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Não me lembro de nenhuma campanha de montadora anunciando um carrinho de brinquedo.

28/09/2026
Postado por: Murilo Moreno

Já vi fabricantes criando versões em tamanho real de brinquedos famosos, como Hot Wheels. Mas um brinquedinho, ainda mais pra comemorar aniversário, é a primeira vez.

A empresa da novidade é a Fiat. Gastou parte de sua verba do ano pra abrir câmera e filmar três miniaturas de modelos que marcaram sua história: O 147, o Uno e a Strada. Pela divulgação, o dinheiro foi todo pra gravação do comercial, pois parece que só vai aparecer no Youtube. Nada de estreia no Fantástico ou no Jornal Nacional. Só alguns poucos influencers falando do assunto. E um monte de jornalistas divulgando o press-release.

O assunto, que parece brincadeira, é sério. A primeira leva que a #marca colocou pra vender acabou em 20 minutos. E já está gerando ágio, aquele valor acima da tabela que aparece em lançamentos de sucesso. O preço de cada carrinho é de R$ 24,90. No Mercado Livre, tem gente anunciando a R$ 75 cada um. Tem oferta dos três em conjunto por R$ 475. Daria pra comprar uma frota de 19 carrinhos, pelo preço inicial.

A concessionária oficial é a #RiHappy. Que já não tem mais todas as versões. Ou a produção não está dando conta da demanda. Ou as vendas já estão dando fila de espera. A montadora deve estar olhando o floorplan da loja pra conceder mais crédito (entendedores entenderão...),

O comercial é uma brincadeirinha com o formato que a Fiat anuncia seus carros de verdade. Tem os onipresentes "por apenas", "os menores preços do ano" e até letreiro lembrando que a Strada é a pickup "mais vendida no Brasil por cinco anos". Não dá nem pra imaginar que os carrinhos foram feitos pra crianças. Nem as mãos que empurram os modelos parecem infantis. Kidults na veia.

Agora, só falta o Antonio Filosa, presidente mundial, anunciar na sua próxima vinda ao Brasil que a Stellantis vai comprar a Brinquedos Estrela. Talvez até valha a pena.

Mattel que se cuide!

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Postado por: Murilo Moreno
Warren Buffett tem 96 anos.

Finalmente se aposentou por completo. Tinha já deixado a presidência da Berkshire Hathaway em janeiro deste ano e, agora, sai da cadeira de chairman do Conselho da empresa. Tim Cook tem 65 anos e acabou de passar o bastão da Apple pro novo CEO, John Ternus. De igual, os dois foram fundamentais na construção do sucesso de suas empresas.

Não quero falar deles, mas da finitude. Acordei melancólico. No fim de semana, vi o empresário Christian Barbosa, autor do livro Tríade do Tempo, dar uma declaração no HJ Conference e dizer o óbvio que a gente sempre nega: vivemos como se fôssemos eternos. E, com isso, não nos preparamos para o momento em que não estaremos por aqui. Pior, adiamos as reconciliações, os encontros com quem gostamos, os momentos. Porque amanhã teremos tempo... Não teremos...

Tempo é uma coisa interessante. O tempo que eu tenho é o mesmo que você tem. Mas as decisões que cada um toma fazem com que os resultados sejam completamente diversos. Elon Musk se tornou o primeiro trilhardário do mundo em quase metade do tempo de vida do Buffett. É mais feliz do que o recém aposentado? É mais feliz do que você? A gente não sabe. Ninguém sabe onde o sapato aperta, no pé dos outros.

No fim, temos sempre a companhia da dúvida: será que usamos o nosso tempo da melhor forma possível? Será que? O grande problema é que só vivemos uma vez. E cada decisão que tomamos na vida cancela milhares de outras possibilidades que teríamos.

Buffett dedicou sua vida a comprar e vender ações. Tim Cook, a transformar a indústria da tecnologia. Podiam ter sido médicos, pintores ou qualquer outra coisa. Decidiram o que decidiram e viveram para isso.

E você? Que vida você quer viver? Como ocupa seu tempo?

 

29/09/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Voltei de Concórdia, da minha palestra no HJ Conference, via Viracopos.

Expectativa zero de pousar num aeroporto moderno, pois na minha cabeça ainda sobrevivia o caos que era o terminal de passageiros de antes da licitação de 2012. Em quatorze anos, muita coisa aconteceu, inclusive brotou um dos mais modernos aeroportos de Terra Brasilis.

Esqueça cidades como Nova York, Los Angeles ou Orlando. Quem já teve a oportunidade de pousar num aeroporto americano de qualquer cidade média, vai entender o porquê da foto. Quando você pousa, sempre a região em torno da pista e dos terminais é ocupada por imensos galpões lotados de carretas e containers. As ruas, bem cuidadas, têm pouca circulação. E, nos terminais de passageiros, existe movimento, mas nada que seja um mar de pessoas. Pousando em Viracopos, me senti nos Isteites.

Vou confessar que fiquei encantado com o aeroporto. Mas o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim me perguntou na mesma hora: Como Congonhas e Guarulhos podem ser um inferno e Viracopos não conseguir roubar uma parte do movimento? Devia ser a ideia na época da licitação. O governo colocou no projeto, e achou quem comprasse os planos, que o movimento de passageiros, em 2042, seria de 90 milhões de pessoas por ano.

