Estava lendo uma reportagem da Bloomberg e vi uma placa de sinalização da cidade de Oizumi (foto), uma cidade que fica a duas horas de Tóquio na prefeitura de Gunma. No mínimo vemos 5 línguas além do japonês, o inglês, chinês, coreano, português e espanhol.
Lembro-me da primeira vez que fui ao Japão em que só tinham placas de sinalização em japonês. Uma curiosidade, como sou descendente de japoneses e não dá para esconder a cara, quando pedia informações na língua japonesa que eram óbvias, mas que na época eu não conseguia ler, as pessoas me olhavam e diziam: não sabe ler não, tá escrito aí? Essa atitude embora antipática, era compreensível há 30 anos atrás.
Entretanto, quando vejo uma sinalização como essa numa cidade do interior, é uma clara indicação da grande transformação que o Japão está sofrendo.
Há muitos anos o Japão não cresce e ainda envelhece demograficamente. Isso significa que o custo aumenta com o envelhecimento da população e a força de trabalho diminui. Pode ser que esse seja um dentre vários fatores para a estagnação do Japão nos últimos anos.
A restrição dos japoneses em relação a entrada de imigrantes estrangeiros é sabida, mas alguns números indicam que o país começa a se mexer para reverter a situação. Os dados do ministério do trabalho do Japão, indicam que a população de imigrantes triplicou na última década e chegou aos 2 milhões, porém esse número ainda parece baixo já que representa somente 2% da população. Esses imigrantes estão atendendo principalmente a demanda de produção, serviços, vendas e construção.
Como o país continua envelhecendo e os japoneses são conhecidos pela maior longevidade, significa que para sustentar a economia do país e ainda crescer, precisarão de muito mais força de trabalho e, portanto, de mais imigrantes.
O Japão é rico, seguro, tecnologicamente avançado, com educação e serviços de altíssima qualidade, tudo para ser um país perfeito. Entretanto enfrentam uma grande dificuldade com a força de trabalho.
O Brasil está ainda longe do Japão, precisa de mais qualificação da mão de obra, mas parece que a necessidade da força de trabalho para movimentar a economia de um país é muito parecida. As pessoas são fundamentais para as empresas existirem, para um país funcionar e a economia crescer. O nível de desemprego no Brasil está caindo, em novembro de 2023 segundo o IBGE atingiu 7,5%, é o menor índice desde 2014.
O que você acha? Que o Japão vai finalmente voltar a crescer com o reforço de trabalho dos imigrantes, depois de um longo período de estagnação?
E o Brasil, vai finalmente investir pesado em educação e melhorar a qualificação da mão de obra e com isso contribuir para um crescimento mais robusto nos próximos anos?

Foram tantas as pessoas pedindo pra eu falar do comercial da Pepsi que aqui estou eu. Antes de mais nada, vale dizer que amei. Criatividade na veia, colocar o símbolo da Coca Cola, construída tão pacientemente, pra trabalhar pra ela. A cara do urso ao descobrir que gostou mais do gosto da Pepsi, durante o teste cego, é impagável. Criatividade 10.
A marca teve sua fase áurea, nos anos de 1980, quando falava pro público, se colocando como a bebida da nova geração. Foi talvez o momento máximo da Pepsi, que, inclusive, chegou a ultrapassar a rival, no mercado americano. Suas armas eram simples. Muito teste cego, comerciais criativos com celebridades e provocação aberta à Coca.
Mas Coca permaneceu no seu caminho, fingindo que nada estava acontecendo. Aliás, na verdade ela sentiu o golpe, lançou a New Coke, imitando o sabor de Pepsi, foi um fracasso de vendas, mas um sucesso, ao fazer a companhia entender que o consumidor queria não era o gosto, mas as lembranças afetivas que o refrigerante trazia.
Pepsi se perdeu no caminho, mais preocupada em ganhar dinheiro com os snacks, tipo Elma Chips e Lays. Agora, de 2023 pra cá, parece que voltou a se achar. Jogou fora um logotipo horroroso e voltou com o clássico, o mesmo dos anos 80. E aproveita o Super Bowl pra voltar a cutucar a dona do Papai Noel.
Está tudo lindo, aula de marketing ao vivo perfeita. Minha única dúvida é se isso é só uma boa ideia que alguém aprovou, ou se a Pepsi realmente voltou pro jogo. Como diz o ditado, uma andorinha só não faz verão.
De todo jeito, já é meu comercial favorito de 2026...
Pra quem saiu do frio congelante de menos 15, de Nova York, os nove graus que fazem agora, em Las Vegas, dão a sensação de que estou em plena praia de Copacabana, no meio do verão. Já estou pronto para o NADAShow 2026, o congresso anual dos concessionários americanos, que sempre ditou a moda no mercado e que começa amanhã.
Interessante falarmos de clima, pois é assim que vejo o que vem acontecendo com o Nada. Em 2024, foi um evento morno, que mostrava que ninguém tinha certeza de nada. O bicho papão era o carro elétrico, toda montadora queria um pra chamar de seu, o carro autônomo tinha perdido importância e o carro conectado era visto como salvação da lavoura.
Em 2025, foi a vez da nevasca em New Orleans. Além da metade dos inscritos não terem chegado, o mercado automotivo parecia congelado. O elétrico foi deixado de lado, a inteligência artificial não foi quase citada e o grande discurso era "temos que voltar a fazer bem o básico". Nem os chineses apavoravam as pessoas, pois a barreira imposta pelo Governo deixou todo mundo meio cego.
Agora, 2026! A previsão do ano passado do consultor Glenn Mercer parece que se concretizou. Depois de ler todas as palestras que vão ser feitas, digo que o Nada Show vai ser um congresso maduro. Tudo voltado para fazer o básico corretamente. O que não tinha em 2025, a IA, neste ano tem de monte. Só que agora é pra ajudar a operação a dar dinheiro. Não tem sonho não. É mais uma mão de obra pra ajudar a vender mais carro. Híbrido, de preferência.
E pra você que me lê e vai estar no NADA, este ano tem novidade. A Sequoia criou um aplicativo de IA que simplifica a agenda das mais de 160 palestras e dos mais de 600 estandes. Você pergunta "qual a melhor palestra sobre..."e ela lhe fala, resumindo porque é boa pro mercado brasileiro e lhe dizendo onde vai ser.
Interessou? Mande uma mensagem pra mim, que lhe mando o link. É meu presente pra fazer esse mundo mais simples.

