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Esse cara aí, coçando a cabeça, é mais importante para a história do que muita gente pensa.

31/07/2026
Postado por: Murilo Moreno

Sir Jony Ive coleciona a criação de produtos que geram rejeição de poderosos das indústrias concorrentes, mas que calam a boca dos críticos em pouco tempo.

Ele criou o primeiro celular da Apple, em 2007. O presidente da Microsoft, Steve Balmer, falou na época que “Não há nenhuma chance de o iPhone conquistar uma participação significativa de mercado. Nenhuma chance.” Pagou a língua. Agora, Ive criou a primeira Ferrari elétrica, a Luce. Novamente ouviu críticas, dessa vez do ex-presidente da montadora, o famoso Luca di Montezemolo, que disse que a empresa "corria o risco de destruir uma lenda". Vendeu em menos de um mês todo o volume planejado de um ano.

Toque de midas? Sorte? Não, talvez um profissional que não se acomoda na primeira boa solução que encontra e que trabalha para empresas que buscam romper com o status quo, o "mais do mesmo". No caso do iPhone, pode ser que ele tenha sido a pessoa ousada que Steve Jobs precisava para colocar no papel as ideias que tinha na cabeça. Mas, no da Ferrari, ele já não precisava provar seu valor, só vender sua visão fora da caixa pros executivos da montadora.

A Decca Records rejeitou os Beatles, dizendo que “Não gostamos do som deles. Grupos de guitarristas estão saindo de moda.” A Western Union, empresa de telégrafo que já foi grande, recusou-se a comprar a patente do telefone fixo do Alexander Graham Bell por uma ninharia porque achava que ele tinha "deficiências demais para ser seriamente considerado como meio de comunicação". Cadê a Kodak, empresa de filmes de fotografia que inventou e escondeu a máquina de fotografia digital? Como elas, o mundo está cheio de exemplos de pessoas e empresas que descartam ideias revolucionárias por não entender onde elas podem chegar.

Ainda bem que temos loucos como Sir Ive, Paul McCartney e Graham Bell. Eles vivem nos tirando da zona de conforto e mostrando que o mundo pode ser diferente. Que nem todo mundo precisa gostar do preto. Podem gostar do vermelho, rosa, roxo, amarelo. A grande questão é que, com o tempo, suas ideias passam a ser o novo preto, dominam o mercado. Aí precisa chegar um novo doido, pra mexer, mais uma vez, com nossas crenças e hábitos.

A nova Ferrari, parece, é um sucesso, apesar da opinião do Luca. Graças a Deus! O mundo continua indo em frente.

 

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Postado por: Murilo Moreno
Se tem uma empresa que é uma Universidade de Marketing ao vivo, esta empresa é o Itaú Unibanco

Segunda, depois de trocar sua marca em algumas poucas fachadas e ter colocado vídeos nas redes sociais com influenciadores perguntando o que estava acontecendo, revelou do que se tratava. É a nova campanha de lançamento da sua Inteligência Artificial.

O banco não começou a ter IA agora. Nem os seus concorrentes são analfabetos em usar os vários GPTs da vida. Mas a grande inovação é em assumir, nas propagandas, que suas plataformas estarão cada vez mais artificiais e menos humanas. Como o "Cara que fica lá em cima" parece gostar do Itaú, por sorte as letras I e A já estão em seu nome. Ou se não, o verdadeiro criador das Inteligências Artificiais foi o José Balbino Siqueira que, em 1944, batizou o banco já pensando na coincidência.

A grande aula de marketing está em transformar isso em publicidade. Vai virar curso se isso não for uma simples campanha, mas sim uma plataforma estratégica. Histórico o banco tem. Em 1998, ao lançar o Bankline, criou a i-arroba, aquele fechamento de comercial em que os atores desenhavam uma arroba no ar e terminavam colocando um pingo. Imediatamente, você lembrava da internet. Mas só ficou na memória porque o gesto foi repetido e repetido durante anos. E só saiu do ar em 2012.

