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Estreias são sempre estreias.

07/09/2026
Postado por: Murilo Moreno

Nervosismo, medo de errar, coração a mil. Quarenta e um anos atrás, o Rock in Rio nascia. Um artista teve que ser o primeiro a subir no palco e começar a se apresentar. Esse privilégio coube ao Ney Matogrosso. Imagina um cantor de um estilo nada rock'in'roll abrindo um festival 100% rock'in'roll. Como ele mesmo disse, teve gente que vaiou. Ainda assim, foi em frente.

Essa é a história do novo comercial do whisky Johnnie Walker. Ney se transformou no João Caminhante, aquele personagem que aparece em todos os rótulos do produto, pra reforçar a #marca e seu posicionamento. Pelo oitavo ano, ela é uma das patrocinadoras do evento, mas pela primeira vez vejo uma campanha que me toca.

Não sou bebedor de whisky. Nem abro exceção nem para marcas como o Macallan, preferido por 100 dos 100 mais corruptos de Terra Brasilis. Continuo com meu paladar infantil, preferindo Fanta Laranja. Mas o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim sabe reconhecer um gol de placa. Fico imaginando o briefing chegando para a dupla de criação na agência (precisa criar um comercial pra falar do patrocínio...) e eles olhando horas e horas de material até que alguém vê o Ney numa posição quase igual à da embalagem e diz: Eureka! Achei!

O comercial é uma homenagem a todos os que se arriscam. O sucesso é fácil de ser visto, depois que já aconteceu. Difícil é a caminhada. Mais ainda o primeiro passo. A gente vê um vídeo desses e fica pensando em todas as vezes que o medo nos paralisou. E se perguntando o porquê.

Johnnie Walker tem um posicionamento "fodástico" e suas campanhas fazem aquilo que todas deveriam fazer. Reforçam um único ponto e não se desviam dele. Quanto mais o repetem, mais forte ele fica. Talvez, por isso, seja o escocês mais vendido no mundo.

Não vi muita coisa do Rock in Rio ainda. Mas já tenho meu comercial favorito...

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Postado por: Murilo Moreno
Aposentei minha Samsung depois de mais de 20 anos de companhia.

Já contei isso aqui. Apareceram certas linhas na tela de LCD e já não tinha mais conserto. Coloquei outra no lugar dela. Quase dois anos e não deve ter sido ligada mais do que umas poucas vezes. Se considerar o preço versus o uso, é um gasto imenso e desnecessário.

Mas por que me lembrei desse fato? É que cheguei da rua, liguei pra assistir um filme, e já me deu um comichão pra desligar e ir ver na tela do meu laptop, pois dessa forma não fico preso no sofá da sala. A internet e o streaming nos deram liberdade de ver o que queremos, onde queremos, quando queremos, e isso transformou minha 65 polegadas na TV mais cara do mundo. Menos na hora de ver qualquer evento ao vivo. Nestas horas, como foi o caso da Copa do Mundo, não tem jeito. Você senta, pacientemente, na frente da tela e espera.

A Copa dos Isteites ainda não acabou. Nossa Seleção foi eliminada, o menino Ney voltou a não jogar e a Rede Globo entrou em crise por causa da audiência da CazéTV. Em termos gerais, a novata teve 50% da audiência da líder. 44% x 82%. Mais umas duas copas desse jeito e podemos prever uma inversão de papéis. Preocupante...muito preocupante...

Qual a solução? Mudar tudo na Vênus Prateada. "Quem foi o culpado? Que não comprou a exclusividade dos direitos da Copa só pra Globo? Ah! Foi o diretor financeiro? Rua!!!!!" Parece que alguém está procurando o bode expiatório para uma decisão que é tão importante que não poderia ser tomada por ninguém menos do que o dono.