Uma loja fechada na rua que já teve o mais caro aluguel do mundo, e que as empresas brigavam para colocar sua cara. Pra piorar, os papelões e o lixo na porta são sobras de algum mendigo que deve ter dormido por ali.
Tem mais de 30 anos que visito Nova York. Devo confessar que sou apaixonado por ela, assim como amo São Paulo. Descobri que sou 100% cosmopolita, aquele tipo de ser que não consegue viver sem engarrafamento, filas nos restaurantes e estresse. Por isso, aproveitei minha viagem para o NADAShow e dei uma parada de um dia na Capital Mundial do Marketing.
O frio me fez pensar se foi uma boa decisão. Menos quinze graus, sensação de menos 21. Mas sou brasileiro, não desisto nunca. E lá fui eu pra Times Square, pro Rockefeller Center, pra 5a Avenida. E, no caminho, fui vendo uma cidade menos divertida, menos charmosa, um pouco envelhecida.
Os sinais de que a cidade está empobrecendo aparecem por todos os lados. Sabe quando o camelô estica as mercadorias no chão, em cima de um pano, pra ficar fácil de recolher tudo e sair correndo da polícia? Tem. Sabe shoppinzinho de lojas pequenas, todas vendendo eletrônicos "Meide in China"? Tem. Sabe pedinte na porta das lojas falando "uma esmolinha, pelo amor de Deus?" Tem. Aliás, sempre teve, mas em Chinatown, não na região rica de Manhattan.
Por outro lado, foi só o sol esquentar um pouco pras pessoas aparecerem e lotarem as lojas e as ruas. Poucos japoneses, nenhum chinês, muitos mexicanos. O que dá pra perceber é que os asiáticos não precisam mais dar a volta no mundo pra fazer turismo. Shanghai está logo ali. Talvez seja pra lá que eu precise ir na próxima viagem.
Mas Nova York não perdeu todo seu charme. Tem novidades como o Eataly Caffé, ou as filas na Fao Schwarz, que encantam e fazem o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim ficar excitado e não querer voltar pro hotel. Ms isso fica pra outro post...
De toda forma, a sensação que fiquei é de que Nova York precisa de outra campanha como foi a "I ?? NY". Resta saber se os novos dono do mundo vão deixar...

Entrei no banheiro da área de desembarque do terminal 2 e, antes mesmo de respirar, o mau cheiro entrou pelo meu nariz. Pensei: "Como pode? Esse é o nosso maior aeroporto, aquele que representa o Brasil para o mundo...". Ontem à noite, onde estava de novo? Guarulhos! Só que no terminal dos voos internacionais, saindo pra ir participar do NADAShow.
Fui novamente no banheiro esperando o horror do dia anterior e, pra minha surpresa, achei um lugar limpo e cheiroso. Isso graças ao patrocínio do Freeco, aquele produto que apareceu do nada, de repente, e virou moda em dez entre dez banheiros de empresa. A promessa do produto não é deixar o ambiente com um cheiro bom, mas eliminar o fedor que o número dois, às vezes, deixa pra trás.
Freeco apareceu em 2015 e em dez anos virou um fenômeno. Já em 2024 faturava R$ 65 milhões, além de exportar para países como os Isteites e produzir outros produtos, como lenços umedecidos e sprays contra mal hálito e contra chulé. A empresa até trocou de nome para Free Brands e virou uma guerreira contra os maus odores que existem e nos incomodam.
Mas esse é um produto difícil de anunciar. Apesar de ser uma coisa normal fazer o número um e o número dois, a gente tem tanto preconceito que evita chamar pelo nome coisas que saem de dentro de nossos corpos. Ou seja, são partes de nós mesmos, mas que queremos distante, como se fossem doenças. E só piora, quando o cheiro vem do No 2 de outra pessoa.
Então, amei esse patrocínio dos banheiros do aeroporto. Não havia forma de ser mais adequado. Patrocínio certo no lugar certo. Só faltou uma vending machine pra fechar o ciclo. Ai, o consumidor tomaria conhecimento da solução da Freebrands e já compraria o produto por impulso.
Adorei essa aula de marketing ao vivo. Os professores da Freeco estão de parabéns. Só fiquei me perguntando porque quem chega no terminal doméstico, o de pobre, não tem direito a um banheiro cheirozinho…
