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Num jantar com um casal de amigos, comentei que não preciso de muito dinheiro, pois não sou de gastos caros.

29/07/2026
Postado por: Murilo Moreno

Bella, como toda boa esposa que conhece bem o marido, só deu uma risada de canto de boca. E os amigos começaram a gargalhar. Emparedado, só me restou perguntar onde uso o que ganho:

- Tecnologia, você adora trocar seu computador. E shows de música e teatro. Adora sair pra ter uma "experiência", como você mesmo diz. Ah! E viagens... cada vez mais, curte uma viagenzinha...

Corta. Estou numa reunião na agência LolaTBWA Brasil, vendo uma apresentação sobre planejamento de mídia. Guilherme Cesca, o diretor, vira pra mim e grita: "Murilo, essa persona aqui fiz em sua homenagem..." e começa a falar de um 'homem, classe AB, 45 anos mais'.

- Ele coleciona experiências, não apenas destinos... gosta de cultura e arte, de viagens internacionais, de música e festivais...

Enquanto o Gui fala, vou ficando cada vez mais calado. Como canta o Roberto Carlos, "esse cara sou eu"... Como é que pode? Ele não sabe nem onde eu moro... como pode me conhecer tão bem (o Gui, não o Roberto...)?

Não é que a persona seja 100% Murilo. Ela gosta de gastronomia e aventura, eu não. Mas isso não invalida o fato de que o perfil criado reflete minhas preferências. E que vai ser usada pra escolha de meios da propaganda pra falar com os milhares de murilos que existem por aí.

Só me restou fazer um comentário: "É... a gente pensa que é único, mas na verdade somos todos uma estatística..." E esse é meu ponto. A gente sofre por problemas que acreditamos ser só nossos e perdemos a chance de buscar ajuda em quem já passou pelo mesmo perrengue. Temos sonhos e vontades que acreditamos ser individualizados, mas que o vizinho da porta ao lado tem igual. A gente se acha diferente, mas para um estudo de mídia ou de comportamento, somos apenas mais um com comportamentos estatisticamente parecidos.

Isso não invalida termos nossos desejos. Mas me fez lembrar porque precisamos ser humildes. Não somos melhores ou piores do que outras pessoas. Somos só diferentes. Mesmo assim, só um pouco. Pensando bem, talvez até sejamos únicos mesmo. Mas só depois da segunda casa decimal.

 

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Postado por: Murilo Moreno
Se tem uma empresa que é uma Universidade de Marketing ao vivo, esta empresa é o Itaú Unibanco

Segunda, depois de trocar sua marca em algumas poucas fachadas e ter colocado vídeos nas redes sociais com influenciadores perguntando o que estava acontecendo, revelou do que se tratava. É a nova campanha de lançamento da sua Inteligência Artificial.

O banco não começou a ter IA agora. Nem os seus concorrentes são analfabetos em usar os vários GPTs da vida. Mas a grande inovação é em assumir, nas propagandas, que suas plataformas estarão cada vez mais artificiais e menos humanas. Como o "Cara que fica lá em cima" parece gostar do Itaú, por sorte as letras I e A já estão em seu nome. Ou se não, o verdadeiro criador das Inteligências Artificiais foi o José Balbino Siqueira que, em 1944, batizou o banco já pensando na coincidência.

A grande aula de marketing está em transformar isso em publicidade. Vai virar curso se isso não for uma simples campanha, mas sim uma plataforma estratégica. Histórico o banco tem. Em 1998, ao lançar o Bankline, criou a i-arroba, aquele fechamento de comercial em que os atores desenhavam uma arroba no ar e terminavam colocando um pingo. Imediatamente, você lembrava da internet. Mas só ficou na memória porque o gesto foi repetido e repetido durante anos. E só saiu do ar em 2012.

Apropriar-se da IA tem prós e contras. O maior pró é posicionar-se como moderno e diminuir a distância que existe entre o bancão tradicional e o Nubank. Talvez isso faça com que o jovem volte a pensar em ser seu correntista. O grande contra é ter uma porta aberta para invasões, ao usar os LLMs, os programas de IA, que existem no mercado. Os executivos dizem que o risco é mínimo, que fizeram uma versão que une ferramentas do mercado, programas proprietários e automações. Mas nunca deixa de ter um medinho de abrir o aplicativo e descobrir que o dinheiro foi todo embora por causa de um ataque hacker. De novo, não é que o risco não exista nos outros bancos, só que eles não lembram o consumidor dessa possibilidade.

De toda forma, Itaú coloca mais um tijolinho na construção de sua marca. E isso é pura aula. Já estou ansioso pra ver a campanha estrear no JN...

 

30/07/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Nunca tive curiosidade de conhecer o site da Fatal Fans até a polêmica que a empresa causou ao fechar um patrocínio com o Corinthians.

Diversos políticos e associações de defesa da criança e do adolescente entraram no Ministério Público pedindo a proibição da exposição do nome no calção do time. De acordo com os pedidos, é propaganda pornográfica, num tipo de esporte em que é impossível evitar que crianças sejam atingidas. Os advogados de defesa dizem que não existe apelo erótico, somente o nome Fatal Fans. "É só a divulgação institucional de uma marca..."

Onde está a verdade? Onde vive o equilíbrio? Se você tem filho pequeno, sabe que a curiosidade faz parte dos nossos pequenos. Um nome exposto no uniforme do seu ídolo não é só isso. Mas, teoricamente, o site pode ser proibido para menores. Fatal Fans diz que é. Conferi que não existe nenhuma restrição de idade quando se acessa a página inicial. E, ali, já é possível entender o que vem pela frente. As pessoas que colocam vídeos e fotos são criativas, criando nomes como o Arranca Diu e a Bruna Fogosinha. A única barreira a consumir o conteúdo é o financeiro.

