É impressionante como algumas questões têm decisões diferentes na justiça das Terras Brasilis dependendo de quem esteja julgando. Há dois anos, a rede de sanduíches Madero ganhou o direito de voltar a usar o slogan “O Madero faz o melhor hambúrguer do mundo”. Estranhamente, ela tinha sido questionada pela Burger King, num momento de rabugice, mal-humor mesmo, pois a marca americana vive usando e abusando de provocações e artimanhas em suas comunicações.
BK alegou que a concorrente não podia se vangloriar de ser o melhor, sem provar. O Supremo Tribunal Federal considerou que o consumidor era grandinho o suficiente para entender que aquilo era uma figura de linguagem. Do mesmo jeito quando alguém fala que sua mãe é a melhor mãe do mundo. Todo mundo entende, de acordo com o STF, que isso é marketing e, por isso, pode desconsiderar.
Aí vem o Coco Bambu e, de uma forma até humilde, fala que é o melhor restaurante do Brasil. Nem falou que era do mundo. Se contentou de ser o melhor somente para os 215 milhões de brasileiros e brasileiras. Mas a rede americana Outback se incomodou e entrou na justiça, depois de uma reclamação no Conar. Perdeu e foi proibida de continuar reclamando.
Ai, quem foi pra segunda instância foi o Conar. Que ganhou e viu o juiz proibir o restaurante de peixes de se auto-vangloriar como o número um. Esse novo julgamento considerou que esse tipo de exagero só pode ser usado quando for fantasioso ou subjetivo. E ser o melhor é um fator objetivo, de acordo com o juiz.
Para o relator do caso, se falasse que era o restaurante mais saboroso até podia. Ou o mais bonito, pois depende da opinião pessoal de quem fala. Mas melhor? Para ele, isso é objetivo suficiente para ser exigido comprovação.
A justiça americana utiliza-se o conceito de prevalência. Se um tipo de caso já foi julgado anteriormente, a sentença mais antiga é base pra decisão. No Brasil, parece que estamos mais para "cada cabeça, uma sentença"...
Cabe ainda recurso no hashtag#STF. Quem sabe o resultado não volte a mudar?
PS - Independente do que os juízes achem, a minha mãe era a melhor mãe do mundo. Indiscutivelmente...

Foram tantas as pessoas pedindo pra eu falar do comercial da Pepsi que aqui estou eu. Antes de mais nada, vale dizer que amei. Criatividade na veia, colocar o símbolo da Coca Cola, construída tão pacientemente, pra trabalhar pra ela. A cara do urso ao descobrir que gostou mais do gosto da Pepsi, durante o teste cego, é impagável. Criatividade 10.
A marca teve sua fase áurea, nos anos de 1980, quando falava pro público, se colocando como a bebida da nova geração. Foi talvez o momento máximo da Pepsi, que, inclusive, chegou a ultrapassar a rival, no mercado americano. Suas armas eram simples. Muito teste cego, comerciais criativos com celebridades e provocação aberta à Coca.
Mas Coca permaneceu no seu caminho, fingindo que nada estava acontecendo. Aliás, na verdade ela sentiu o golpe, lançou a New Coke, imitando o sabor de Pepsi, foi um fracasso de vendas, mas um sucesso, ao fazer a companhia entender que o consumidor queria não era o gosto, mas as lembranças afetivas que o refrigerante trazia.
Pepsi se perdeu no caminho, mais preocupada em ganhar dinheiro com os snacks, tipo Elma Chips e Lays. Agora, de 2023 pra cá, parece que voltou a se achar. Jogou fora um logotipo horroroso e voltou com o clássico, o mesmo dos anos 80. E aproveita o Super Bowl pra voltar a cutucar a dona do Papai Noel.
Está tudo lindo, aula de marketing ao vivo perfeita. Minha única dúvida é se isso é só uma boa ideia que alguém aprovou, ou se a Pepsi realmente voltou pro jogo. Como diz o ditado, uma andorinha só não faz verão.
De todo jeito, já é meu comercial favorito de 2026...
Pra quem saiu do frio congelante de menos 15, de Nova York, os nove graus que fazem agora, em Las Vegas, dão a sensação de que estou em plena praia de Copacabana, no meio do verão. Já estou pronto para o NADAShow 2026, o congresso anual dos concessionários americanos, que sempre ditou a moda no mercado e que começa amanhã.
Interessante falarmos de clima, pois é assim que vejo o que vem acontecendo com o Nada. Em 2024, foi um evento morno, que mostrava que ninguém tinha certeza de nada. O bicho papão era o carro elétrico, toda montadora queria um pra chamar de seu, o carro autônomo tinha perdido importância e o carro conectado era visto como salvação da lavoura.
Em 2025, foi a vez da nevasca em New Orleans. Além da metade dos inscritos não terem chegado, o mercado automotivo parecia congelado. O elétrico foi deixado de lado, a inteligência artificial não foi quase citada e o grande discurso era "temos que voltar a fazer bem o básico". Nem os chineses apavoravam as pessoas, pois a barreira imposta pelo Governo deixou todo mundo meio cego.
Agora, 2026! A previsão do ano passado do consultor Glenn Mercer parece que se concretizou. Depois de ler todas as palestras que vão ser feitas, digo que o Nada Show vai ser um congresso maduro. Tudo voltado para fazer o básico corretamente. O que não tinha em 2025, a IA, neste ano tem de monte. Só que agora é pra ajudar a operação a dar dinheiro. Não tem sonho não. É mais uma mão de obra pra ajudar a vender mais carro. Híbrido, de preferência.
E pra você que me lê e vai estar no NADA, este ano tem novidade. A Sequoia criou um aplicativo de IA que simplifica a agenda das mais de 160 palestras e dos mais de 600 estandes. Você pergunta "qual a melhor palestra sobre..."e ela lhe fala, resumindo porque é boa pro mercado brasileiro e lhe dizendo onde vai ser.
Interessou? Mande uma mensagem pra mim, que lhe mando o link. É meu presente pra fazer esse mundo mais simples.