Apropriar-se da IA tem prós e contras. O maior pró é posicionar-se como moderno e diminuir a distância que existe entre o bancão tradicional e o Nubank. Talvez isso faça com que o jovem volte a pensar em ser seu correntista. O grande contra é ter uma porta aberta para invasões, ao usar os LLMs, os programas de IA, que existem no mercado. Os executivos dizem que o risco é mínimo, que fizeram uma versão que une ferramentas do mercado, programas proprietários e automações. Mas nunca deixa de ter um medinho de abrir o aplicativo e descobrir que o dinheiro foi todo embora por causa de um ataque hacker. De novo, não é que o risco não exista nos outros bancos, só que eles não lembram o consumidor dessa possibilidade.

De toda forma, Itaú coloca mais um tijolinho na construção de sua marca. E isso é pura aula. Já estou ansioso pra ver a campanha estrear no JN...

 

30/07/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Num jantar com um casal de amigos, comentei que não preciso de muito dinheiro, pois não sou de gastos caros.

Bella, como toda boa esposa que conhece bem o marido, só deu uma risada de canto de boca. E os amigos começaram a gargalhar. Emparedado, só me restou perguntar onde uso o que ganho:

- Tecnologia, você adora trocar seu computador. E shows de música e teatro. Adora sair pra ter uma "experiência", como você mesmo diz. Ah! E viagens... cada vez mais, curte uma viagenzinha...

Corta. Estou numa reunião na agência LolaTBWA Brasil, vendo uma apresentação sobre planejamento de mídia. Guilherme Cesca, o diretor, vira pra mim e grita: "Murilo, essa persona aqui fiz em sua homenagem..." e começa a falar de um 'homem, classe AB, 45 anos mais'.

- Ele coleciona experiências, não apenas destinos... gosta de cultura e arte, de viagens internacionais, de música e festivais...

Enquanto o Gui fala, vou ficando cada vez mais calado. Como canta o Roberto Carlos, "esse cara sou eu"... Como é que pode? Ele não sabe nem onde eu moro... como pode me conhecer tão bem (o Gui, não o Roberto...)?

Não é que a persona seja 100% Murilo. Ela gosta de gastronomia e aventura, eu não. Mas isso não invalida o fato de que o perfil criado reflete minhas preferências. E que vai ser usada pra escolha de meios da propaganda pra falar com os milhares de murilos que existem por aí.

Só me restou fazer um comentário: "É... a gente pensa que é único, mas na verdade somos todos uma estatística..." E esse é meu ponto. A gente sofre por problemas que acreditamos ser só nossos e perdemos a chance de buscar ajuda em quem já passou pelo mesmo perrengue. Temos sonhos e vontades que acreditamos ser individualizados, mas que o vizinho da porta ao lado tem igual. A gente se acha diferente, mas para um estudo de mídia ou de comportamento, somos apenas mais um com comportamentos estatisticamente parecidos.

Isso não invalida termos nossos desejos. Mas me fez lembrar porque precisamos ser humildes. Não somos melhores ou piores do que outras pessoas. Somos só diferentes. Mesmo assim, só um pouco. Pensando bem, talvez até sejamos únicos mesmo. Mas só depois da segunda casa decimal.

 

29/07/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Nunca tive curiosidade de conhecer o site da Fatal Fans até a polêmica que a empresa causou ao fechar um patrocínio com o Corinthians.

Diversos políticos e associações de defesa da criança e do adolescente entraram no Ministério Público pedindo a proibição da exposição do nome no calção do time. De acordo com os pedidos, é propaganda pornográfica, num tipo de esporte em que é impossível evitar que crianças sejam atingidas. Os advogados de defesa dizem que não existe apelo erótico, somente o nome Fatal Fans. "É só a divulgação institucional de uma marca..."