Vale esclarecer. A Globo só é a Globo porque sempre administrou o mercado na base da "Estratégia da Terra Arrasada". Ou seja, você constrói uma barreira tão alta que fica impossível para qualquer empresa concorrer com você. Ela sempre contratou seus artistas com cláusulas de fidelidade, pagando salários astronômicos, mesmo que eles não estivessem no ar. Sempre comprou direitos esportivos, com exclusividade, mesmo sem transmiti-los. Aí veio a internet, os streamings, a audiência se fragmentou e o dinheiro sumiu. Solução? Dispensar os artistas e abrir mão de eventos exclusivos.

Parece bom... até que uma Cazé surja na sua frente. E você vê que estratégia não pode ser só medida pelo resultado financeiro de curto prazo. Globo vai ter que abrir o bolso pra voltar a ser dona da Copa. E isso vai ser mais caro do que ela pode esperar.

Mais caro mesmo, só minha TV, que continua na parede da sala imóvel... desligada...

 

06/09/2026
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Postado por: Murilo Moreno
O que estes dois executivos têm em comum, além do terno cinza e camisa branca?

Alessandro Carlucci e Héctor Núñez são ex-CEOs que estão voltando pras empresas que comandaram pra tentar colocá-las nos trilhos. Coincidentemente, Natura e Rihappy não estão no seu melhor shape, em termos de participação de mercado e resultados financeiros. Vão conseguir? Só o tempo vai dizer, mas, nos dois casos, é uma aposta no certo e não no duvidoso.

Alessandro foi presidente da Natura por dez anos. Saiu em 2014 em busca de um melhor equilíbrio entre trabalho e família, mudou-se pra Nova York, viu de longe os apuros da antiga patroa, voltou pro Conselho de Administração e, agora, retoma a cadeira que havia deixado. Deve ter descoberto que o seu real equilíbrio passa pelo desequilíbrio pessoal/profissional (fora que os filhos cresceram...).

Héctor saiu na pandemia, rodou, rodou, rodou e agora volta, como presidente da Ri Happy e sócio da empresa que comprou o controle da varejista. Talvez esteja vendo um futuro na marca que ninguém mais percebe. Crianças continuam nascendo e brinquedos serão sempre necessários.

A volta de ex-executivos, ou até de fundadores, não é uma coisa rara. Nem sempre os novos donos do poder conseguem implementar estratégias vencedoras. Howard Schultz voltou pra Starbucks e o lendário Steve Jobs, para a Apple. Temos nossos exemplos também, como o Flávio Augusto da Silva, que vendeu e recomprou a Wise Up. Em todos os casos, os antigos líderes conseguiram recolocar as empresas na direção do sucesso.

Em gestão, não existe estratégia certa e errada. Existe direcionamento e implementação. Você planeja hoje, vem o governo ou o concorrente e bagunça tudo. Além de nem sempre o consumidor ajudar, pois ele tem vontade própria. Alessandro e Héctor já provaram uma vez que eles entendem essa dinâmica e sabem como mexer os pauzinhos para obter bons resultados. Agora vão ter que provar que o tempo em que ficaram distantes não estragou o toque de Midas que tinham.

Isso, só o tempo nos irá dizer...

 

05/09/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Mais uma cooperativa virando banco?

É isso mesmo, Arnaldo? Depois de Sicredi e da Sicoob, agora também tem a Cresol Cooperativa? O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim começou a me encher de perguntas quando viu o banner dessa cooperativa anunciando conta corrente, pagamento por pix e investimento. Pois é... ser executivo do Itaú Unibanco está cada vez mais difícil...

Pressionado pelo Bichinho, fui investigar. Realmente, a Cresol é mais uma cooperativa agrícola que está ocupando o espaço físico dos bancos tradicionais. Talvez a digitalização do setor bancário tenha ocorrido rápido demais para o consumidor brasileiro. Uma coisa é o FariaLimer, aquele ser que tem um #iPhone, anda de Renegade e investe em startup. Outra é o homem do campo, que vive pacatamente na sua cidade de 10 mil habitantes e que conhece quase todo mundo, pelo menos de vista. O primeiro quer distância da agência, o segundo vai sempre tomar um cafezinho com o gerente amigo.

