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O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim não se quietou enquanto não consegui testar um BYD Dolphin Mini.

19/06/2026
Postado por: Murilo Moreno

O carrinho vem sendo o líder de vendas em concessionárias desde fevereiro e, pelo andar da carruagem, vai fechar mais um mês em primeiro lugar. Lógico que, quando você olha o mercado como um todo, incluindo as vendas diretas das montadoras, o modelo despenca para o oitavo lugar. Ainda assim, estar entre os 10 mais vendidos, sendo chinês e elétrico, é um feito e tanto.

Nos primeiros metros guiando o Mini, paro num sinal e um vendedor ambulante me oferece paçoca. Só balanço o dedo, dizendo que não, e ele, batendo no vidro, grita: "Esse é o futuro!". Tomo um susto, não com o gesto dele, mas com a frase. Se até um baleiro aponta o carro como o que vem por aí, então a revolução dos chineses não tem mais volta.

A marca só me empresta o Dolphin por uma semana. Pouco tempo para realmente senti-lo no meu dia a dia, mas o suficiente para passar a gostar dele. Para ir e vir no dia a dia, ele é uma solução incrível. Faltou 'aquele teste' de ter que carregar um piano de cauda, de São Paulo a Campinas, pra conhecer a sua versatilidade. Não que eu faça isso com todos os meus carros, mas o Mini não é o indicado pra resolver todas as suas necessidades. É quase uma moto com capota.

E essa é uma característica interessante. Sendo elétrico, ele arranca nos sinais tão rápido quanto qualquer motoqueiro kamikaze. O que é um convite para multas e mais multas por excesso de velocidade. Você vai gastar com o Detran o que economiza na Petrobras.

Demoro quase uma semana pra parar de desligar o Mini quando sento no banco de motorista. Explico: sendo elétrico, o motor liga quando você abre a porta do motorista, sem ter que usar a chave, nem clicar em nada. E desliga, quando você, saindo, a tranca. A gente fica se perguntando por que ninguém pensou nisso antes. Mesmo assim, uma dúvida ficou. Se não precisa apertar nada, por que ainda tem um botão no painel?

Devolvo o carro com uma sensação de quero mais. O Bichinho de Marketing se acalma, mas o meu Mal humorado de Plantão me pergunta: O que vai acontecer daqui a alguns anos, quando esses 33 mil carros vendidos este ano voltarem como usados pro mercado? Só pegando o DeLorean do McFly pra descobrir...

 

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Postado por: Murilo Moreno
Nasci condenado a morrer antes dos 42 anos.

Já passei da data da minha sina, graças a Deus. Hoje, qualquer brasileiro vem carimbado com 76 anos de expectativa. Terra Brasilis figura entre os países com maior crescimento desse índice, no mundo. Junto com China, México e África do Sul.

Isso é muito estranho. A gente tem prazo de validade, que nem um iogurte, mas não nos damos conta disso, até que a data fique próxima. E aí, a gente muda de lugar, nas gôndolas da vida. Vamos pra parte das liquidações.

Filósofo demais? Não. Só uma lembrança esquisita, ao ler sobre essa evolução imensa da média de vida do ser humano. Ricos, de países ricos, sempre viveram muito. Pobres, de países pobres, sempre morreram cedo. Isso não mudou, mas a diferença diminuiu. Em 1960, a diferença era de 27 anos. Hoje, caiu para meros 16 anos. Isso em pouco mais de 60 anos. Uma baita evolução.

Um bebê que venha ao mundo hoje deve viver 80 anos, se nascer nos Isteites. Se for um afegão, morre, em média, com 64. O americano demonstra que a ciência tem ganho pouco da morte. De 2010, pra cá, foram só dois anos a mais de vida, graças aos remédios milagrosos. Já quem nasce no Afeganistão, no mesmo período teve sua esperança aumentada em mais cinco anos. Menos guerra? Mais saneamento básico? Mais medicina? Talvez uma soma de tudo.

De todo modo, vamos evoluindo para um momento em que não iremos mais morrer. Ainda tem muita gente que pensa que é impossível, pois a carcaça que chamamos corpo não foi criada pra isso. Pode ser, mas como sou um otimista incorrigível, acho que até esse problema a tecnologia vai resolver.

A grande questão é que ser imortal é viver por muito tempo. E a pressa em resolver as coisas na vida, com mais anos pela frente, diminui. Se hoje já falamos das pessoas terem uma segunda profissão, imagina vivendo pra sempre. Fora os casamentos. Pra onde vai o "...até que a morte os separe"?

42, 76 anos, imortalidade, não importa. Viver ainda será sempre um mistério...

 

18/06/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Pode ser implicância minha mas, em época de Mounjaro, acho estranho a marca do KFC estar engordando.

Pois foi isso que eu pensei, quando vi o novo logotipo da empresa.

As três letras cresceram para os lados, largaram as serifas (aquelas pontinhas no canto das letras) e perderam a inclinação, que fazia parecer que estavam correndo. Não sei o que os executivos queriam dizer, mas me pareceu que a marca resolveu ir contra tudo e todos. a mudança começa na Inglaterra, vai se espalhar pelo mundo, mas deve demorar a chegar ao Brasil. Todas as modificações são sutis e permitem que a antiga e a nova versões convivam lado a lado.