Guarulhos, o maior do Brasil e que é relativamente perto de SP, hoje tem um público anual de 43 milhões. Congonhas, no miolo da cidade, 24 milhões, duas vezes Viracopos. Acho que alguém foi otimista demais ao projetar os números. E um outro alguém foi inocente em aceitá-los. Na verdade, o trem-bala da Dilma era uma das estratégias pra levar passageiros pra Campinas. Não saiu do papel e, com isso, o aeroporto continuou longe de SP. Resultado? A proposta de devolução da concessão e uma recuperação judicial.

Adorei a experiência e vou usar Viracopos mais vezes. Como diz o ditado, de grão em grão, a galinha enche o papo...

 

28/09/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Meu Mal-Humorado de plantão acordou nervoso.

As Bets foram proibidas, assim, de um dia para o outro. E como é que fica o meu vício? Onde vou perder meu dinheiro? Será que as pessoas só pensam no início de outubro? Pode não ter nada a ver, mas é tudo o que passa na minha cabeça, depois de anos vendo notícias e notícias de que a população está se endividando e nada sendo feito.

Não jogo nas Bets. Acho muito perrengue pra tentar ganhar um dinheirinho. Prefiro levantar as mangas e ir trabalhar. Não que quem jogue também não trabalhe, mas as casas de apostas sempre jogaram com o sonho humano de ficar rico sem fazer esforço.

O clima tinha esquentado nos últimos dias. Os times de futebol, maiores beneficiados pelos mais de um bilhão de reais que receberam em 2025, até fizeram um manifesto falando que o futebol brasileiro iria acabar sem os patrocínios milionários das bets. Não vai. A Fórmula Um sobreviveu ao fim da propaganda de cigarro e vai muito bem obrigado.

As casas de apostas foram regulamentadas em 2023. E aí foi um tsunami de abertura de sites e mais sites. E de apostas com o dinheiro que as pessoas não têm. Começo e fim em menos de quatro anos. Nem a máquina de fax durou tão pouco tempo. Interessante perceber que fora da Terra Brasilis, os países europeus já vinham as proibindo ou restringindo desde 2022. A experiência internacional não valeu pra nada, neste caso.

No final, entendo, mas não compreendo, o que o governo tem feito. As bets se vão, mas as Loterias da CAIXA continuam por aí. "Mas são duas coisas completamente diferentes, Murilo". Sei que passou na sua cabeça, mas conceitualmente são duas formas de apostas. Uma, totalmente regularizada e aceita. Outra, banida sem nenhuma tentativa de regulamentação. Não estou defendendo as bets, mas adoraria poder falar que o ser humano é coerente.

A medida provisória vai durar 120 dias. Ou seja, o novo presidente terá que lidar ou com a aprovação no Congresso, ou com uma possível negociação com as empresas interessadas em se manter vivas. Santo período sabático!

2027 é logo ali...

 

27/09/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Mbappé tem 27 anos. Durante 20 anos, foi patrocinado pela Nike.

Isso é importante pra entender porque sua mudança para a concorrente On tem dado tanto o que falar. Não dá pra negar o ditado americano "Money talks". A expressão quer dizer que o dinheiro manda. As pessoas mudam suas decisões, bastante influenciadas por ele. Esse parece ser o caso.

A empresa europeia ofereceu, entre outras coisas, que ele virasse sócio. Igual ao que fez com o Federer, jogador de tênis que foi o primeiro grande atleta contratado pela fabricante. Duvido que a tecnologia seja tão decisiva quanto a capacidade de fazer o jogador ainda mais rico. Ele já é o melhor jogador da atualidade usando Nike. E sua antiga patrocinadora nunca deve ter economizado pra dar a Mbappé a melhor chuteira que um astro pode desejar.

A On se inicia no mundo das chuteiras com dois pés direitos (não me leve mal... é expressão popular... além do que, sou canhoto). Ter o maior goleador das Copas como integrante do time que montou pra invadir o mundo do futebol é um gol de letra. Thierry Henry, outra lenda francesa, já aposentado, virou o diretor de futebol e ajudou a trazer o moleque. Agora é produzir, lançar e vender.

Do outro lado, parece que as coisas não têm dado muito certo pra americana Nike. Ela perdeu o passo e viu a adidas se dar bem na Copa, perdeu a chance de quebrar a linha de menos de duas horas nas corridas de maratona e precisou trazer o seu antigo presidente pra colocar ordem na casa.

Racionalmente, tudo faz sentido. Nike em crise, On querendo crescer, Mbappé mudando porque vai se tornar sócio do novo patrocinador. Mas quebrar 20 anos de relação não é uma coisa fácil. O jogador e a americana estavam vivendo bem, casamento família Doriana. A européia, mais jovem, veio e atiçou os desejos inconfessáveis do francês. Divórcio feito, agora é lua de mel com a outra, se possível num jantar à luz de velas na Torre Eiffel.

Nike apostou num garoto desconhecido e lucrou muito com isso. Mbappé virou o que virou com todo o suporte da número um em materiais esportivos. Agora é a vez da On mostrar pra que veio.

Como gosto de dizer, ser humano é tudo... menos racional...

 

25/09/2026
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