Uma loja fechada na rua que já teve o mais caro aluguel do mundo, e que as empresas brigavam para colocar sua cara. Pra piorar, os papelões e o lixo na porta são sobras de algum mendigo que deve ter dormido por ali.
Tem mais de 30 anos que visito Nova York. Devo confessar que sou apaixonado por ela, assim como amo São Paulo. Descobri que sou 100% cosmopolita, aquele tipo de ser que não consegue viver sem engarrafamento, filas nos restaurantes e estresse. Por isso, aproveitei minha viagem para o NADAShow e dei uma parada de um dia na Capital Mundial do Marketing.
O frio me fez pensar se foi uma boa decisão. Menos quinze graus, sensação de menos 21. Mas sou brasileiro, não desisto nunca. E lá fui eu pra Times Square, pro Rockefeller Center, pra 5a Avenida. E, no caminho, fui vendo uma cidade menos divertida, menos charmosa, um pouco envelhecida.
Os sinais de que a cidade está empobrecendo aparecem por todos os lados. Sabe quando o camelô estica as mercadorias no chão, em cima de um pano, pra ficar fácil de recolher tudo e sair correndo da polícia? Tem. Sabe shoppinzinho de lojas pequenas, todas vendendo eletrônicos "Meide in China"? Tem. Sabe pedinte na porta das lojas falando "uma esmolinha, pelo amor de Deus?" Tem. Aliás, sempre teve, mas em Chinatown, não na região rica de Manhattan.
Por outro lado, foi só o sol esquentar um pouco pras pessoas aparecerem e lotarem as lojas e as ruas. Poucos japoneses, nenhum chinês, muitos mexicanos. O que dá pra perceber é que os asiáticos não precisam mais dar a volta no mundo pra fazer turismo. Shanghai está logo ali. Talvez seja pra lá que eu precise ir na próxima viagem.
Mas Nova York não perdeu todo seu charme. Tem novidades como o Eataly Caffé, ou as filas na Fao Schwarz, que encantam e fazem o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim ficar excitado e não querer voltar pro hotel. Ms isso fica pra outro post...
De toda forma, a sensação que fiquei é de que Nova York precisa de outra campanha como foi a "I ?? NY". Resta saber se os novos dono do mundo vão deixar...

Entrei no banheiro da área de desembarque do terminal 2 e, antes mesmo de respirar, o mau cheiro entrou pelo meu nariz. Pensei: "Como pode? Esse é o nosso maior aeroporto, aquele que representa o Brasil para o mundo...". Ontem à noite, onde estava de novo? Guarulhos! Só que no terminal dos voos internacionais, saindo pra ir participar do NADAShow.
Fui novamente no banheiro esperando o horror do dia anterior e, pra minha surpresa, achei um lugar limpo e cheiroso. Isso graças ao patrocínio do Freeco, aquele produto que apareceu do nada, de repente, e virou moda em dez entre dez banheiros de empresa. A promessa do produto não é deixar o ambiente com um cheiro bom, mas eliminar o fedor que o número dois, às vezes, deixa pra trás.
Freeco apareceu em 2015 e em dez anos virou um fenômeno. Já em 2024 faturava R$ 65 milhões, além de exportar para países como os Isteites e produzir outros produtos, como lenços umedecidos e sprays contra mal hálito e contra chulé. A empresa até trocou de nome para Free Brands e virou uma guerreira contra os maus odores que existem e nos incomodam.
Mas esse é um produto difícil de anunciar. Apesar de ser uma coisa normal fazer o número um e o número dois, a gente tem tanto preconceito que evita chamar pelo nome coisas que saem de dentro de nossos corpos. Ou seja, são partes de nós mesmos, mas que queremos distante, como se fossem doenças. E só piora, quando o cheiro vem do No 2 de outra pessoa.
Então, amei esse patrocínio dos banheiros do aeroporto. Não havia forma de ser mais adequado. Patrocínio certo no lugar certo. Só faltou uma vending machine pra fechar o ciclo. Ai, o consumidor tomaria conhecimento da solução da Freebrands e já compraria o produto por impulso.
Adorei essa aula de marketing ao vivo. Os professores da Freeco estão de parabéns. Só fiquei me perguntando porque quem chega no terminal doméstico, o de pobre, não tem direito a um banheiro cheirozinho…
