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6:20h, entro no restaurante do resort.

09/10/2026
Postado por: Murilo Moreno

Vazio, e a atendente está terminando de arrumar a mesa de pães. “Cheguei cedo demais”, penso.

- Ainda não abriu? Solto a pergunta já esperando ser expulso do café da manhã.
- Abre às sete, mas o senhor pode se servir à vontade…

A resposta me surpreende. Estou acostumado a ter que esperar as portas se abrirem, nos vários hotéis que me hospedo. Já entendi que acordo muito cedo pro padrão e nem me incomodo mais com minha barriga roncando. Engraçado que, ao tomar banho já tinha encarado o shampoo e o condicionador como dois alienígenas.

Explico. Não é que eu tome banho só de vez em quando. Mas me veio a lembrança de quando fiquei num hotel em que até o sabonete era pago a parte. Você entra no chuveiro e cadê? Essa lembrança me fez pensar porque a gente espera certas coisas nas nossas relações com as empresas como se fossem obrigações.

São as convenções que vão surgindo e se acumulando nas nossas vidas. Hotel tem que oferecer sabonete e shampoo. Companhias aéreas sempre servem refeições a bordo. Carros sempre têm pneu estepe. E por aí vai.

Convenções limitam a criação, pois viram quase uma obrigação. E quando você questiona, a resposta lembra o personagem Chicó, do Auto da Compadecida: “não sei, só sei que é assim…”

Por outro lado, também condicionam o comportamento do #Consumidor. Você não vai pros hotéis levando seu shampoo favorito. Nem janta antes de um voo internacional.

No fundo, a gente precisa olhar pros nossos produtos e serviços sem a prisão das convenções. A criatividade mora em ver o novo naquilo que virou paisagem.

Ou você faz isso, ou seu concorrente sempre vai entender melhor o seu cliente…

 

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Postado por: Murilo Moreno
O pato que virou cisne no Salão de Paris

O Salão do Automóvel de Paris começou hoje e não está pra brincadeira de criança (hahaha, desculpe o trocadilho infame). Parece que os europeus acordaram e resolveram contra-atacar os chineses. E entre as novidades, a que me chama mais a atenção é a apresentação do carro-conceito Multiplay da Fiat.

Não é uma SUV, não é uma MPV, nem é uma pickup. É os três ao mesmo tempo e isso me lembra um pato: não voa direito, não nada direito, nem nada. Mas é, ao mesmo tempo, um cisne... lindo. O comercial criado para divulgar a novidade é ainda melhor, pois conta as inovações que a montadora trouxe aos longo dos anos, no seu modelo esquisito Multipla. O bom é que o "neto" do primeiro modelo, dos anos 1950, agora, além de bonito, é divertido.

Inventaram um teto que funciona ao contrário do teto solar. Você aperta um botão e ele corre pra frente e transforma o carro numa pickup. Aperta de novo e ele volta a ser uma MPV (Multi Purpose Vehicle, ou Veículo Multiuso, ou... pato). Legal é ver que promoveram os pets a um membro real das famílias, com direito a assento próprio. Só isso já seria motivo pro carro vender que nem água. O vídeo ainda mostra o Multiplay virando um deck pra tomar sol. E, tudo, com um conceito espetacular: O jeito Fiat de fazer carros e milagres, embalado pela música My Way do Sinatra.

A briga contra os chineses está virando séria mesmo e a montadora italiana resolveu colocar todo o bloco na rua. Chega oficialmente no mercado a família Grizzly, um SUV e um fastback, que correm o risco de chegar em Terra Brasilis, depois do Argo X, que deve estrear até 2027. Lá na Europa, tudo chega em versões elétricas, combustão ou um pouco dos dois, as híbridas. Por aqui, só o tempo dirá...

Passado o encantamento, o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim me chamou a atenção pra #marca Fiat colorida. Será que vem aí mais uma mudança, ou é só pra comemorar as novidades? No site e no comercial, a novidade em cores e a tradicional branca convivem lado a lado. Mas venhamos e convenhamos. A colorida é mais divertida e combina melhor com o Multiplay.

Sei lá, mas acho que a Fiat está inaugurando um novo segmento de carros... você compra quatro rodas e leva diversão pra casa...

12/10/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Volkswagen Caminhões entra no jogo das vans

Volkswagen Caminhões fez com a Mercedes Benz o que a Fiat fez com a Volks: roubou a liderança de mercado pouco mais de duas décadas depois de ter fincado os pés em Terra Brasilis. No caso dos pesados, a alemã demorou 22 anos depois do fim da Autolatina. Para a italiana, foram 25 anos. Coincidentemente, as quatro estão disputando liderança em 2026.

Mercedes está pouco menos de meio porcento na frente. É um nada. Qualquer vacilo e perde a posição. Freou depois na curva e o concorrente passa. Pelo seu lado a Volks já anunciou que vai turbinar seu motor, entrando no mercado de Vans, de carga e passageiros, com um modelo importado da... China! Pois é, parece que todo mundo está olhando praquele país como a solução de todos os problemas. E é de lá que virá a van Saic Maxus com a bolacha da fabricante da Kombi.

Aliás, é curioso ver o comercial que a montadora colocou no Youtube e que está veiculando em meios como o Valor Econômico. Começa exatamente com a antiga Kombi, a que inaugurou a fabricação brasileira da sua coirmã de carros de passeios. Ou seja, resgata o modelo dos anos de 1950 para, sutilmente, dizer que tem knowhow. Ela questiona o ditado popular que diz que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar pra falar que a nova van seria a nova geração de produtos da marca. Sete raios, sete gerações.