Mas como diz a Fatal Fans, até aí, as bets são iguais. E concordo, pois tive a curiosidade de olhar o site da Esporte da Sorte, outro patrocinador do time. Logo na cara, um banner diz: "proibido para menores", mas nada impede de entrar no conteúdo e até se cadastrar. 1x0 pra Fatal. E como ela mesma diz, a existência dela é legal, paga todos os impostos em dia e vive dentro da lei. 2x0.

Então, tá resolvido... é só uma inocente forma de expor a marca e falar pro mundo que a empresa existe... Pode ser, mas são 22 milhões de reais pra essa exposição inocente. Meio caro, não? As placas no entorno do campo seriam mais baratas... Esse placar não parece justo.

Imagine que alguém rico decidisse gastar seus 22 milhõezinhos e patrocinar o time do coração. E na divulgação colocasse o símbolo nazista. Quais seriam as reações? Daria para o patrocinador dizer que é somente uma divulgação institucional? E se o símbolo fosse uma cruz? Alguém entraria no Ministério Público dizendo que é uma influência ruim nos jovens?

Viver em sociedade é complicado...

 

28/07/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Juro que é meu último texto sobre os 50 anos da Fiat.

E juro que não é sobre os 50 anos, mas sobre a vida...

Estive no Mineirão, na festa de aniversário da montadora. Eu e mais 40 mil pessoas. Não tinha como não se emocionar, revendo tantos amigos e relembrando vários momentos pelos quais passei. Estavam lá funcionários, imprensa, concessionários, autoridades e até clientes. Quase todos comemorando o tempo da empresa no Brasil. Eu, revendo minha trajetória de vida.

Em 2001, a empresa era outra, muito menor e menos organizada. Pelo menos, assim me lembro dela. Mas havia acabado de se tornar líder, no finalzinho de 2000, e lutava contra a Volkswagen para ser a maior do país durante um ano inteiro. Terminaram tecnicamente empatadas.

A mensagem da campanha dos 25 anos era um claro convite à mudança (CLIQUE AQUI). "Mude, mas comece devagar, porque direção é mais importante que a velocidade..." Outros 25 anos depois, a montadora confessa, na campanha de 50 anos, que é fã do Brasil. E os brasileiros, fãs da marca. Só não conta o tanto que teve que mudar pra continuar no mesmo lugar, na liderança.

Esse é o ponto. Como dizia Heráclito, o filósofo grego, "a única coisa que não muda é a mudança". Quem comprava carro em 2001 tinha outros desejos do que quem compra hoje em dia. Então, pra permanecer no mesmo lugar, Fiat teve que correr muito atrás de se reinventar.

Essa é a nossa vida, um eterno mudar. A gente se vê como seres imutáveis, mesmo quando trocamos o corte do cabelo, o jeito de vestir ou os hábitos alimentícios. No fundo, a gente acredita que pensa sempre do mesmo jeito, que age da mesma forma. Aí assiste um vídeo antigo, lê um pedaço de um "diário" de adolescente, ou ouve os comentários de uma tia e se assusta com as mudanças pelas quais passamos.

Ainda bem que mudamos. Rever meus amigos nos 50 anos de Fiat foi mais do que uma comemoração da história de uma empresa. Foi entender que o que vale na vida é a aventura, é o caminho. Como diz o comercial de 2001: "Sem o qual, a vida não vale a pena".

Auguri Fiat!

27/07/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Em dez anos, estaremos num mundo que nunca imaginamos.

Ou sempre pensamos, parte por parte, mas não entendemos as consequências que uma ação pode fazer em outra. Essa "brisada" me surgiu vendo o vídeo da Unitree Robotics e de seu cachorro com rodas. A flexibilidade e a agilidade dele me fizeram pensar o que podemos enfrentar em poucos anos, com a evolução dos robôs e da Inteligência artificial.

Em tudo a IA e os robôs são superiores ao ser humano. Só lhes falta a imaginação. Ou a gente, vaidosamente, acha que falta. Considerando que nós, humanos, estamos na Terra há alguns milhares de anos, evoluindo o corpo e a mente, e que eles acabaram de nascer (lembre-se que o ChatGPT "veio ao mundo" no final de 2022), dá pra apostar que eles vão estar em melhor forma em 2036 do que a humanidade.

Sempre que penso nisso, me lembro do meu autor predileto, o Isaac Asimov, e suas leis da robótica, que proibiriam um robô de fazer mal a um ser humano. Mas tem sempre um pouco de Exterminador do Futuro, com o ciborgue que voltava ao passado pra matar a mãe do líder dos revolucionários de carne e osso, John Connor. A gente vive numa gangorra entre acreditar que o futuro vai ser lindo ou um horror.

Voltando ao Unitree AS-2, colocaram rodas num cachorro robótico e, com isso, deram velocidade e flexibilidade ao robozinho. Ele consegue fazer movimentos que nenhum humano repetiria. E com um raciocínio de IA, a reação ao mundo ao seu redor seria impossível de ser acompanhada. Lembra dos robôs da EngineAI lutando boxe? Imagine você tentando evitar um soco desses pugilistas, ou uma mordida desse cão...

Meu pavor sempre me faz lembrar que a humanidade já teve medo dos arados, no meio da Idade Média, das colheitadeiras manuais, na Idade Moderna, e das linhas de produção, na Idade Contemporânea. Talvez seja nossa sina, viver preocupados com o futuro, até porque temos medo da morte. E esses cenários apocalípticos são a morte em vida.

Ter medo talvez seja mais humano que a criatividade. Então, se realmente os robôs evoluírem, podemos ficar tranquilos. Medo é o presente que vamos deixar pra eles...

26/07/2026
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