Essa diferença fica clara no número de agências dos dois tipos de instituição financeira. Enquanto Itaú, Bradesco e Santander andaram fechando milhares de pontos nos últimos anos, Sicredi, Sicoob e Cresol foram no caminho contrário. Hoje, pelas contas, as cooperativas têm mais de 8.700 agências versus as quase 7.700 dos concorrentes tradicionais. E mesmo que não sejam bancos, dentro das agências você não vê diferença nenhuma. Aliás, se somarmos as três, elas seriam o quarto banco privado de Terra Brasilis

A Cresol é a menor entre as três grandes cooperativas. Mas já ultrapassou os 45 bi de reais de ativos e tem mais de mil agências. O interessante é o tom da comunicação que a gente vê no site. Parece um revival do que os bancões já fizeram. A frase "Visualize e pague seus boletos diretamente pelo CPF ou CNPJ, sem precisar do papel físico" me fez lembrar que o bebê do Itaú rasgou os boletos de papel em 2012. 2012! Quatorze anos atrás. A cooperativa está errada? Não. Só está refletindo o perfil de seus correntistas.

No fim, o que se percebe é que a vida dos bancos tradicionais está cada vez mais difícil. De um lado os bancos 100% digitais, tipo Nubank e Inter. Do outro, as agências físicas das cooperativas. Como cantava Renato Russo "O futuro não é mais como era antigamente..."

 

04/09/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Tô chocado! Alexandre Birman e Roberto Jatahy estão se separando...

Eu me lembro do casamento... os dois felizes, as promessas de amor eterno... Era um casal tão bonito... Mas, também, né? Dava pra imaginar que ia acabar desse jeito, depois de tanta briga entre as quatro paredes...

No casamento, anunciado às pressas, quando a nova empresa ainda nem tinha nome, os dois empresários tinham altos sonhos. “Estamos criando o maior grupo de moda da América Latina, mas o sonho é internacional”, era a promessa de Jatahy no altar. “Estamos aqui para construir um legado para o Brasil”, Birman falou ao trocar as alianças. Se desse tudo certo, o novo grupo, que, somado, faturava R$ 12 bilhões, teria ganhos de R$ 4,5 bi em sinergias e R$ 1 bi de receita adicional em 2027. Fechou com R$ 14,7 bi em 2025. Cresceu, mesmo descontada a inflação. Mas, mesmo assim, a disputa dos egos, quer dizer, das diferentes estratégias, desfez aquilo que poderia ser um dos maiores conglomerados de moda do mundo.

Costumo dizer aos clientes da minha consultoria que toda empresa seria uma empresa de sucesso, se não fossem as pessoas. No papel, toda estratégia funciona. Aí entra a realidade e estraga tudo. E executivos (ou empresários) que têm um objetivo em comum, começam a sabotar suas firmas, pois querem prejudicar seu inimigo interno. "Eu não gosto dele, então não vou fazer". Quem nunca pensou assim, que atire a primeira pedra.

Birman, dizem as más línguas, é um cara muito difícil. O Jatahy até entrou na justiça, alegando que a administração do antigo sócio era caótica. Mas não podemos negar que a Arezzo virou um fenômeno nas mãos dele. Por outro lado, o criador da Animale também é um empreendedor de primeira. São duas formas de tocar negócio vencedoras. O mineiro sempre cresceu organicamente, o carioca, comprando marcas.

O casal deixa um filho, que deve crescer traumatizado. Estou falando da FARM Rio, que é o principal resultado de sucesso da ex-Azzas2154. Ela se internacionalizou e hoje fatura 40% fora de Terra Brasilis. Na separação, aparecem três e não duas empresas. A Arezzo&Co, a #Soma e a Farm, outra empresa 57% de Birman e 42% do Jatahy. Ou seja, os pais vão continuar se encontrando na porta da escola, pois vão ter guarda compartilhada.

Marketing ao vivo tem disso... Nem sempre é até que a morte os separe...

 


03/09/2026
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