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Saio do Teatro Santander e dou de cara com essa novidade.

09/03/2026
Postado por: Murilo Moreno

Parece uma banca de jornais fechada, mas na verdade é um micro quarto de hotel. O nome já entrega pra que serve: Cochilo. O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim começa a se movimentar e não fica quieto enquanto não descobre tudo sobre ela.

Na verdade, não existe muito o que descobrir. A empresa surgiu em 2012, em plena Rua Augusta, cresceu, quase fechou na Pandemia, e agora ressurge aos poucos. A "novidade" foi instalada no JK Iguatemi no meio do ano passado, num dos prédios de escritórios do conjunto. Meu bichinho demorou mais de nove meses pra descobrir o espaço. E olha que já havia passado ali algumas vezes!

A ideia é simples. Uma cama em forma de S, num ambiente sem janelas, com ar condicionado e música ambiente, pra você dar um cochilo antes de voltar ao trabalho. Você agenda no aplicativo da empresa, entra e desmaia...até o alarme tocar. Tudo automático. Pra fazer sucesso, precisa só de duas coisas: estar num ambiente com muito movimento e anunciar pra que as pessoas a descubram. A primeira, feita. A segunda, essa sempre é a parte mais difícil.

O Bichinho, curioso como ele só, foi atrás de descobrir se existem outros cochilódromos em Terra Brasilis. Descobriu a Siesta Box, que se denomina uma empresa de cabines de descanso, instaladas em alguns aeroportos brasileiros. Apesar do conceito ser parecido, a Siesta é mais um pequeno quarto tradicional, para pessoas que estão no meio de suas viagens.

Tanto Cochilo quanto Siesta Box oferecem oportunidade de franquia. Se não viraram sucesso, os bloqueios devem ter razões diferentes. Cochilo deve sofrer com a falta de hábito de se procurar um lugar pra uma pequena soneca. Siesta Box, com os altos aluguéis de aeroportos.

Vencer esse tipo de barreira é o desafio de todo empreendedor. A ideia é boa, mas todo começo é difícil. Criatividade existe. A questão é conseguir vencer as questões que aparecem todos os dias até ganhar músculos.

Empreender não é fácil. No Brasil então...

 

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Postado por: Murilo Moreno
Nesta madrugada, estreou na Formula1 a 11ª equipe a alinhar carros na largada, a Cadillac Formula One Team.

Como era de se esperar, não fez muita coisa, mas chegou. Décimo sexto. Só de um dos dois não quebrar, já é uma vitória.

A entrada da General Motors na categoria máxima é um marco e tanto. Nunca houve um Chevrolet, um Buick, um GM acelerando nas pistas da F1, mesmo que knowhow existisse. A empresa sempre preferiu as competições caseiras, como Nascar e Indy. Caseiras aqui significando corridas dentro dos Isteites, é lógico. Parecia que ela estava dizendo: o mercado que me interessa é esse aqui.

Agora, ela se internacionaliza. Sai da bolha, talvez empurrada por uma obrigação de pensar diferente. GM já foi a maior montadora do mundo, hoje é a quarta. Claramente está se recuperando e já consolidou a liderança nos EUA, o que lhe dá fôlego para novas aventuras.

Mas o carro que tem o nome da sua marca de modelos de luxo pintado na carroceria não tem um coração GM. Ele é empurrado por um motor da Ferrari. Foi a forma de entrar imediatamente na competição, já que os seus próprios só chegam em 2029. É longe demais e desenvolver um bólido de F1 demora. Melhor começar com o concorrente/fornecedor e depois mudar. Pelo menos parece ser o pensamento.

Fiquei com uma dúvida: como será que o consumidor percebe a marca, considerando essa manobra? Será que o carro de rua absorve a boa imagem que a equipe pode ter? Será que ele pensa que o motor do carro dele tem tecnologia que veio da Fórmula 1? Interessante notar que a receita é também utilizada pela Auston Martin, que corre com motores Honda, e pela Renault, que tem motores da Mercedes nos seus carros Alpine.