Como desenhista que já fui, as sutilezas me chamam a atenção. Se você olhar para o desenho do Coronel Sanders, vai perceber que a figura ficou mais bem resolvida, deixando a característica antiga de só insinuar os detalhes. Não entendeu? Explico: olha pro óculos. Antes eles tinham falhas, que eram completadas por nossa imaginação. Agora, estão ali, inteiros. Da mesma forma, a testa do personagem agora está mais bem desenhada. Mas, o mais interessante é a gravatinha, que agora tem suas pernas descendo separadamente. A sensação que tenho é que alguém na agência de propaganda cansou-se de ver o símbolo ficar irreconhecível quando era reduzido. A nova versão permite evitar esse tipo de problema.

Quando vejo mudanças sutis, como essas, ficou dividido. Primeiro, me satisfaço com a hashtag#consistência. Mudar aos poucos é permitir ao consumidor acompanhar a evolução, sem estranhar as novidades. Segundo, me lembro de Coca-Cola. Os anos passam e a marca não muda. Trocam os fundos, as mensagens, os rótulos. Mas as letras continuam com as mesmas curvas de sempre. Ai, me pergunto: precisava, Sr. Sanders?

KFC mudou. No meio de um mundo de canetinhas, é interessante ver alguém remando contra a maré...

 

17/06/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Um barbeador elétrico custa pouco mais de cem reais.

A fabricante de barbeadores Philips vale US$ 25 bilhões. Elon Musk poderia comprar a empresa, com menos de 3% da sua fortuna, como você compra um Gillette G2 no supermercado. Ainda assim, ele é o primeiro trilionário do mundo que mais aparece em público com a penugem por fazer. Deve ser falta de tempo, não de dinheiro.

Pra torrar todo o dinheiro num ano, Musk precisaria gastar quase dois milhões de dólares por minuto. Dez milhões de reais por minuto! Com esse pequeno cálculo, dá pra entender por que ele não faz a barba. Se gastar cinco minutos no banheiro, terá deixado de ganhar alguns milhões de dólares. Melhor deixar os fios na cara e um pouco mais de dinheiro na conta.

Deve ser uma prisão ser o homem mais rico do mundo. Uma gaiola de ouro, cercada de todo o luxo e riqueza, mas uma gaiola. Ele vale, no mínimo, três vezes a segunda mais rica pessoa do planeta, o Larry Page, fundador do Google. Deve ter preocupações que nós, simples mortais, não temos ideia do que sejam. E conversar com as pessoas deve ser uma tortura, pois ninguém consegue entender o que se passa na sua cabeça.

Só mesmo Marte pra acalmar sua alma. Quantas vezes você, que me lê, pensou em colonizar um outro planeta? Eu nunca. Musk deve pensar nisso todo dia. Pois é nesse nível de problemas que a riqueza dele pode ser gasta: pensar num desafio tão grande que traga um retorno para a sociedade seguir evoluindo.

Não tenho dúvidas de que Elon Musk irá se tornar um dos maiores filantropos do mundo. Num certo momento, dinheiro vira capim. Ter mais não muda sua saúde ou sua felicidade. Fazer os outros felizes, sim. O trilionário deve seguir o caminho que Alfred Nobel ou Bill Gates trilharam.

Talvez, nesse dia, ele comece a ter mais tempo pra fazer a barba...

 

16/06/2026
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Postado por: Murilo Moreno
Navegando pela internet, dou de cara com o Mickey, vestido de verde e amarelo, entrando num estádio de futebol com cara de Maracanã.

O adversário é vermelho, o que, no meu vasto repertório futebolístico, significa Espanha. O Bichinho de Marketing que vive dentro de mim começa a gritar como um torcedor fanático. Desde quando o ratinho da Disney passou a ser torcedor da Seleção Canarinho?

Vou pesquisar e descubro que o vídeo no Instagram é antigo. De 2014, ano da Copa no Brasil. E que a empresa reeditou, agora em 2026, e colocou no ar no dia da abertura do evento. Mickey torcedor, torcendo pro Brasil? Aí tem...

Nenhuma multinacional do tamanho da Disney faz as coisas "sem querer". Um desenho animado como o Futebol Clássico, com seus 3:30 minutos, custa uma baba pra ser feito e passa por vários níveis de aprovação. Então, é uma decisão consciente.

Brasileiros são o terceiro maior número de turistas em Orlando. Só perdemos pros canadenses e ingleses. Somos mais do que os mexicanos, que demoram menos de três horas pra pousar na cidade. Nosso perrengue chique está há quase nove horas de distância e o valor do dólar aumentou ainda mais essa distância. Ainda não voltamos aos patamares de antes da pandemia. Em 2019, fomos mais de 800 mil turistas. Em 2025, mal ultrapassamos os 700 mil. O bolso do amigo do Zé Carioca sofre...

Somando isso ao número de comerciais e banners que recebo sobre "Visite a Disney", meu Bichinho chega à conclusão de que a empresa está em franca campanha pra aumentar o fluxo de brasileiros nos seus parques temáticos.

Eu, que já fui sete vezes e sou fã declarado, abro minha gaveta pra ver se meu visto está em dia. Se correr, ainda pego o final da Copa no meio de Epcot...

15/06/2026
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