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Esta semana, estive no Próxxima, com meu cliente Eduardo Zech Coelho.

29/05/2026
Postado por: Murilo Moreno

Lógico que, entre as diversas palestras interessantes do evento, foi discutido o crescimento da IA e o seu efeito devastador no dia a dia de cada um de nós. O dado mais surpreendente foi de que, atualmente, 53% do tráfego na internet já é feito por bots e agentes de IA, não por humanos. E crescendo... Essa é a base para a Teoria da Internet Morta.

De acordo com ela, vai chegar um dia em que a "Rede Mundial de Computadores", como diria Sílvio Santos, será habitada somente por entidades digitais e o ser humano será expulso do paraíso. Toda vez que ouço sobre esse cenário apocalíptico, me vem uma historinha na cabeça.

Nos encontramos na rua. Como somos muito amigos, você reclama comigo, e com razão:

- Poxa, Murilo! Primeira vez que você se esquece do meu aniversário e nem me liga pra dar os parabéns...

- Nossa! Desculpa... a vida está muito corrida... falo, como uma desculpa esfarrapada.

Volto pê da vida pra casa, pensando que estou jogando dinheiro fora no Agente de IA que contratei, exatamente pra mandar mensagens de aniversário pros amigos. Abro meus emails e descubro que ele mandou uma mensagem pra você. E melhor! Você respondeu, agradecendo. Ligo, na mesma hora, pro seu telefone.

- Meu amigo, fiquei tão chateado com o esquecimento que conferi aqui. Eu lhe mandei os parabéns...e você respondeu...

- Nossa! Desculpa... sabe como é que é... a vida está muito corrida... a resposta é automática.

Você corre no seu Agente de IA e descobre que ele respondeu minha mensagem. No final, você e eu delegamos o prazer de nossas vidas pra esses pequenos escravos digitais e viramos zumbis de nós mesmos.

Se isso não é a internet morta, não sei o que seria...

 

 

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Postado por: Murilo Moreno
Adoro dizer que uma marca não pertence às empresas, mas aos consumidores.

São eles que fazem o sucesso de cada uma delas, ao gostar e se envolver emocionalmente. Ferrari é uma que vive dessa relação. O engraçado é que pouca gente tem um carro do Cavalinho Rompante, mas muitos vivem de expressar sua paixão por essa “macchina”…

Só isso pra explicar o tanto que o lançamento da Ferrari Luce gerou de polêmica. É o primeiro modelo totalmente elétrico feito em Maranello. Vai custar R$ 3,2 milhões, sem considerar impostos. Tem quatro portas, cinco lugares e espaço pra malas. Quer mais alguma coisa pra ter certeza que a marca está rompendo com o passado? As cores de lançamento estão longe de ser somente vermelho ferrari...

O mercado reagiu com a queda das ações. 8% somente na terça, depois de ter levado um tombo de 14% em outubro do ano passado, com o anúncio dos resultados e planos para o futuro. Isso em Milão. O herdeiro dos Agnelli nem deve ter ficado preocupado. Afinal, o que são 15 bilhões de dólares de perda? Dinheiro de pinga, não é mesmo?

O importante aqui é perceber duas coisas: Todas as empresas de automóvel parecem que perderam o GPS. Cada uma está tateando procurando a saída do buraco negro que virou a indústria automotiva. Jaguar tentou ser um carro hype e só conseguiu uma crise. Porsche pisou no freio do elétrico depois de perder bilhões de dólares. Outras tantas estão indo e voltando nos planos de eletrificação. Enquanto isso, sobram carros elétricos chineses, pra quem quiser.

Segundo, que quanto maior o sucesso, mais difícil romper com o passado. A marca virou refém de tudo que fez até o momento. Fazer diferente custa caro. No mínimo, em milhares de comentários questionando o que vem pela frente. Até que o carro vai direto pro ferro velho andaram escrevendo. Imagina!

Se virar um fenômeno de vendas, vai tapar a boca de muita gente. Se não tiver encomendas, é só não fabricar. Ferrari é feito a mão mesmo, sob encomenda. Difícil vai ser quando a gente passar na frente de uma das suas lojas e ver um cartaz colado dizendo: "Promoção! Aproveite! Ferrari Luce sem entrada, em 12 vezes no cartão, sem juros!" Aí sim, vamos poder começar a rezar...

 

27/05/2026
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Postado por: Murilo Moreno
No sexto ano que faço essa comparação, esta é a primeira vez que o preço do carro mais barato do Brasil cai.

E mais do que isso, o título muda de mãos. Deixa a dupla Mobi x Kwid e vai pro Citroen C3.

O modelo sai por R$ 76.990,00 dois mil reais a menos do que custava o Fiat no ano passado e que está por R$ 83.490,00 no site da montadora. Considerando-se que os dois são da Stellantis, eles estão ensanduichando o Renault, que é vendido por R$ 82.790,00. Como estratégia é interessante, mas é difícil de entender como o francês, carro lançado em 2022, está mais barato que o italiano, que chegou no mercado em 2016.

Mas por que afirmo que o preço despencou? Porque meus dois parâmetros me mostram isso. Vamos começar com o salário mínimo. Quem comprar o C3 hoje vai ter que trabalhar quase meio ano a menos pra pagar o possante. De 52 para 47 meses. Mas vai valer a pena não ter dinheiro pra mais nada... Ainda assim, quatro anos. Além de economizar no combustível, pois comendo menos BigMac, vai pesar menos ao volante.

Só pra lembrar, o Big Mac Index foi criado pela revista The Economist para comparar o poder de compra em diferentes países e entre diversos anos, já que o sanduba do McDonalds sempre é feito com os mesmos ingredientes, em todo lugar do mundo. Este ano, com o preço do sanduíche, o dono do C3 iria passar fome. São "só" 2.961 versus os 3.292 do ano passado. Apenas 8 por dia do ano. Nem Ozempic consegue diminuir tanto assim o apetite dos compradores do novo líder de preço baixo!

De todo jeito, estamos sentindo o Efeito China nos preços das marcas tradicionais. Tem BYD Dolphin Mini sendo ofertado abaixo da linha mágica de cem mil reais. Se as antigas donas do mercado não apertarem os cintos, daqui a um ano vai ter chinês no posto de mais barato do país, no "Índice Murilo". É esperar pra ver.

E pensar que, em 2020, quando fiz a primeira comparação, um Hyundai Creta top custava R$ 105 mil...

 

 

 

25/05/2026
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