Meu ponto aqui não é relacionado a equipes, motores e pilotos. A escuderia deve crescer durante a temporada. O que o Bichinho de Marketing que vive dentro de mim quer saber é: Cadillac empurrado por Ferrari é um Cadillac?

 

08/03/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Se tem uma coisa que gera polêmica quando falo é que o Carro Elétrico morreu.

Não foi diferente entre os participantes do Jantar Automotivo da Sequoia, deste ano. Se ainda não foi enterrado, está na UTI, vivendo através de aparelhos, lá nos Isteites.

Pra conversar sobre esse e outros tantos temas que foram abordados no NADA Show 2026, meus sócios e eu recebemos um grupo seleto de convidados. E a conclusão é impressionante: o evento deste ano foi menos, em todos os sentidos: menos público, menos palestras, menos futuro. Mas foi mais no que importa: mais discussões do que vai acontecer no mercado automotivo mundial.

Três temas dominaram o congresso deste ano:

O primeiro foi a IA. Estava em todo lugar, mas não no tom milagroso que muita gente gosta de vender. O que apareceu de verdade foram soluções para melhorar operação, atendimento, agendamento, estoque, pedidos e processos internos. O interessante era o tom dos discursos. Nas palestras, IA era o parceiro das equipes de vendas e pós-vendas, a novidade que ninguém precisaria ter medo. Nos estandes, todos os fornecedores falavam de menores custos e menos funcionários. O substituto ideal das equipes humanas.

O segundo ponto foi que dado próprio virou ouro. O mercado percebeu que continuar terceirizando inteligência para as Big Techs é confortável, mas perigoso. Quem domina a própria base, entende melhor o ciclo de compra, se relaciona melhor com a carteira e depende menos dos outros para crescer. O assunto ainda vai esquentar muito em Terra Brasilis.

O terceiro e mais importante foi a mudança de humor da mobilidade. Todos os movimentos do presidente do cabelo de fogo são em direção do carro a combustão ou, no máximo, o híbrido. Cortou os incentivos, derrubando a participação do 100% elétrico de uma média de 8% para 5,5%, criou todas as barreiras contra os chineses e gerou impostos em cima de tudo o que não é feito dentro do país. O resultado é que as montadoras viraram o canhão para produtos "Made in USA", de preferência que adorem beber gasolina.

No fundo, no fundo, é a eutanásia do elétrico. Pelo menos naquele país.

Já estou ansioso pelo Nada Show 2027. E pelo Jantar Automotivo de 2027. 

 

07/03/2026
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Postado por: Murilo Moreno
A Fenabrave ainda não confirmou, mas quem acompanha o emplacamento diário de carros zero quilômetro no Brasil já sabe

A Fenabrave ainda não confirmou, mas quem acompanha o emplacamento diário de carros zero quilômetro no Brasil já sabe: o BYD Dolphin Mini foi o carro mais vendido nas concessionárias em todo o país, neste último mês de fevereiro. A montadora chinesa, rápida como um coelho, já colocou campanha no ar, espalhando a novidade nos quatro cantos. Só que nem ela entendeu direito o que tudo isso significa.

O Dolphin Mini é, ao mesmo tempo, o primeiro carro elétrico a chegar na liderança de vendas, e, principalmente, a primeira vez que um modelo chinês chega ao topo do ranking em Terra Brasilis. É bom lembrar que essa posição é relativa.

Quando somamos as vendas nas lojas com as vendas diretas, o Dolphin cai para o décimo lugar. Considerando que muitas vendas diretas são realizadas no show-room, é bem provável que o Volkswagen Tera continue sendo o carro mais vendido para o consumidor final. Mas até explicar que focinho de porco não é tomada, já deu tempo de comemorar esse gol de impedimento. E no mercado automotivo não existe VAR.

