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Acho que os concorrentes devem todos se sentar numa mesma mesa e combinar movimentos conjuntos.

08/05/2024
Postado por: Murilo Moreno

Estou falando de sorvetes, picolés, esse tipo de produto. Na mesma semana a Bacio di Latte anunciou a abertura de sua primeira loja dedicada somente a picolés. E a Granado definiu a abertura de sua sorveteria em SP. É muita novidade pra tão pouco espaço de tempo.

Bacio di Latte se mantém com apetite de crescimento. É impressionante. Atingiu 175 lojas, todas próprias, e continua sua expansão sem franquias. Vem fazendo direitinho a lição de casa: primeiro cresceu em cobertura geográfica, depois passou a diversificar produtos, lançando chocolates e licores, aí criou produtos para venda em supermercados, começou a flertar com o exterior, onde já tem quatro lojas, e agora inicia a especializar seus ponto de vendas. No meio dessa trajetória, ainda lançou sua divisão voltada para eventos... Haja energia!

Sua primeira loja especializada em picolés virou sucesso imediato. Pertinho da minha casa, fui até lá pra descobrir que a fila saia de dentro do Shopping Patio Higienopolis em direção à avenida. Desisti de provar. Eles tinham ensaiado um balão de ensaio no meio do ano passado, abrindo um quiosque na praia de Ipanema, no Rio. Mas, agora, já não é mais teste. Deve virar outra tentação, com pontos espalhados por toda parte.

No paralelo, o que parecia ser uma loja temporária está se transformando numa nova rede de sorveterias. Lembra que em janeiro a Granado abriu sua versão gelada, também em Ipanema? Que era pra durar só três meses? Pois três viraram seis e, agora, de uma loja vai acrescentar mais duas, que abrem dia 8 aqui em Sampa. Está me cheirando a um começo de dezenas de novos pontos.

O mercado de gelados no Brasil continua crescendo. Só sorvetes subiu 15% em 2023 e a previsão são mais 5% este ano. Bateu mais de 16 bilhões de reais. Bacio não chegou ainda nem a um bilhão... Granado mal começou...

Esse é um mercado bem pulverizado, com mais de sete mil empresas. Mundo perfeito para aquisições e fusões. Bacio podia até aproveitar a liquidação que a hashtag#Unilever está fazendo e comprar a Ben & Jerry's, se transformando numa multinacional de fato. Quem sabe?

Como diz o ditado: "Enquanto uns choram, outros vendem lenços..."

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Postado por: Murilo Moreno
Lendo sobre os movimentos da inglesa Unilever nestes últimos dias...

Lendo sobre os movimentos da inglesa Unilever nestes últimos dias, foi impossível não pensar que ela está buscando um par pra casar uma de suas filhas, no caso, sua divisão de alimentos. No mesmo dia, saíram as notícias de que sua fusão com a americana Kraft Heinz não deu certo e de que a Mc Cormick está arrastando as asas pro seu lado. Em tudo me lembra novela mexicana, em que todos os amores são exagerados.

Primeiro, Heinz desiste de se separar da Kraft. As duas se fundiram sob as bençãos do Warren Buffett e do trio de ouro dos brasileiros liderados por Jorge Paulo Lemann, em 2015. Pouco mais de 10 anos, virou briga entre os ex-sócios, com uma separação nada amigável. E como sempre os filhos é que sofrem, os pais decidiram que a união não deu certo e tudo precisaria volta a ser como antes. A separação das marcas não chegou a acontecer, pois um novo presidente assumiu e resolveu tentar mais uma vez. Coisa de terapia de casais.

Ai, a KraftHeinz olha pro lado e vê a Unilever brigando com sua filha, a divisão dona de Hellmanns e Knorr. Não existe momento melhor para um galanteio. E entre um envio de flores e uma caixinha de bombons, tentaram um casamento. A americana vale U$ 25 bilhões, a inglesa, U$ 33 bi. Uma união de quase iguais. Poderia dar certo...

Mas aí aparece a rival, a McCormick, e no meio das trocas de juras de amor, declara sua paixão pelas marcas que a Unilever quer vender. A mãe, preocupada com o futuro da filha, desmancha o antigo namoro sem muita explicação, e começa a falar de como os netos podem ser bonitos, se os dois se juntarem.

Porém é um casamento onde as classes sociais são muito diferentes. A divisão de alimentos da Unilever tem o dobro do tamanho da McCormick. Lembra? São os mesmos 33 versus 15 bilhões de dólares da nova candidata. Vai ser muito custoso pra quem compra manter o apetite por investimento da divisão que vai ser comprada.

A novela está chegando ao final? Não sei... Só sei que, depois dos sorvetes, agora é a vez da Unilever pensar em se livrar dos alimentos. Mas como toda novela que se preza, tudo pode mudar, de um capítulo para o outro.

A gente fica aqui, dando audiência pra essa história e torcendo pela mocinha...

 

23/03/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Vou começar falando do mercado em geral pra entender o fenômeno nas vendas de automóveis em Terra Brasilis

A moda agora é colocar as chinesas em choque com as tradicionais, como se fossem blocos que agem em conjunto. Uma espécie de papo binário. Somos nós contra eles.

Nada mais mentiroso. Mesmo com todo barulho dos elétricos, híbridos e preços inacreditáveis dos novos entrantes, em 2025 a VW conseguiu crescer. 1,2% de market share. Não é um crescimento pequeno. No mesmo período, Fiat e Jeep mantiveram seus mercados, Honda ganhou 0,4% e todas as demais no grupo das dez maiores despencaram, lideradas pela Chevrolet. Pra entender melhor, é só lembrar que o crescimento da VW é quase igual ao da BYD...

