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Abro a caixa postal do meu Gmail e vejo um email marketing com o título

03/08/2026
Postado por: Murilo Moreno

Abro a caixa postal do meu Gmail e vejo um email marketing com o título "Você foi selecionado para testar uma novidade..." É da empresa de TAG que uso, aquele pedacinho de plástico que você coloca no parabrisa do seu carro e que, magicamente, faz a cancela dos pedágios se abrir. O convite é para testar o Free Flow na minha moto, com taxas reduzidas. Ótima ideia, pois com o serviço, o pagamento vai automático pra minha conta. Só que eu não tenho moto...

Um dos maiores medos que tenho é de andar de moto. Apesar de amar bicicleta, tenho pavor só em pensar em subir numa duas rodas à combustão. É irracional, eu sei, mas é verdade. Então me chamou a atenção a palavra "selecionado" no título do email. Claramente, esse profissional de CRM, da empresa que me mandou, não entende muito do assunto.

Do lado de lá, ele não tem como saber se tenho moto ou não, pois não existe TAG para elas. O risco é o sensor não ler o plástico, a cancela não se abrir e o motoqueiro se esburrachar no chão. Com o Free Flow, os donos desses canhões de duas rodas irão economizar tempo nas estradas.

Mas daí a me dizer que fui escolhido tem uma distância enorme. O texto é tão mal feito que num certo momento diz "se você tiver uma moto..." Peraí! Não fui escolhido? Tá com cara de que 100% das pessoas foram selecionadas. Talvez um pequeno corte no tipo de carro cadastrado. De todo jeito, preguiçoso, pois cria uma chamada que depois cai por terra.

Meu Mal Humorado de Plantão ficou pensando quanto trabalho é feito no automático por gente vendendo automação. A pessoa chega pra trabalhar, precisa anunciar uma novidade, faz uma chamada que gera uma ideia de que "você é especial para nós, por isso, aí vai uma oferta" e depois mata o clima, confessando que não sabe se você é ou não é a pessoa certa. Num mundo cada vez mais personalizado, essa empresa mostrou que sou só mais um pedaço de carne que paga pedágio. Bota mau humor nisso!

O engraçado é que o título podia ser direto e ainda assim trazer o resultado esperado. Algo tipo "Você tem moto e está cansado de parar em pedágio nas estradas?" Depois as empresas reclamam que email marketing dá baixo resultado...

 

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Postado por: Murilo Moreno
Uma das máquinas de ganhar dinheiro mais azeitadas que conheço é a Disney.

Eles sabem tirar cada tostão que seus personagens podem gerar criando mundos mágicos que se iniciam nos filmes e desenhos animados que a empresa produz.

Mas os desenhos se repetem, os filmes viram sagas enormes. Isso parece ser contraditório. "Mais um Toy Story?", "Outro Homem-Aranha?" A gente pensa que a nova versão da velha história vai fracassar e, aí, vem mais um sucesso de bilheteria. Onde está a magia?

Enquanto pensamos filme, Disney pensa jornada. Você olha pro cinema, ela olha pros seus momentos de lazer. Dessa forma, ela consegue mexer no seu bolso não só na sala escura, mas em todos os possíveis momentos da sua vida.

Claro reflexo desse jeito de pensar é o que o Licensing representa pra ela. Representando cinco por cento do faturamento, o uso dos personagens por outras empresas (aquela camiseta do Mickey, a espada de Star Wars, a miniatura no Mequi) é responsável por 18% do lucro. Disney faz um esforço enorme pra recontar as aventuras de seus personagens pra depois lucrar autorizando seus parceiros a colocar o dinheiro deles nas suas ideias. Lógico que ninguém é bobo. Um brinquedo com o xerife Wood vende mais rápido e mais caro do que o bonequinho do delegado Murilo. Simples assim.

Falo disso em mais um vídeo do meu canal do Youtube. No fundo, é só mais uma desculpa para tentar entender por que a gente acha que está vendo um desenho, enquanto a Disney inteira está organizando o próximo jeito virar sócia do nosso bolso.Clique aqui e conheça mais desse meu mundo de marketing e comportamento do consumidor.

04/08/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Esse cara aí, coçando a cabeça, é mais importante para a história do que muita gente pensa.

Sir Jony Ive coleciona a criação de produtos que geram rejeição de poderosos das indústrias concorrentes, mas que calam a boca dos críticos em pouco tempo.

Ele criou o primeiro celular da Apple, em 2007. O presidente da Microsoft, Steve Balmer, falou na época que “Não há nenhuma chance de o iPhone conquistar uma participação significativa de mercado. Nenhuma chance.” Pagou a língua. Agora, Ive criou a primeira Ferrari elétrica, a Luce. Novamente ouviu críticas, dessa vez do ex-presidente da montadora, o famoso Luca di Montezemolo, que disse que a empresa "corria o risco de destruir uma lenda". Vendeu em menos de um mês todo o volume planejado de um ano.

Toque de midas? Sorte? Não, talvez um profissional que não se acomoda na primeira boa solução que encontra e que trabalha para empresas que buscam romper com o status quo, o "mais do mesmo". No caso do iPhone, pode ser que ele tenha sido a pessoa ousada que Steve Jobs precisava para colocar no papel as ideias que tinha na cabeça. Mas, no da Ferrari, ele já não precisava provar seu valor, só vender sua visão fora da caixa pros executivos da montadora.