Onde está a verdade? Onde vive o equilíbrio? Se você tem filho pequeno, sabe que a curiosidade faz parte dos nossos pequenos. Um nome exposto no uniforme do seu ídolo não é só isso. Mas, teoricamente, o site pode ser proibido para menores. Fatal Fans diz que é. Conferi que não existe nenhuma restrição de idade quando se acessa a página inicial. E, ali, já é possível entender o que vem pela frente. As pessoas que colocam vídeos e fotos são criativas, criando nomes como o Arranca Diu e a Bruna Fogosinha. A única barreira a consumir o conteúdo é o financeiro.

Mas como diz a Fatal Fans, até aí, as bets são iguais. E concordo, pois tive a curiosidade de olhar o site da Esporte da Sorte, outro patrocinador do time. Logo na cara, um banner diz: "proibido para menores", mas nada impede de entrar no conteúdo e até se cadastrar. 1x0 pra Fatal. E como ela mesma diz, a existência dela é legal, paga todos os impostos em dia e vive dentro da lei. 2x0.

Então, tá resolvido... é só uma inocente forma de expor a marca e falar pro mundo que a empresa existe... Pode ser, mas são 22 milhões de reais pra essa exposição inocente. Meio caro, não? As placas no entorno do campo seriam mais baratas... Esse placar não parece justo.

Imagine que alguém rico decidisse gastar seus 22 milhõezinhos e patrocinar o time do coração. E na divulgação colocasse o símbolo nazista. Quais seriam as reações? Daria para o patrocinador dizer que é somente uma divulgação institucional? E se o símbolo fosse uma cruz? Alguém entraria no Ministério Público dizendo que é uma influência ruim nos jovens?

Viver em sociedade é complicado...

 

28/07/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Juro que é meu último texto sobre os 50 anos da Fiat.

E juro que não é sobre os 50 anos, mas sobre a vida...

Estive no Mineirão, na festa de aniversário da montadora. Eu e mais 40 mil pessoas. Não tinha como não se emocionar, revendo tantos amigos e relembrando vários momentos pelos quais passei. Estavam lá funcionários, imprensa, concessionários, autoridades e até clientes. Quase todos comemorando o tempo da empresa no Brasil. Eu, revendo minha trajetória de vida.

Em 2001, a empresa era outra, muito menor e menos organizada. Pelo menos, assim me lembro dela. Mas havia acabado de se tornar líder, no finalzinho de 2000, e lutava contra a Volkswagen para ser a maior do país durante um ano inteiro. Terminaram tecnicamente empatadas.

A mensagem da campanha dos 25 anos era um claro convite à mudança (CLIQUE AQUI). "Mude, mas comece devagar, porque direção é mais importante que a velocidade..." Outros 25 anos depois, a montadora confessa, na campanha de 50 anos, que é fã do Brasil. E os brasileiros, fãs da marca. Só não conta o tanto que teve que mudar pra continuar no mesmo lugar, na liderança.

Esse é o ponto. Como dizia Heráclito, o filósofo grego, "a única coisa que não muda é a mudança". Quem comprava carro em 2001 tinha outros desejos do que quem compra hoje em dia. Então, pra permanecer no mesmo lugar, Fiat teve que correr muito atrás de se reinventar.

Essa é a nossa vida, um eterno mudar. A gente se vê como seres imutáveis, mesmo quando trocamos o corte do cabelo, o jeito de vestir ou os hábitos alimentícios. No fundo, a gente acredita que pensa sempre do mesmo jeito, que age da mesma forma. Aí assiste um vídeo antigo, lê um pedaço de um "diário" de adolescente, ou ouve os comentários de uma tia e se assusta com as mudanças pelas quais passamos.

Ainda bem que mudamos. Rever meus amigos nos 50 anos de Fiat foi mais do que uma comemoração da história de uma empresa. Foi entender que o que vale na vida é a aventura, é o caminho. Como diz o comercial de 2001: "Sem o qual, a vida não vale a pena".

Auguri Fiat!

27/07/2026
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