Por outro lado, não existe um bloco chinês. As mais antigas em nosso país, Chery, BYD e GWM, têm participação que as fazem ser consideradas nos rankings. Omoda começa a aparecer. As demais, como GAC, Zeeker, MG e outras tantas, ainda estão maturando e pode ser que em 2027 cheguem a sair do quase zero de MS. O grande problema é que começam a brigar entre si e isso pode virar uma autofagia, chinesa devorando chinesa.

No meio disso tudo, o mês de março traz um retrato novo e estranho no ranking de carros mais vendidos nas concessionárias. Ou seja, aqueles somente para quem entra na loja, sem os comercializados diretamente pelas fábricas. É parcial, mas assustador.

Pela primeira vez, não existe nenhuma marca tradicional entre os três mais vendidos. Dolphin Mini assume a liderança pelo segundo mês consecutivo, seguido pelo Creta e pelo Tiggo 5x. BYD, Hyundai e Chery. A mais velha entre as três chegou no Brasil em 1999. Importada. As três já têm fábrica no país e planos de crescer.

Então, apesar das chinesas todas somadas representarem menos de 13% das vendas, realmente o mercado está se transformando. E se olharmos mais a fundo, vamos ver que somente um dos três mais vendidos é realmente eletrificado.

O mês não acabou e sempre tem surpresas nos últimos dias. De toda forma, dá pra usar aquela velha máxima: o futuro não será como era antigamente.

 

22/03/2026
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Postado por: Murilo Moreno
A Nestlé acaba de demitir o George Clooney.

Vinte anos de dedicação, resultados fantásticos de imagem, dezenas de comerciais repetindo o mesmo bordão, e nada disso adiantou. O ator não vai ser mais a cara de Nespresso, que ganha uma nova celebridade pra chamar de sua, a Dua Lipa.

Claro que isso tudo é uma brincadeira. George, inclusive, vai passar o bastão oficialmente numa nova campanha em que atuará ao lado da cantora. No fundo, tenho dó dela, que vai sentir toda a pressão de segurar a bandeira que o ator carrega desde 2006.

Talvez esse seja o casamento de maior sucesso que conheço entre uma marca e uma celebridade. Existe uma Nespresso antes e outra depois de George. Em 2005, um ano antes da parceria, a empresa relatava que tinha somente 39 lojas da marca de café no mundo. Em 2025, os relatórios oficiais dizem que já são 818. 21 vezes mais. Lógico que tudo anda em paralelo, o planejamento de novas lojas, desenvolvimento de produto, distribuição. Mas Clooney falando "What Else?", com todo o charme que possui, colocaram as cápsulas da marca muito acima da concorrência.

Agora vem a Dua Lipa, com a missão de manter a imagem na estratosfera, ao mesmo tempo que torna a nova máquina de espressos, a Vertuo, conhecida. A cantora é carta repetida em campanhas publicitárias. Já anunciou as águas Evian, os celulares da iPhone, aos perfumes de Yves Saint Laurent, pra dar alguns exemplos. Mas esse talvez seja seu maior desafio. Clooney colocou a barra muito alta.

Vivo repetindo que consistência é o ponto mais importante na construção de marca. Adoro dar Nespresso e Clooney como exemplo. Agora, teremos uma nova aula de marketing ao vivo se iniciando. Como manter a consistência, com uma mudança tão grande.

Independente do resultado, creio que Nespresso vai passar de ano...

 

21/03/2026
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Postado por: Murilo Moreno
A ideia é simples e simpática.

Nestlé pensou: "Se as pessoas já chamam seus cães e gatos pelo nome dos nossos chocolates, que tal darmos um presente pra elas? Vamos pagar o Naming Right delas!"

E foi isso que a marca fez, uma promoção via Instagram na qual basta você provar que seu Pet tem o nome de um dos produtos pra ganhar um voucher de R$ 162,00 no Ifood. Uma semana só, três posts e, de acordo com a empresa, 2.500 vouchers já emitidos. Dá quase meio milhão de reais.

Brasil é a segunda maior população de cachorros do mundo. Gatos? Somos a sexta. Mas quando olhamos a proporção de pets versus humanos, a comparação fica ainda mais bizzarra. Existe um animal de estimação pra cada quatro humanos na Terra. Dois bilhões versus oito bi. Aqui, a coisa é muito mais alta: 170 milhões de pets pra 213 milhões de brasileiros. Ou seja, pra cada 10 tupiniquins, oito animaizinhos. Quase um pra um.

Quando meu pet, o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim, olha pra campanha e pro seu imediato sucesso, duas coisas ficam claras. Primeiro, que as pessoas amam seus animais de estimação e se engajam facilmente em campanhas que reconheçam esse amor. Segundo, que Nestlé está fazendo somente uma campanha de imagem, já que, por enquanto, não existe nenhum chocolate pros filhinhos de quatro patas. Até porque o produto faz mal pra eles.

Estranho pensar que a campanha foi toda criada sem a participação da Purina, líder mundial de ração para pets e que pertence à própria empresa. Mostra claramente os silos que existem entre divisões das multinacionais. O bolso esquerdo não conversa com o direito. O prêmio, em comidas no Ifood, desde que envolva uma compra da Nestlé no pacote, poderia ser todo em produtos Dog Chow. E tem nome de chocolate da Garoto no regulamento, mas não tem Chow Chow, por exemplo. Faltou um simples telefonema...

De todo modo, a promoção prova que pets são a nova fronteira do varejo nacional. A média mensal de gastos dos brasileiros com seus pets é de R$ 350,00. São 77 bilhões de reais por ano. Muito mais do que gastamos com chocolates, um mercado de quase 24 bilhões, três vezes menor.

Acho que está na hora da Purina lançar uma linha sabor chocolate. Ou da Nestlé colocar no mercado um Kit Kat sabor Dog Chow...

 

20/03/2026
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