar tempo nas estradas.
Mas daí a me dizer que fui escolhido tem uma distância enorme. O texto é tão mal feito que num certo momento diz "se você tiver uma moto..." Peraí! Não fui escolhido? Tá com cara de que 100% das pessoas foram selecionadas. Talvez um pequeno corte no tipo de carro cadastrado. De todo jeito, preguiçoso, pois cria uma chamada que depois cai por terra.
Meu Mal Humorado de Plantão ficou pensando quanto trabalho é feito no automático por gente vendendo automação. A pessoa chega pra trabalhar, precisa anunciar uma novidade, faz uma chamada que gera uma ideia de que "você é especial para nós, por isso, aí vai uma oferta" e depois mata o clima, confessando que não sabe se você é ou não é a pessoa certa. Num mundo cada vez mais personalizado, essa empresa mostrou que sou só mais um pedaço de carne que paga pedágio. Bota mau humor nisso!
O engraçado é que o título podia ser direto e ainda assim trazer o resultado esperado. Algo tipo "Você tem moto e está cansado de parar em pedágio nas estradas?" Depois as empresas reclamam que email marketing dá baixo resultado...

Sir Jony Ive coleciona a criação de produtos que geram rejeição de poderosos das indústrias concorrentes, mas que calam a boca dos críticos em pouco tempo.
Ele criou o primeiro celular da Apple, em 2007. O presidente da Microsoft, Steve Balmer, falou na época que “Não há nenhuma chance de o iPhone conquistar uma participação significativa de mercado. Nenhuma chance.” Pagou a língua. Agora, Ive criou a primeira Ferrari elétrica, a Luce. Novamente ouviu críticas, dessa vez do ex-presidente da montadora, o famoso Luca di Montezemolo, que disse que a empresa "corria o risco de destruir uma lenda". Vendeu em menos de um mês todo o volume planejado de um ano.
Toque de midas? Sorte? Não, talvez um profissional que não se acomoda na primeira boa solução que encontra e que trabalha para empresas que buscam romper com o status quo, o "mais do mesmo". No caso do iPhone, pode ser que ele tenha sido a pessoa ousada que Steve Jobs precisava para colocar no papel as ideias que tinha na cabeça. Mas, no da Ferrari, ele já não precisava provar seu valor, só vender sua visão fora da caixa pros executivos da montadora.
A Decca Records rejeitou os Beatles, dizendo que “Não gostamos do som deles. Grupos de guitarristas estão saindo de moda.” A Western Union, empresa de telégrafo que já foi grande, recusou-se a comprar a patente do telefone fixo do Alexander Graham Bell por uma ninharia porque achava que ele tinha "deficiências demais para ser seriamente considerado como meio de comunicação". Cadê a Kodak, empresa de filmes de fotografia que inventou e escondeu a máquina de fotografia digital? Como elas, o mundo está cheio de exemplos de pessoas e empresas que descartam ideias revolucionárias por não entender onde elas podem chegar.
Ainda bem que temos loucos como Sir Ive, Paul McCartney e Graham Bell. Eles vivem nos tirando da zona de conforto e mostrando que o mundo pode ser diferente. Que nem todo mundo precisa gostar do preto. Podem gostar do vermelho, rosa, roxo, amarelo. A grande questão é que, com o tempo, suas ideias passam a ser o novo preto, dominam o mercado. Aí precisa chegar um novo doido, pra mexer, mais uma vez, com nossas crenças e hábitos.
A nova Ferrari, parece, é um sucesso, apesar da opinião do Luca. Graças a Deus! O mundo continua indo em frente.