Se a luz de alerta das montadoras tradicionais estava no amarelo, a partir de agora está mais do que vermelha, está roxa. A BYD, em três anos, saiu de uma ilustre desconhecida para ser uma marca presente em todos os cantos. A velocidade com que construiu sua rede de 270 lojas é impressionante, e o preço do Dolphin Mini, R$107.000, é de carro popular. E olha que eles ainda nem fabricam direito do Brasil.

BYD é uma empresa não ortodoxa. Tudo que faz é fora do comum. Boris Feldman, um dos maiores jornalistas automotivos do Brasil, está sendo processado pela montadora porque afirmou que a empresa está mentindo quando diz que fabrica no Brasil. Como diz um presidente brasileiro, nunca na história desse país um jornalista foi processado por uma montadora. A questão é que a BYD matou a cobra, mas não mostrou o pau.

Em janeiro de 1995, o Fiat Tipo foi o carro mais vendido em nosso país. Era 100% importado, numa época que os impostos eram baixos. A liderança não durou nem dois meses, mas ajudou a montadora mineira (ou seria italiana?) a começar seu caminho para a liderança total do mercado. A chinesa lembra a mineira (ou seria italiana?) na sua velocidade de reação no mercado. Parecem tubarões à busca de empresas... sentem o cheiro de sangue de longe. Talvez seja essa a briga que vamos ver nos próximos meses. A tradicional Fiat versus a inovadora BYD.

De todo modo, essa liderança light do Dolphin Mini indica que o consumidor não tem mais medo do carro chinês, muito menos do carro elétrico. Pra quem é do mercado automotivo, 2026 promete mais emoções nos próximos meses. Seguuuuuuura coração!

 

05/03/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Saiu o ranking de PIB mundial, feito pelo FMI e, pelo segundo ano consecutivo, o Brasil caiu novamente.

Do décimo, para o décimo primeiro. A explicação é linda: não fomos nós que caímos, foi a Rússia que subiu, por causa dos 40% de valorização do rublo. Tanto que o Canadá também foi atropelado.

Ufa! Agora posso respirar mais tranquilo... Fizemos a nossa parte... Pena que daqui a um ano ninguém se lembrará mais desse detalhe. Apenas que o Brasil caiu. É como aquele gol de mão do time adversário que faz o nosso perder o campeonato. Explica, no momento, mas depois cai no esquecimento pra maioria. Só a gente que lembra.

O Brasil sempre está rondando entre o 7º e o 14º lugares, desde o Plano Real, em 1994. É uma variação grande, mas fácil de entender porque, tirando os sete primeiro lugares, os países têm um PIB muito parecido até o 15º. São trilhões de dólares, ainda assim, muito próximos. Qualquer piscadela e você é ultrapassado. TIpo Fórmula Um.

Assusta mais a leitura que a Austin Rating fez dos dados do FMI. Entre 60 países fomos o 39º em crescimento no último trimestre de 2025. Só 0,1%, ou seja, quase nada. E aqui não conta a valorização do dinheiro russo. Somos nós contra nós mesmos.

Enquanto isso, Índia continua a briga contra o Japão para passar a ser a quarta economia do mundo. E a China perde espaço para os Isteites. Os asiáticos fazem muito barulho, mas cresceram menos do que os americanos desde o fim da Covid. Talvez ajudado pelas blindagens que os dois últimos presidentes fizeram contra a invasão vermelha.

O PIB mundial continua concentrado. Os sete mais ricos respondem por 80% da riqueza total. Somos um pouco mais de 2%. E não podemos esquecer que, em 1994, China e Brasil tinham o mesmo peso. Em trinta anos, eles abriram os olhos, nós olhamos pro lado.

Agora é torcer pela desvalorização do dinheiro alheio. Quem sabe assim a gente não sobe mais rápido no ano que vem?

 

04/03/2026
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