A Decca Records rejeitou os Beatles, dizendo que “Não gostamos do som deles. Grupos de guitarristas estão saindo de moda.” A Western Union, empresa de telégrafo que já foi grande, recusou-se a comprar a patente do telefone fixo do Alexander Graham Bell por uma ninharia porque achava que ele tinha "deficiências demais para ser seriamente considerado como meio de comunicação". Cadê a Kodak, empresa de filmes de fotografia que inventou e escondeu a máquina de fotografia digital? Como elas, o mundo está cheio de exemplos de pessoas e empresas que descartam ideias revolucionárias por não entender onde elas podem chegar.

Ainda bem que temos loucos como Sir Ive, Paul McCartney e Graham Bell. Eles vivem nos tirando da zona de conforto e mostrando que o mundo pode ser diferente. Que nem todo mundo precisa gostar do preto. Podem gostar do vermelho, rosa, roxo, amarelo. A grande questão é que, com o tempo, suas ideias passam a ser o novo preto, dominam o mercado. Aí precisa chegar um novo doido, pra mexer, mais uma vez, com nossas crenças e hábitos.

A nova Ferrari, parece, é um sucesso, apesar da opinião do Luca. Graças a Deus! O mundo continua indo em frente.

 

31/07/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Se tem uma empresa que é uma Universidade de Marketing ao vivo, esta empresa é o Itaú Unibanco

Segunda, depois de trocar sua marca em algumas poucas fachadas e ter colocado vídeos nas redes sociais com influenciadores perguntando o que estava acontecendo, revelou do que se tratava. É a nova campanha de lançamento da sua Inteligência Artificial.

O banco não começou a ter IA agora. Nem os seus concorrentes são analfabetos em usar os vários GPTs da vida. Mas a grande inovação é em assumir, nas propagandas, que suas plataformas estarão cada vez mais artificiais e menos humanas. Como o "Cara que fica lá em cima" parece gostar do Itaú, por sorte as letras I e A já estão em seu nome. Ou se não, o verdadeiro criador das Inteligências Artificiais foi o José Balbino Siqueira que, em 1944, batizou o banco já pensando na coincidência.

A grande aula de marketing está em transformar isso em publicidade. Vai virar curso se isso não for uma simples campanha, mas sim uma plataforma estratégica. Histórico o banco tem. Em 1998, ao lançar o Bankline, criou a i-arroba, aquele fechamento de comercial em que os atores desenhavam uma arroba no ar e terminavam colocando um pingo. Imediatamente, você lembrava da internet. Mas só ficou na memória porque o gesto foi repetido e repetido durante anos. E só saiu do ar em 2012.

Apropriar-se da IA tem prós e contras. O maior pró é posicionar-se como moderno e diminuir a distância que existe entre o bancão tradicional e o Nubank. Talvez isso faça com que o jovem volte a pensar em ser seu correntista. O grande contra é ter uma porta aberta para invasões, ao usar os LLMs, os programas de IA, que existem no mercado. Os executivos dizem que o risco é mínimo, que fizeram uma versão que une ferramentas do mercado, programas proprietários e automações. Mas nunca deixa de ter um medinho de abrir o aplicativo e descobrir que o dinheiro foi todo embora por causa de um ataque hacker. De novo, não é que o risco não exista nos outros bancos, só que eles não lembram o consumidor dessa possibilidade.

De toda forma, Itaú coloca mais um tijolinho na construção de sua marca. E isso é pura aula. Já estou ansioso pra ver a campanha estrear no JN...

 

30/07/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Num jantar com um casal de amigos, comentei que não preciso de muito dinheiro, pois não sou de gastos caros.

Bella, como toda boa esposa que conhece bem o marido, só deu uma risada de canto de boca. E os amigos começaram a gargalhar. Emparedado, só me restou perguntar onde uso o que ganho:

- Tecnologia, você adora trocar seu computador. E shows de música e teatro. Adora sair pra ter uma "experiência", como você mesmo diz. Ah! E viagens... cada vez mais, curte uma viagenzinha...

Corta. Estou numa reunião na agência LolaTBWA Brasil, vendo uma apresentação sobre planejamento de mídia. Guilherme Cesca, o diretor, vira pra mim e grita: "Murilo, essa persona aqui fiz em sua homenagem..." e começa a falar de um 'homem, classe AB, 45 anos mais'.

- Ele coleciona experiências, não apenas destinos... gosta de cultura e arte, de viagens internacionais, de música e festivais...

Enquanto o Gui fala, vou ficando cada vez mais calado. Como canta o Roberto Carlos, "esse cara sou eu"... Como é que pode? Ele não sabe nem onde eu moro... como pode me conhecer tão bem (o Gui, não o Roberto...)?

Não é que a persona seja 100% Murilo. Ela gosta de gastronomia e aventura, eu não. Mas isso não invalida o fato de que o perfil criado reflete minhas preferências. E que vai ser usada pra escolha de meios da propaganda pra falar com os milhares de murilos que existem por aí.

Só me restou fazer um comentário: "É... a gente pensa que é único, mas na verdade somos todos uma estatística..." E esse é meu ponto. A gente sofre por problemas que acreditamos ser só nossos e perdemos a chance de buscar ajuda em quem já passou pelo mesmo perrengue. Temos sonhos e vontades que acreditamos ser individualizados, mas que o vizinho da porta ao lado tem igual. A gente se acha diferente, mas para um estudo de mídia ou de comportamento, somos apenas mais um com comportamentos estatisticamente parecidos.

Isso não invalida termos nossos desejos. Mas me fez lembrar porque precisamos ser humildes. Não somos melhores ou piores do que outras pessoas. Somos só diferentes. Mesmo assim, só um pouco. Pensando bem, talvez até sejamos únicos mesmo. Mas só depois da segunda casa decimal.

 

29/07/2026
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