O modelo vai ser apresentado oficialmente no #Fenatran, a feira de veículos comerciais que acontece em São Paulo, em novembro, e vai ser vendido na sua rede. Resta imaginar que a versão de passageiros pode, num futuro, estar também nas mais de 470 concessionárias de automóveis (e quem sabe até a de carga). Fiat não tem a Ducato? Porque a Volks não poderia também?

Se der tudo certo, o movimento vai dificultar a volta da Mercedes ao ponto alto do podium, pelo menos em 2027, pois a Sprinter parece nunca ter sido levada a sério pela empresa. Potencial tem, mas vai e volta ao sabor do câmbio. Agora resta saber o que vai acontecer no mercado de carros de passeio, que também está em ebulição.

Por essas e outras que vivo repetindo: Adoro essas aulas de marketing ao vivo!

11/10/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Até ladrão na Europa é chique

Se esse roubo não virar filme, pelo menos o livro vai virar um bestseller. Você já sabe do que eu estou falando: o roubo de 30 mil garrafas de vinhos, da Marchesi Antinori, na Itália, que juntas valem mais de 28 milhões de reais. Apesar de eu saber que existem pessoas que possuem adegas caríssimas, nunca pensei que houvesse algum tipo de ladrão pra isso.

Mas, peraí! Não foi na terra dos romanos que também roubaram um caminhão de Kit Kat? Dá pra perceber é que os meliantes italianos têm bom gosto… Eu tenho uma teoria de que existe um certo tipo de ladrão que acorda, toma café com os filhos, dá um beijo na esposa e diz: "vou trabalhar e daqui a pouco eu volto". Aí, passa o dia inteiro imaginando um jeito de ganhar dinheiro sem ser pego pela polícia. Ou seja, o máximo de retorno com o mínimo de risco.

Pela facilidade com que os ladrões entraram no fim de semana no depósito da vinícola, desligaram o sistema de segurança, encheram dois caminhões com as 30 mil garrafas e desapareceram, essa empresa não deve ter Verisure. Fiquei lembrando os comerciais falando que, a qualquer movimento, o alarme manda mensagem pra polícia, e pensando que as câmeras da vinícola são somente pra reproduzir o que aconteceu. Mais ou menos, como um filme na sessão da tarde. Você até assiste, mas já sabe o final.

O interessante é lembrar que esse não é o primeiro roubo deste tipo em 2026. Assaltaram também a Barolo, talvez pra treinar, e agora arrebentaram a boca do balão. Se idade fosse experiência, a Marchesi Antinori seria a empresa mais difícil de ser roubada do mundo, já que existe desde 1385…

Bom lembrar os salafrários que os vinhos são todos marcados com selo anti fraude. Quer dizer que, se houver tsunami de vinhos caros sendo vendidos a preço de banana, vai ser fácil saber se veio desse lote. Mas sempre que vejo um roubo como esse, fico pensando quem vai aceitar receber a mercadoria. Sempre tem um receptor, pois ladrão não trabalha de graça. A não ser que os sete italianos desejem tomar um pileque histórico.

De todo modo, já estou esperando a campanha de marketing da Marchesi Antinori a la Nestlé. Se com chocolate de R$ 2,50 a agência conseguiu fazer história, acredito que uma garrafa de quase dois mil reais deixe a criação ainda mais criativa.

No final, o que mais me impressiona é que até ladrão, na Europa, é chique…

 

10/10/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Uma informação que minha amiga Renata Alcalde me deu num almoço me deixou assustado.

No Brasil, a Creator Economy já gera um mercado quase tão grande quanto toda a verba do mercado publicitário. São 53 bilhões de reais versus 64 bi da publicidade. Enquanto a propaganda é uma realidade quase centenária, os menos de 20 anos do mundo da influência já fizeram uma revolução no jeito dos anunciantes falarem com seus consumidores. 57% das empresas declaram que irão aumentar seus esforços nesse novo filão de comunicação.

Existe um certo preconceito contra quem vive de influência, parte gerada pelos novos milionários das dancinhas de TikTok. Só que é cada vez mais comum se ver alguém sacar o celular do bolso e começar a falar com uma audiência que você não sabe bem quem é. Quem foi mordido pelo “dinheiro fácil” da creator economy perde todas as vergonhas de se exibir publicamente.

Quando coloco entre aspas é porque a facilidade de se produzir conteúdo é uma falsa sensação, pois esconde todo o esforço necessário para se ter sucesso nesse novo mundo da influência. A grande verdade é que a creator economy é muito mais do que o influencer na frente da câmera. Atrás dela tem produtor, agência, marca, contrato, métrica, briefing ruim e alguém pedindo “só mais um ajuste” à meia-noite. Ou seja: virou mercado.
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Enquanto seu olhar é ainda meio atravessado pra todos esses adolescentes dançando e fazendo careta, o dinheiro que você acha que merece, por ser especialista em algum assunto, tem ido pro bolso de quem já entendeu a nova dinâmica. A Creator Economy é esse mundo novo de boca-a-boca digital que consegue incomodar até a antiga rainha do pedaço, a Vênus Platinada. Afinal, um contrato com a Silvia Braz pode custar o mesmo que uma inserção no Jornal Nacional, mas vem com o aval de alguém em que as pessoas confiam. Pelo número de ações da influenciadora, cada post que ela publica faz a caixa registradora dos seus patrocinadores funcionar.

A ESPM montou uma pós para tentar organizar esse zoológico. Renata coordena a turma. Eu, que ainda tenho vergonha de gravar vídeo em público, fiquei até com vontade de voltar para a carteira. Péssimo sinal… Ou ótimo…

 

08/10/2026
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